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Rede de supermercados centenária fecha as portas: motivos da falência

Após quase 100 anos de história, o Grupo Breithaupt, um dos maiores conglomerados varejistas de Santa Catarina, encerra suas atividades.

Helena SerpaPor Helena Serpa6 min de leitura
Supermercados

O Grupo Breithaupt, um dos mais tradicionais conglomerados empresariais de Santa Catarina, anunciou o encerramento definitivo de suas atividades. A decisão, comunicada no dia 6 de outubro, marca o fim de uma história iniciada em 1926, quando Walter Breithaupt abriu a primeira loja em Jaraguá do Sul.

Ao longo de quase um século, o grupo se consolidou como referência no varejo catarinense, expandindo-se para diferentes setores e se tornando sinônimo de desenvolvimento econômico na região Norte do estado.

A trajetória de um império familiar catarinense

supermercado Grupo Breithaupt
Imagem: rawpixel / freepik.com

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Das origens humildes à liderança no varejo

O Grupo Breithaupt começou como uma pequena loja de comércio local, idealizada por Walter Breithaupt e, posteriormente, ampliada com a entrada de seu irmão Arthur. Com o passar das décadas, a empresa diversificou seus negócios, alcançando supermercados, lojas de materiais de construção, ferramentas, máquinas e até um shopping center.

O Shopping Breithaupt, inaugurado em 1999, foi um marco para Jaraguá do Sul, trazendo ao município o conceito de centro comercial moderno e urbano. Em 2015, o espaço foi vendido ao Grupo Tenco, de Minas Gerais, e mais tarde adquirido pelo Grupo Partage, que hoje o administra.

Expansão e consolidação

Durante o auge das atividades, o Grupo Breithaupt chegou a operar:

  • Rede de supermercados, vendida em 2013 à Cooperativa Cooper.
  • Rede de lojas de materiais de construção e ferramentas.
  • E-commerce especializado em máquinas e equipamentos.
  • Auto centers Via BR, voltados para o segmento automotivo.

O grupo se destacava pela gestão familiar de longo prazo, que manteve o controle acionário até os últimos anos de operação.

Desafios e o início da crise financeira

O impacto da pandemia

Um dos principais fatores que contribuíram para o fim das atividades foi a crise gerada pela pandemia de Covid-19. A partir de 2020, o isolamento social reduziu drasticamente o movimento nas lojas físicas e nos serviços presenciais, o que comprometeu o faturamento do grupo.

Mesmo com o crescimento do comércio eletrônico, as margens de lucro foram insuficientes para equilibrar as contas e garantir a sustentabilidade do negócio.

Dificuldades anteriores à pandemia

Contudo, os problemas do Grupo Breithaupt começaram antes da crise sanitária. Em 2013, a venda de seus supermercados para a Cooper já indicava uma tentativa de reestruturação e foco em segmentos mais rentáveis. A decisão de concentrar as operações na rede de materiais de construção visava recuperar o fôlego financeiro, mas os resultados esperados não se concretizaram.

Em 2020, a empresa entrou em recuperação judicial, alegando dívidas superiores a R$ 30 milhões com fornecedores. Desde então, o grupo buscava alternativas para manter suas atividades, vendendo imóveis e ativos de grande valor.

O comunicado oficial do encerramento

Em nota, o Grupo Breithaupt afirmou que a decisão de encerrar as operações foi tomada com “profundo senso de responsabilidade e transparência”, ressaltando a importância de honrar a trajetória construída desde 1926.

O texto também agradeceu aos colaboradores, clientes, fornecedores e parceiros que contribuíram para o crescimento da marca ao longo de quase um século.

Segundo o comunicado, os esforços para reverter a crise econômica e estrutural não foram suficientes para garantir a continuidade do grupo.

O papel do grupo na economia e no associativismo empresarial

Uma influência além do comércio

Mais do que uma empresa de varejo, o Grupo Breithaupt teve papel relevante no associativismo empresarial catarinense.
Em 1938, Arthur Breithaupt foi um dos fundadores da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (Acijs), instituição que se tornaria um pilar do desenvolvimento econômico da região.

Na segunda geração, Roberto e Bruno Breithaupt também tiveram destaque como líderes empresariais, presidindo entidades como a Facisc (Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina) e a Fecomércio-SC.

Um legado para o desenvolvimento regional

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A influência do grupo ultrapassou o aspecto comercial. O modelo de gestão familiar e a participação ativa em entidades empresariais ajudaram a moldar o ambiente de negócios no estado. Mesmo com o encerramento das atividades, especialistas avaliam que o legado do grupo permanecerá como referência em empreendedorismo e inovação no varejo catarinense.

Lições do caso Breithaupt para o setor varejista

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Imagem: Andrey_Popov/shutterstock.com

Adaptação digital e gestão de crises

O caso do Grupo Breithaupt revela como mudanças estruturais no varejo podem impactar empresas tradicionais que não conseguem se adaptar com agilidade às transformações tecnológicas e aos novos hábitos de consumo.

A pandemia acelerou o processo de digitalização do comércio, mas o grupo enfrentava limitações operacionais e financeiras que dificultaram a expansão efetiva no ambiente online.

O peso da concorrência e da inflação

Além das dificuldades internas, o grupo competia com grandes redes nacionais e internacionais, que operam com maior escala e margens mais competitivas. O aumento dos custos de operação, impulsionado pela inflação e pela alta dos juros, também reduziu a rentabilidade, tornando inviável a continuidade dos negócios.

FAQ – Perguntas frequentes

1. Por que o Grupo Breithaupt encerrou suas atividades?
A empresa enfrentava dificuldades financeiras desde 2013, agravadas pela pandemia e pela concorrência acirrada. Mesmo após tentativas de recuperação judicial, decidiu encerrar as operações.

2. O grupo declarou falência?
Oficialmente, o grupo comunicou o encerramento das atividades, mas já estava em recuperação judicial desde 2020, devido a dívidas superiores a R$ 30 milhões.

3. Quais empresas faziam parte do Grupo Breithaupt?
O conglomerado atuava com supermercados, lojas de materiais de construção e ferramentas, e a rede de auto centers Via BR, além de já ter administrado o Shopping Breithaupt.

Considerações finais

Com quase 100 anos de história, o Grupo Breithaupt deixa um legado de empreendedorismo, inovação e contribuição social para Santa Catarina. Sua trajetória é um retrato das transformações do varejo brasileiro — de um comércio familiar a um conglomerado regional, que precisou enfrentar desafios econômicos, tecnológicos e estruturais.

O fechamento da empresa marca o fim de uma era para o comércio catarinense, mas também serve de lição sobre a importância da adaptação e gestão estratégica em tempos de mudança acelerada.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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