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Sem salário e FGTS, terceirizados da comunicação iniciam greve

Jornalistas e radialistas terceirizados do STF aprovam greve após atrasos salariais, falta de FGTS e incertezas trabalhistas.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa8 min de leitura
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Os jornalistas e radialistas terceirizados que atuam na comunicação do Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo profissionais da TV Justiça e da Rádio Justiça, aprovaram por unanimidade uma greve com início previsto para a próxima segunda-feira, dia 15. A paralisação ocorre em meio a denúncias de atrasos frequentes de salários, falta de recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e outras pendências trabalhistas atribuídas à Fundação de Artes e Comunicação (Fundac), empresa responsável pela prestação dos serviços.

A decisão foi tomada durante assembleia que reuniu mais de 80 trabalhadores. Segundo os sindicatos que representam a categoria, esse número corresponde a mais da metade dos profissionais que atuam diretamente nos serviços de comunicação do Supremo.

O movimento chama atenção não apenas pelos impactos sobre os trabalhadores, mas também pelo potencial reflexo na cobertura jornalística das atividades da mais alta corte do país.

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Imagem: Valter Campanato / Agência Brasil

A principal reivindicação dos funcionários envolve o atraso recorrente no pagamento dos salários.

Segundo relatos apresentados pelos sindicatos, os vencimentos vêm sendo pagos fora do prazo de forma constante. O salário referente ao mês de junho, por exemplo, deveria ter sido depositado até o dia 8, mas ainda não havia sido pago até o dia 10.

Além da questão salarial, os trabalhadores denunciam que os depósitos do FGTS não são realizados há quase um ano.

O FGTS é um direito garantido pela Constituição Federal e regulamentado pela Lei nº 8.036/1990. O empregador é obrigado a depositar mensalmente o equivalente a 8% da remuneração do trabalhador em conta vinculada na Caixa Econômica Federal.

Quando isso não acontece, o empregado pode enfrentar dificuldades futuras para acessar benefícios relacionados ao fundo, incluindo saque-rescisão, financiamento habitacional e outras modalidades previstas em lei.

Acusações envolvendo pensão alimentícia

Outro ponto considerado grave pelos representantes sindicais envolve possíveis irregularidades relacionadas à pensão alimentícia.

De acordo com dirigentes do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), haveria casos em que valores descontados diretamente da folha de pagamento dos trabalhadores não teriam sido repassados aos beneficiários.

Se confirmada, a situação pode gerar consequências jurídicas significativas para a empresa responsável pelos pagamentos.

Como a greve pode afetar os serviços do STF

Os profissionais envolvidos na paralisação desempenham funções essenciais na operação dos canais oficiais de comunicação do Supremo.

Entre as atividades potencialmente impactadas estão:

  • Cobertura jornalística dos julgamentos;
  • Produção de notícias institucionais;
  • Transmissão de sessões plenárias;
  • Operação da TV Justiça;
  • Operação da Rádio Justiça;
  • Produção de programas especiais e conteúdos educativos.

Segundo o SJPDF, a paralisação pode resultar em redução ou interrupção de transmissões e conteúdos que atualmente garantem à população acesso direto às decisões da Suprema Corte.

A importância da TV Justiça e da Rádio Justiça

Criada em 2002, a TV Justiça tornou-se um dos principais instrumentos de transparência do Poder Judiciário brasileiro.

O canal transmite ao vivo julgamentos de grande repercussão nacional, além de programas voltados à cidadania, educação jurídica e divulgação institucional.

Já a Rádio Justiça desempenha papel semelhante por meio da radiodifusão, ampliando o acesso às informações produzidas pelo Supremo.

Qualquer interrupção nesses serviços pode afetar diretamente o acompanhamento público de decisões relevantes para a sociedade brasileira.

Histórico de problemas envolvendo a Fundac

A Fundac já acumula um histórico de reclamações trabalhistas e questionamentos relacionados à execução de contratos públicos.

Segundo informações divulgadas pelo próprio STF, a fundação chegou a ser impedida de participar de uma licitação futura promovida pelo tribunal devido a problemas identificados durante a execução contratual.

O processo licitatório em questão possuía valor superior a R$ 30 milhões.

Apesar do impedimento administrativo, a empresa obteve decisão judicial que permitiu sua participação na disputa. Ainda assim, acabou não vencendo o certame.

Esse cenário contribuiu para aumentar a preocupação dos trabalhadores.

Medo de não receber direitos rescisórios

Com a substituição da empresa responsável pela operação da comunicação institucional do STF, muitos funcionários temem que os passivos trabalhistas acumulados não sejam quitados.

Entre as principais preocupações estão:

  • Salários atrasados;
  • FGTS não recolhido;
  • Férias vencidas ou proporcionais;
  • Décimo terceiro salário;
  • Multa rescisória do FGTS;
  • Verbas indenizatórias previstas na legislação trabalhista.

