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Governo vai anunciar regulamentação de VR e VA para conter preço dos alimentos

O governo brasileiro está prestes a anunciar regulamentações para o mercado de VR e VA. Entenda mais!

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Fraude

Nos próximos dias, o governo brasileiro anunciará a regulamentação do mercado de vales refeição (VR) e alimentação (VA). A expectativa é que essa medida seja uma das alternativas para ajudar a controlar a alta nos preços dos alimentos, um dos fatores que mais tem impactado a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Essa regulamentação vem sendo discutida há algum tempo, com a pressão crescente por parte de ministros e setores do governo que buscam respostas rápidas para reduzir a inflação, especialmente no setor alimentar.

O impacto da regulamentação no mercado de vales

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Imagem: Debbie Ann Powell/ shutterstock.com

A proposta do governo é alterar o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), que oferece incentivos fiscais para empresas que fornecem VR e VA aos seus funcionários. A ideia central é permitir a ampliação da competitividade no mercado de benefícios, o que, segundo os ministros, pode contribuir para a redução dos preços dos alimentos.

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O que são o vale-refeição e o vale-alimentação?

Antes de analisar o impacto das mudanças propostas, é importante entender o funcionamento dos vales refeição e alimentação. Esses benefícios são oferecidos pelas empresas aos seus funcionários como uma forma de ajudá-los a custear as refeições diárias. Atualmente, as empresas podem fornecer os vales de duas maneiras: através de um arranjo fechado, onde o cartão só pode ser usado em estabelecimentos específicos, ou por meio de um arranjo aberto, que permite o uso do benefício em uma maior gama de locais.

O que mudaria com a regulamentação?

A proposta do governo visa regulamentar o chamado “arranjo aberto”, permitindo que os cartões dos trabalhadores sejam aceitos em qualquer estabelecimento comercial. A regulamentação também inclui a portabilidade gratuita, permitindo que os beneficiários migrem entre fornecedores de VR e VA sem custos adicionais. Essa mudança foi mencionada em um decreto assinado por Lula em 2023, mas ainda depende de diretrizes do Conselho Monetário Nacional (CMN) para ser implementada.

O que está por trás da demora na implementação?

Apesar das mudanças estarem previstas desde 2022, o processo de regulamentação tem se arrastado devido a um impasse em relação à fiscalização do setor. Embora a ideia de regulamentação tenha sido discutida em reuniões com diversos membros do governo, o Banco Central (BC) ainda não tem uma posição clara sobre a sua responsabilidade na fiscalização do mercado de VR e VA.

Segundo fontes próximas ao governo, a regulação da portabilidade do PAT tem grandes chances de ser implementada durante a gestão de Gabriel Galípolo, novo responsável pela pasta econômica. A expectativa é que, com a regulação, seja possível reduzir as taxas cobradas dos varejistas, o que poderia resultar em preços mais baixos para o consumidor final.

Como a regulamentação pode impactar os preços dos alimentos?

O setor de vale-refeição e vale-alimentação movimenta anualmente cerca de R$ 150 bilhões. A introdução de um modelo mais aberto e competitivo poderia resultar na redução das taxas intermediárias cobradas pelas empresas que operam no mercado de benefícios. Um estudo da consultoria LCA, a pedido do iFood, aponta que uma diminuição das taxas para 2,5% — similar à taxa cobrada em cartões de débito e crédito — poderia gerar uma economia de R$ 5,36 bilhões por ano.

A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) também tem defendido a mudança, alegando que a redução das taxas cobradas pelos operadores de benefícios poderia ajudar a diminuir o custo final dos produtos alimentícios, tornando-os mais acessíveis à população.

O que diz o varejo sobre a regulamentação?

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A medida proposta tem o apoio de algumas empresas e varejistas, especialmente os que operam no setor de supermercados. O presidente da Abras, João Galassi, tem defendido que a regulamentação não só ajudaria a reduzir custos, mas também eliminaria a necessidade de intermediários no processo de pagamento de VR e VA, o que resultaria em uma maior transparência e eficiência no mercado.

No entanto, a proposta também enfrenta resistência. Algumas entidades, como a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), têm se mostrado contrárias à eliminação dos intermediários. Elas argumentam que a alteração poderia resultar em um monopólio do setor de benefícios, o que poderia ser prejudicial para pequenos comerciantes, que enfrentariam maiores dificuldades para operar.

A Caixa Econômica Federal pode ser o novo distribuidor

Placa em frente ao prédio da Caixa Econômica exibindo a logo da instituição
Imagem: SERGIO V S RANGEL / Shutterstock.com

Em meio à discussão sobre a regulação do mercado de benefícios, uma nova proposta ganha força: a ideia de transferir a operacionalização dos benefícios para a Caixa Econômica Federal. Segundo o presidente do banco, Carlos Antônio Fernandes, o banco estatal tem a capacidade de distribuir os vales diretamente para os trabalhadores, o que ajudaria a reduzir as taxas de intermediação.

A proposta, contudo, depende de uma alteração na lei do PAT, o que exigiria a negociação com o Congresso Nacional. Embora a ideia seja vista com bons olhos por muitos, ela ainda gera divisões, com algumas partes do governo e do mercado apontando que o aumento da competição no setor poderia ser uma solução mais eficaz.

Considerações finais

O anúncio da regulamentação do mercado de vales refeição e alimentação é aguardado com expectativa. A medida, se implementada, pode não apenas ajudar a combater a inflação dos alimentos, mas também promover uma maior competitividade no setor, o que poderia trazer benefícios tanto para os consumidores quanto para os trabalhadores.

A decisão do governo de avançar com as regulamentações do mercado de VR e VA é um passo importante na tentativa de controlar a alta dos preços, mas ainda há desafios pela frente. O sucesso da medida dependerá da eficácia na implementação das mudanças e da capacidade do governo de equilibrar os interesses de diferentes setores econômicos.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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