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GPT-5 surpreende, porém avanço em relação ao GPT-4 é sutil

GPT-5 traz avanços em matemática e código, mas salto em relação ao GPT-4 é mais discreto. Lançamento oficial ocorre nesta quinta-feira.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
ChatGPT

A expectativa em torno do lançamento do GPT-5, novo modelo de linguagem da OpenAI, é alta. Mas quem já teve acesso antecipado à tecnologia afirma: embora o desempenho técnico seja notável, a diferença em relação ao GPT-4 é mais sutil do que se esperava. A estreia oficial está marcada para esta quinta-feira (7), às 14h (horário de Brasília), em uma transmissão ao vivo promovida pela empresa.

Dois testadores, ouvidos pela agência Reuters sob condição de anonimato, afirmaram estar impressionados com a capacidade do GPT-5 em resolver problemas matemáticos e realizar tarefas de programação. No entanto, ambos apontaram que o salto qualitativo não é tão evidente quanto aquele registrado entre as gerações anteriores — mais especificamente, entre o GPT-3 e o GPT-4.

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Avanços técnicos pontuais marcam a nova geração

ChatGPT
Imagem: Fabio Principe / Shutterstock

Potência computacional estratégica

Entre os principais destaques do GPT-5 está o uso do chamado test-time compute, conceito que permite à IA utilizar mais poder computacional quando confrontada com tarefas de alta complexidade. Isso significa que, diante de desafios como lógica matemática ou raciocínio dedutivo, o sistema consegue alocar recursos adicionais para entregar respostas mais precisas e refinadas.

A abordagem representa uma tentativa de contornar as limitações do treinamento massivo, que já encontra barreiras logísticas e técnicas, como explicou o próprio CEO da OpenAI, Sam Altman. “Estamos alcançando um ponto em que apenas escalar mais já não entrega o mesmo retorno. Foi necessário explorar outras direções”, disse em conferências anteriores.

Precisão em código e matemática

O desempenho do GPT-5 em codificação e resolução de problemas quantitativos foi um dos pontos mais elogiados pelos testadores. O modelo demonstrou maior autonomia para sugerir, escrever e revisar trechos de código, especialmente em linguagens como Python e JavaScript. Em matemática, os avanços são perceptíveis na forma como o sistema lida com problemas simbólicos e aritmética complexa.

Contudo, especialistas observam que, em tarefas mais subjetivas ou criativas — como escrita de textos ou análise de contexto — a diferença entre o GPT-4 e o novo modelo é menos evidente para o usuário comum.

Limitações e obstáculos no desenvolvimento

Escassez de dados e problemas de escala

Um dos maiores desafios enfrentados pela OpenAI na construção do GPT-5 foi a disponibilidade de dados. Grande parte dos textos públicos da internet já foi utilizada em treinamentos anteriores. Isso impôs um limite técnico relevante: como treinar uma IA melhor se há cada vez menos conteúdo inédito?

Além disso, os treinamentos em larga escala apresentaram instabilidades frequentes. Problemas com hardware, inconsistências nos modelos intermediários e erros difíceis de diagnosticar levaram meses até serem solucionados. Isso dificultou o uso da antiga estratégia de apenas escalar o tamanho dos modelos, prática que levou ao sucesso do GPT-4 sobre o GPT-3.

Necessidade de inovação estrutural

Diante dessas limitações, a OpenAI precisou inovar na forma como estrutura seus modelos. A combinação de arquitetura avançada com estratégias como o test-time compute representa um novo caminho, voltado não apenas para a expansão, mas para o uso inteligente dos recursos já disponíveis.

“A esperança é que o GPT-5 desbloqueie aplicações de IA que vão além da conversa e permitam a execução autônoma de tarefas”, afirmou o investidor Navin Chaddha, parceiro da empresa.

Concorrência acirrada no setor de IA generativa

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Imagem: RKY Photo / Shutterstock

Disputa com Google, Meta e Anthropic

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Desde o lançamento do ChatGPT em 2022, a OpenAI assumiu protagonismo global no setor de inteligência artificial. No entanto, essa posição vem sendo cada vez mais desafiada. Gigantes como Google (com o Gemini), Meta (com o Llama 3) e Anthropic (com o Claude) vêm desenvolvendo modelos competitivos, muitos dos quais focados em segurança, custo reduzido e personalização.

Nesse cenário, o GPT-5 chega como mais uma peça no tabuleiro da inovação. A OpenAI precisa mostrar não apenas que sua tecnologia segue superior, mas que também é aplicável em contextos reais de trabalho, automação, educação e desenvolvimento.

Expectativas para o evento de lançamento

A OpenAI não confirmou abertamente que o lançamento desta quinta-feira será, de fato, o GPT-5. Contudo, pistas deixadas nas redes sociais sugerem fortemente que este será o anúncio principal. No post oficial sobre o evento, a palavra “livestream” foi escrita como “live5tream” — um indício direto do novo modelo.

Outros executivos da empresa também deixaram escapar detalhes. Boris Power, chefe de pesquisa aplicada, postou: “Animado para ver como o público vai receber o GPT-5!”. Já Sam Altman respondeu de forma descontraída a um usuário no X, afirmando que a recomendação de uma série veio do novo modelo — e ainda compartilhou uma imagem com o símbolo do GPT-5.

Avanço incremental, não revolucionário

Apesar do entusiasmo natural gerado pelo novo lançamento, especialistas alertam para a natureza mais incremental do GPT-5. As melhorias são reais e relevantes, mas o salto qualitativo não será tão perceptível para usuários comuns — ao menos em um primeiro momento.

Esse cenário pode sinalizar uma nova fase da corrida pela inteligência artificial, em que os avanços deixarão de ser explosivos e passarão a ser mais sutis, focados em estabilidade, eficiência e aplicabilidade.

A OpenAI entra nesta etapa com a responsabilidade de manter seu protagonismo, mas ciente de que a inovação agora exige mais do que apenas escalar modelos: é preciso reinventar a base da tecnologia.

Imagem: SuPatMaN / Shutterstock

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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