Em novembro, a Pepsico, dona de marcas como Toddy, Gatorade e Pepsi, enfrentou uma greve dos seus funcionários nas fábricas de Sorocaba e Itaquera. O motivo? A insatisfação com a carga horária de trabalho na escala 6×1. Esse movimento ganhou força no último mês, especialmente após a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), apresentada pela deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que propõe a redução da jornada de trabalho de 44 para 36 horas semanais, além de acabar com a escala 6×1.
Fim da escala 6×1 vai impactar as empresas? Entenda a situação
A greve na Pepsico e a proposta de redução da jornada de trabalho para 36 horas, discutida no Congresso, saiba mais!
A PEC gerou debates sobre os impactos dessa mudança nas empresas e setores, levando a uma reflexão sobre a adequação da jornada de trabalho no Brasil. A pesquisa feita pela Pontotel, empresa especializada em gestão de ponto, trouxe à tona dados reveladores sobre a presença do modelo 6×1 em diversos setores da economia.
Leia mais:
Salário vai mudar caso a escala 6×1 chegue ao fim? Entenda

O que é a escala 6×1?
A escala 6×1 é um modelo de trabalho em que o funcionário trabalha seis dias consecutivos e descansa um, com jornadas que variam conforme o setor.
Essa escala é comumente utilizada em atividades que exigem operação contínua, como comércio, hospitalidade e áreas de produção. Embora seja uma prática amplamente adotada, esse modelo tem sido alvo de críticas devido ao desgaste físico e psicológico que impõe aos trabalhadores.
O impacto da PEC e a redução da jornada
A proposta de redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais visa diminuir a carga horária de trabalho e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. Além disso, a PEC busca acabar com a escala 6×1, considerada por muitos como excessiva e prejudicial à saúde do trabalhador.
Segundo o Pedro Pimenta, Co-CEO da Pontotel, a pesquisa realizada com mais de 500 mil funcionários registrados na plataforma revelou que a escala 6×1 é predominante em setores com demanda contínua, como:
- Alojamento e alimentação (69%),
- Comércio (49,9%),
- Atividades administrativas (35,1%).
Em comparação, setores como finanças apresentam uma adesão muito menor ao modelo 6×1, com apenas 8% de implementação.
Setores mais impactados pela extinção do modelo 6×1
O estudo da Pontotel destaca que a mudança na jornada de trabalho pode afetar fortemente alguns setores, principalmente aqueles que exigem funcionamento constante, como:
- Saúde (hospitais e farmácias),
- Comércio (varejo e postos de gasolina),
- Hotelaria (hospedagem e alimentação).
Esses setores são altamente dependentes da escala 6×1 para garantir que as operações funcionem ininterruptamente, o que levanta a questão de como esses segmentos podem se adaptar a um novo modelo de jornada.
Alternativas à escala 6×1
Embora o modelo 6×1 seja comum, a pesquisa também aponta que as empresas têm adotado modelos alternativos de jornada, como:
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
- 5×2 (cinco dias de trabalho e dois de descanso),
- 12×36 (12 horas de trabalho seguidas de 36 horas de descanso).
Esses modelos são mais flexíveis e podem ser uma alternativa viável para empresas que não podem ou não querem adotar uma jornada reduzida, mas ainda assim buscam um equilíbrio melhor para os trabalhadores.
O desafio de equilibrar a jornada com as necessidades operacionais

O debate sobre a jornada de trabalho no Brasil vai além da redução das horas semanais. Pedro Pimenta destaca que é crucial separar as discussões sobre a duração da jornada e os dias de descanso, para que as mudanças atendam tanto às necessidades dos trabalhadores quanto às exigências operacionais das empresas. A adaptação das escalas de trabalho deve ser feita com base nas particularidades de cada setor.
“É essencial entender a natureza das atividades econômicas e como elas exigem diferentes formas de jornada para garantir a produtividade e a saúde do trabalhador“, afirma Pimenta.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC)
A PEC de 36 horas semanais, que visa reduzir a carga horária de trabalho no Brasil, segue em análise no Congresso Nacional. Inicialmente, a deputada Érika Hilton planejava protocolar a PEC em 2024, mas decidiu adiar para 2025 devido ao volume de discussões em torno do tema. A proposta ganhou força após o Movimento VAT, liderado por Rick Azevedo, viralizar um vídeo sobre as condições de trabalho no Brasil, especialmente nas áreas de varejo e saúde.
A possível extinção da escala 6×1 deve ser um dos pontos centrais das discussões que acontecerão no Congresso nos próximos meses. A mudança pode trazer benefícios para os trabalhadores, mas também apresenta desafios para as empresas que operam em setores com grande demanda contínua.
Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital
