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Governo pode taxar big techs ainda este ano; entenda a situação

Governo brasileiro considera a possibilidade de taxar grandes empresas de tecnologia para equilibrar as contas públicas. Saiba mais!

Helena SerpaPor Helena Serpa4 min de leitura
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O governo brasileiro está avaliando a possibilidade de implementar uma nova tributação sobre as grandes empresas de tecnologia, conhecidas como “big techs”, como parte de um esforço para fechar as contas públicas em 2024. As gigantes da tecnologia, incluindo Apple, Google e Microsoft, podem enfrentar uma nova carga tributária caso a arrecadação prevista não seja suficiente para atingir as metas fiscais.

Esta iniciativa segue uma tendência global de maior regulação e taxação dessas empresas, impulsionada por discussões na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Contexto e Justificativa

Imagem de notas de 100 e 50 reais, sobre uma bandeira do Brasil. Bolsa Família
Imagem: Andrzej Rostek / shutterstock.com

O orçamento do governo para 2024, enviado ao Legislativo no final de setembro, mostra que os gastos com a previdência social e outros benefícios sociais estão pressionando significativamente as contas públicas. Esse cenário reduziu o espaço para os chamados “gastos livres”, que incluem investimentos e programas sociais essenciais para o país.

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Para compensar eventuais frustrações de receita, o Ministério da Fazenda estuda a possibilidade de taxar as big techs, medida que poderá ser implementada se a arrecadação não atingir o esperado.

Pilar 2 da OCDE: O Papel da Tributação Global

Além da taxação das big techs, o governo também pode propor a implementação do Pilar 2 da OCDE, que estabelece uma tributação global mínima de 15% para empresas multinacionais. Essa medida visa garantir que as grandes corporações, independentemente de onde operem, paguem uma quantia justa de impostos, evitando práticas de evasão fiscal e contribuindo para uma arrecadação mais equitativa. A OCDE estima que a adoção dessa regra global poderia gerar entre US$ 17 bilhões e US$ 32 bilhões em receitas fiscais adicionais, dependendo da adesão dos países membros.

A Situação Fiscal do Brasil

O governo brasileiro está buscando atingir um déficit zero nas contas públicas em 2025, mas analistas apontam que este é um objetivo ambicioso. As projeções do mercado sugerem um déficit superior a R$ 90 bilhões no próximo ano, tornando crucial a adoção de novas medidas de arrecadação. Entre as alternativas estudadas, estão o aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e dos juros sobre capital próprio (JCP), além da taxação das big techs.

Medidas de Arrecadação Propostas

Para alcançar o déficit zero, o governo estima que serão necessárias novas medidas de arrecadação que, em conjunto, somariam cerca de R$ 168 bilhões em 2025. Entre essas medidas estão:

  • Aumento de 1 ponto percentual na CSLL: Projeta-se um impacto de R$ 14,93 bilhões em 2025.
  • Incremento de 15% para 20% no imposto de renda sobre JCP: Estimativa de arrecadação adicional de R$ 6 bilhões.
  • Medidas de compensação pela desoneração da folha de pagamentos: Aproximadamente R$ 25,8 bilhões.
  • Reformas no processo do DARF e uso do voto de qualidade: Potencial de arrecadação de R$ 28,6 bilhões.
  • Transações tributárias e recuperação de créditos: Combinadas, essas ações poderiam gerar R$ 31 bilhões.

Desafios e Críticas

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A proposta de aumentar a carga tributária sobre as grandes empresas, incluindo as big techs, tem gerado debates intensos. Críticos apontam que o foco excessivo na arrecadação pode sufocar o crescimento econômico e afastar investimentos. O presidente da Comissão Mista de Orçamento (CMO), deputado Julio Arcoverde, manifestou preocupações sobre o impacto dessas medidas na confiança dos investidores e na geração de empregos.

A Infraestrutura de Comunicações e a Inclusão Digital

Dados em cima de moedas, formando a palavra taxa, com vários papéis em volta
Imagem: Foto de Nataliya Vaitkevich / Pexels

Em julho, o ministro das Comunicações, Juscelino Filho, defendeu que as big techs deveriam contribuir para a expansão da infraestrutura de telecomunicações no Brasil, para promover a inclusão digital. Segundo ele, as gigantes da tecnologia desempenham um papel crucial na conexão de pessoas e ideias, e, portanto, devem ser responsáveis por contribuir para a redução das desigualdades de acesso à internet.

Essa proposta de responsabilizar as big techs pela infraestrutura digital está alinhada com as discussões internacionais sobre a necessidade de essas empresas pagarem uma “parte justa” pelos serviços que utilizam e pelas receitas que geram nos países onde operam.

Considerações finais

A possível taxação das big techs no Brasil reflete uma tendência global de maior regulação e tributação dessas empresas, que desempenham um papel cada vez mais central na economia digital. Embora o governo veja essa medida como uma solução para equilibrar as contas públicas, ela também levanta preocupações sobre seu impacto econômico e social. A implementação do Pilar 2 da OCDE e outras medidas de arrecadação fiscal são indicativos que o Brasil está buscando maneiras de se adaptar a um cenário econômico global em rápida evolução.

A definição dessas políticas nos próximos meses será crucial para o futuro das finanças públicas no Brasil e para a relação do país com as grandes corporações tecnológicas.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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