O governo federal anunciou uma importante mudança na política de comércio exterior que impacta diretamente a cadeia produtiva de veículos no Brasil. Por meio do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Camex), o Imposto de Importação sobre autopeças que não possuem fabricação nacional foi reduzido de 2% para 0%. A resolução foi publicada no Diário Oficial da União, consolidando uma medida que promete influenciar positivamente a competitividade do setor automotivo.
Governo reduz a zero imposto para importar autopeças não produzidas no Brasil
Isenção de imposto de importação para autopeças sem fabricação nacional visa impulsionar setor automotivo.
Essa decisão tem como foco principal viabilizar a produção de veículos modernos e eficientes, assegurando que peças específicas, que ainda não têm alternativas no mercado nacional, possam ser adquiridas do exterior sem o peso tributário anterior. A estratégia também está alinhada com os objetivos da política industrial do governo, que busca equilibrar desenvolvimento econômico e inovação tecnológica.
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O que muda com a nova resolução da Camex

A resolução estabelece que as empresas que operam dentro do Regime de Autopeças Não Produzidas agora poderão importar certos insumos com isenção total de imposto, desde que comprovem a ausência de produção similar em território nacional.
Esse regime especial já existia com alíquota reduzida de 2%, mas a nova regulamentação zera a tributação para ampliar o acesso a componentes essenciais para a fabricação de veículos. A Camex destaca que a medida é temporária e condicionada à verificação da inexistência de produção equivalente no Brasil, evitando assim a concorrência desleal com fabricantes nacionais.
Ex-tarifário: critério técnico será mais rigoroso
Além da redução tarifária, a resolução também prevê um reforço nos mecanismos de análise técnica para concessão do chamado Ex-tarifário, que é o regime que autoriza a importação de bens de capital, informática e telecomunicações, sem similar nacional, com redução ou isenção do imposto.
A nova diretriz delega ao Ministro de Estado do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a possibilidade de instituir um órgão ou colegiado técnico. Esse grupo ficará encarregado de avaliar os pareceres da Secretaria de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços, verificando se os critérios legais foram devidamente cumpridos antes de submeter os casos ao Comitê da Camex.
A mudança visa tornar o processo mais criterioso, transparente e alinhado às diretrizes da política industrial do país.
Impacto para montadoras e cadeia automotiva
A isenção total do imposto sobre autopeças não fabricadas no Brasil representa um alívio para montadoras e empresas fornecedoras de autopeças que enfrentam desafios logísticos e financeiros em função da limitação do parque industrial nacional.
Com a medida, empresas terão mais agilidade e economia na aquisição de componentes complexos — como sensores, módulos eletrônicos, sistemas de segurança e outros itens de alta tecnologia — fundamentais para atender exigências de desempenho e sustentabilidade nos veículos modernos.
Isso pode resultar não apenas na redução de custos na linha de produção, mas também no estímulo à instalação de novas fábricas e centros de desenvolvimento no país, atraindo investimentos e gerando empregos.
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O papel da indústria nacional

Embora a decisão represente um avanço para o setor automotivo, ela também lança um novo desafio à indústria nacional de autopeças: o fortalecimento da capacidade produtiva e tecnológica para suprir essa demanda interna.
A política de zerar o imposto é específica para componentes sem similar nacional, o que, na prática, cria um incentivo para que o setor produtivo invista em inovação e amplie sua gama de produção. O governo pretende, com isso, estimular a substituição gradual das importações por produção local, mantendo equilíbrio entre acesso a tecnologia externa e valorização da indústria interna.
Um movimento em direção à reindustrialização
A redução tarifária para autopeças faz parte de um movimento mais amplo de reindustrialização defendido pelo governo federal. A estratégia busca tornar o Brasil mais competitivo internacionalmente, ao mesmo tempo que fomenta a modernização das cadeias produtivas.
Ao eliminar barreiras para a importação de itens estratégicos que ainda não são produzidos localmente, o país se alinha a práticas adotadas por outras economias emergentes que utilizam incentivos pontuais como forma de acelerar o desenvolvimento de setores prioritários.