Em contratos terceirizados, a troca de prestadores costuma gerar insegurança quando há histórico de inadimplência por parte da empresa que está deixando o serviço.

O que diz a legislação sobre terceirização e responsabilidade trabalhista

A legislação brasileira prevê que a responsabilidade primária pelos direitos trabalhistas é da empresa empregadora.

No caso em questão, a Fundac é a responsável direta pelo pagamento de salários, benefícios e encargos dos trabalhadores contratados.

No entanto, a Justiça do Trabalho possui entendimento consolidado de que órgãos públicos podem responder subsidiariamente em determinadas situações, especialmente quando for comprovada falha na fiscalização contratual.

O que significa responsabilidade subsidiária

A responsabilidade subsidiária não transfere automaticamente a dívida para o contratante.

Na prática, significa que, caso a empresa empregadora não cumpra suas obrigações e a Justiça reconheça falhas na fiscalização do contrato, o órgão contratante poderá ser chamado a responder pelos débitos trabalhistas.

Cada situação, entretanto, é analisada individualmente pelo Poder Judiciário.

Posicionamento oficial do STF

Em nota oficial, o Supremo Tribunal Federal informou que mantém os pagamentos previstos nos contratos firmados com a Fundac e que não há inadimplência do tribunal perante a empresa.

Segundo o STF, os atrasos salariais decorrem de obrigações trabalhistas cuja responsabilidade é da própria contratada.

O tribunal também informou que acompanha a execução dos contratos e vem adotando medidas administrativas para exigir a regularização das pendências identificadas.

Medidas adotadas pelo Supremo

De acordo com o posicionamento oficial, o STF afirma ter implementado diversas ações administrativas, incluindo:

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  • Fiscalização da execução contratual;
  • Cobrança formal para regularização das pendências;
  • Procedimentos de apuração de responsabilidade;
  • Aplicação de sanções previstas em contrato;
  • Impedimento da Fundac de contratar novamente com o tribunal.

O órgão também destacou que todas as medidas respeitam os princípios do contraditório e da ampla defesa.

Administração judicial da Fundac amplia incertezas

Outro elemento que aumenta a preocupação dos trabalhadores é a situação jurídica da Fundac.

Segundo o Supremo, a Justiça de São Paulo nomeou um administrador judicial para assumir a condução da entidade após a identificação de irregularidades em sua gestão.

A nomeação de um administrador judicial normalmente ocorre em cenários que exigem acompanhamento mais rigoroso da situação financeira e administrativa de uma organização.

Embora isso não signifique necessariamente encerramento das atividades, a medida costuma indicar dificuldades relevantes na gestão da instituição.

Direitos dos trabalhadores em caso de atraso de salários e FGTS

Quando há atraso recorrente de salários ou ausência de recolhimento do FGTS, os trabalhadores possuem mecanismos legais para buscar reparação.

Entre as medidas possíveis estão:

Ação trabalhista individual ou coletiva

Os empregados podem recorrer à Justiça do Trabalho para cobrar valores em atraso e solicitar a regularização dos depósitos do FGTS.

Fiscalização pelo Ministério do Trabalho

Denúncias podem ser encaminhadas aos órgãos responsáveis pela fiscalização das relações trabalhistas.

Rescisão indireta

Em determinadas circunstâncias, a legislação permite que o trabalhador solicite a chamada rescisão indireta do contrato.

Trata-se de uma modalidade em que o vínculo é encerrado por culpa do empregador, garantindo ao empregado direitos semelhantes aos de uma demissão sem justa causa.

A análise, entretanto, depende de decisão judicial e das circunstâncias específicas de cada caso.

O que esperar nos próximos dias

STF
Imagem: Fellip Agner/ Shutterstock

A expectativa é que novas negociações ocorram antes do início efetivo da paralisação.

Os sindicatos buscam uma solução que envolva a regularização dos salários, dos depósitos de FGTS e das demais obrigações trabalhistas pendentes.

Caso não haja acordo, a greve poderá impactar diretamente a operação da TV Justiça, da Rádio Justiça e de outros serviços de comunicação ligados ao Supremo Tribunal Federal.

O episódio evidencia os desafios da gestão de contratos terceirizados em órgãos públicos e reforça a importância da fiscalização contínua para garantir que os direitos trabalhistas sejam respeitados, independentemente da natureza do empregador.

Conclusão

A greve aprovada pelos jornalistas e radialistas terceirizados do STF revela um cenário de forte insatisfação diante dos atrasos salariais, da falta de recolhimento do FGTS e das incertezas sobre o pagamento de direitos trabalhistas. Além dos impactos para os trabalhadores, a paralisação pode afetar a divulgação das atividades do Supremo, reduzindo a cobertura e a transmissão de conteúdos de interesse público. Enquanto sindicatos pressionam por uma solução imediata, o STF afirma que vem adotando medidas para cobrar a regularização das pendências e garantir a continuidade dos serviços.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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