O governo de São Paulo anunciou um pacote emergencial de estímulo às exportações paulistas após o anúncio de novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. Entre as medidas, destacam-se a liberação de R$ 1,5 bilhão em créditos acumulados de ICMS e o aumento da linha de crédito voltada às exportadoras de R$ 200 milhões para R$ 400 milhões.
Tarifaço em SP gera crédito de R$ 1,5 bilhão em ICMS para contribuintes
Governo de SP libera R$ 1,5 bi em créditos de ICMS e dobra linha de crédito a exportadoras para conter impacto do tarifaço dos EUA sobre o Brasil.
O anúncio foi feito na última quarta-feira (30) pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que afirmou estar tomando “medidas concretas para preservar a competitividade da indústria paulista e proteger o emprego e a renda no estado”.
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Pacote tem foco nas exportações para os EUA

A ofensiva do governo estadual busca atenuar os efeitos do tarifaço norte-americano, que elevou significativamente os custos de exportação de diversos produtos brasileiros. Os Estados Unidos são o principal destino das exportações paulistas, tendo absorvido R$ 14 bilhões em produtos do estado apenas no ano passado, com destaque para o setor aeronáutico.
Regras para liberação dos créditos acumulados de ICMS
O governo paulista estabeleceu critérios específicos para a liberação dos créditos de ICMS. Empresas que exportaram mais de R$ 20 milhões aos EUA nos últimos quatro anos poderão solicitar até R$ 120 milhões em créditos. Para os demais exportadores, o limite por empresa será de R$ 30 milhões.
Pagamento parcelado e prioridade para transferências
Os pedidos aprovados começarão a ser pagos em setembro e serão divididos em até 10 parcelas. Exportadoras que possuam créditos acumulados aptos à transferência terão prioridade na liberação dos recursos.
Crédito subsidiado amplia capacidade de reação das empresas
Condições favoráveis para pagamento
Além dos créditos de ICMS, o governo duplicou a linha de financiamento por meio da Desenvolve SP, agência de fomento do estado. A linha de crédito foi ampliada de R$ 200 milhões para R$ 400 milhões, com taxa de juros subsidiada de 0,27% ao mês, acrescida da inflação.
O prazo de pagamento será de até 60 meses, com 12 meses de carência. O limite de recebimento por CNPJ é de até R$ 20 milhões, condicionado à análise de crédito e à capacidade financeira da empresa.
“O crédito é fundamental para que os nossos empresários enfrentem esse momento desafiador com mais fôlego”, declarou o governador.
Programa ProAtivo será o canal para solicitação
Procedimento digital e simplificado
As empresas interessadas devem fazer seus pedidos on-line, pelo Sistema de Peticionamento Eletrônico da Secretaria da Fazenda de São Paulo. A concessão dos créditos será realizada no âmbito do programa ProAtivo, que busca incentivar a atividade econômica por meio da recuperação de tributos.
Ordem de chegada definirá atendimento
De acordo com a Desenvolve SP, não haverá diferenciação entre setores ou portes de empresas. Os pedidos serão processados por ordem de chegada, desde que a documentação esteja completa e os critérios de elegibilidade sejam atendidos.
“As empresas estão sendo atendidas de acordo com a ordem de chegada das solicitações”, informou a Desenvolve SP.
Grande adesão mesmo antes da liberação oficial

Interesse empresarial já soma R$ 800 milhões
Mesmo antes da oficialização das medidas, cerca de 150 empresas já haviam sinalizado interesse, totalizando R$ 800 milhões em pedidos de crédito, conforme declarou Ricardo Brito, diretor da Desenvolve SP, em entrevista à rádio CBN.
Setores estratégicos e perspectivas para o comércio exterior
Benefícios devem atingir indústria aeronáutica e metalúrgica
Especialistas acreditam que setores como aviação, metalurgia, autopeças e alimentos processados devem ser os maiores beneficiários das medidas, considerando o perfil da pauta exportadora paulista. A ação do governo é vista como uma resposta rápida à escalada protecionista do governo dos EUA, liderado por Donald Trump.
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Segundo analistas, as medidas ajudam a evitar uma retração imediata no setor industrial paulista, que depende fortemente das exportações. “É um fôlego necessário num cenário internacional que se deteriora”, disse a economista Camila Santos, da FGV.
Tarifaço dos EUA é criticado por autoridades brasileiras
Reações políticas no Brasil
A taxação de produtos brasileiros pelos EUA foi classificada como um “perde-perde” pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin. Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que os dois países “não devem ficar se agredindo mutuamente”.
Base legal da medida norte-americana
O tarifaço teve como base uma lei de 1977 utilizada pela administração Trump, o que gerou críticas de setores produtivos e do próprio governo brasileiro. A norma permite a imposição de sanções comerciais unilaterais por motivos de segurança nacional.
Desafios para o futuro das exportações paulistas

Incógnitas no médio prazo
Apesar do alívio imediato oferecido pelas medidas estaduais, o futuro das exportações paulistas permanece incerto. A tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos exige uma reavaliação de estratégias de médio e longo prazo para preservar mercados e garantir a competitividade.
Alternativas em negociação
Fontes do setor de comércio exterior apontam que o Ministério das Relações Exteriores já está atuando em conjunto com o Itamaraty e o setor privado para negociar isenções ou acordos compensatórios junto aos EUA.
Enquanto isso, São Paulo dá o primeiro passo para proteger sua base industrial e preservar empregos em um dos momentos mais delicados para o comércio internacional nos últimos anos.
Conclusão
As medidas anunciadas pelo governo de São Paulo representam uma resposta rápida e estratégica aos impactos do tarifaço dos Estados Unidos, oferecendo alívio financeiro e previsibilidade às exportadoras paulistas. Com a liberação de créditos de ICMS e o reforço na linha de crédito com juros subsidiados, o estado busca preservar empregos, garantir competitividade e manter ativa sua presença no mercado internacional. Ainda que o cenário global exija cautela, o pacote pode ser decisivo para atravessar esse momento turbulento com mais segurança e fôlego econômico.
