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Fechamento de 28 supermercados provoca 6,6 mil demissões no Nordeste

Grupo Mateus fechou 28 supermercados e reduziu seu quadro em 6,6 mil pessoas. Entenda a reestruturação e por que a rede continua abrindo unidades.

Bruna MachadoPor Bruna Machado··13 min de leitura
supermercados

Uma das maiores redes de supermercados do Brasil atravessa uma mudança importante em sua estratégia. O Grupo Mateus fechou 28 lojas e reduziu em 6.673 pessoas seu quadro de funcionários, segundo comparação entre os dados do fim de 2025 e os números do primeiro trimestre de 2026.

A companhia, criada no Maranhão e com forte presença nas regiões Norte e Nordeste, passou anos acelerando a abertura de supermercados, atacarejos e lojas de eletrodomésticos. Agora, o objetivo é aumentar a produtividade, controlar despesas e concentrar investimentos nas unidades consideradas mais rentáveis.

A redução da estrutura, porém, não representa o fim da expansão. Enquanto encerra operações com desempenho abaixo do esperado, o Grupo Mateus continua inaugurando lojas em outras cidades. Foram quatro aberturas no primeiro trimestre e outras sete no segundo, totalizando 11 novas unidades no primeiro semestre de 2026.

O movimento ajuda a explicar uma aparente contradição: como uma rede pode fechar dezenas de lojas, cortar milhares de postos de trabalho e, ao mesmo tempo, continuar crescendo?

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O que aconteceu com o Grupo Mateus?

Supermercado
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O quadro de funcionários do Grupo Mateus caiu de aproximadamente 47,9 mil pessoas no fim de 2025 para cerca de 41,2 mil no primeiro trimestre de 2026.

A diferença é de 6.673 trabalhadores, o equivalente a uma redução próxima de 14% na comparação entre os dois períodos. Ao mesmo tempo, 28 estabelecimentos deixaram de funcionar durante a reorganização.

As mudanças alcançaram operações na Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Piauí e Sergipe. A empresa, entretanto, não apresentou uma relação pública completa com todas as cidades atingidas.

O Grupo Mateus reúne diferentes modelos de negócio. Além de supermercados tradicionais e atacarejos, a companhia possui lojas de eletrodomésticos e operações de atacado destinadas a comerciantes.

Entre as bandeiras conhecidas estão:

  • Mateus Supermercados;
  • Mix Mateus;
  • Novo Atacarejo;
  • Novo Mercatto;
  • Camiño Supermercados;
  • Eletro Mateus;
  • Armazém Mateus;
  • Spazio;
  • Bumba Meu Pão.

Isso significa que o fechamento não envolveu necessariamente 28 supermercados tradicionais. O ajuste alcançou diferentes formatos mantidos pelo grupo.

Redução do quadro significa que todos foram demitidos?

A diminuição de 6.673 pessoas no quadro de funcionários não permite afirmar, sem informações adicionais, que todos esses trabalhadores foram demitidos diretamente durante o trimestre.

O número representa a diferença entre o total de empregados informado em dois momentos. Essa variação pode incluir demissões, pedidos de desligamento, contratos encerrados, aposentadorias, substituições não realizadas e mudanças relacionadas à reorganização das operações.

Como o fechamento de lojas normalmente exige desligamentos, é razoável concluir que as demissões tiveram peso relevante na redução. Ainda assim, do ponto de vista jornalístico, o dado mais preciso é que o quadro encolheu em 6.673 pessoas.

A diferença é importante. Uma demissão em massa é um evento trabalhista específico, enquanto a redução do número total de empregados pode ocorrer por vários caminhos ao longo de determinado período.

Por que a rede decidiu fechar lojas?

A reorganização faz parte de uma mudança de prioridade. Depois de um ciclo de rápida expansão, o Grupo Mateus passou a observar com mais rigor a produtividade e a rentabilidade de cada operação.

Rentabilidade é a capacidade de uma loja gerar retorno financeiro diante dos recursos investidos. Não basta uma unidade vender muito: ela precisa conseguir pagar aluguel, salários, energia, logística, impostos e outras despesas, além de gerar lucro.

Uma loja pode registrar faturamento elevado e, mesmo assim, dar pouco retorno se seus custos forem excessivos.

Antes de decidir pelo fechamento, uma rede normalmente avalia fatores como:

  • Volume de vendas;
  • Custos de aluguel e manutenção;
  • Número de clientes;
  • Concorrência na região;
  • Distância dos centros de distribuição;
  • Despesas com transporte;
  • Tamanho e formato da loja;
  • Potencial de crescimento da cidade;
  • Tempo necessário para a unidade atingir a maturidade.

O Grupo Mateus informou ao mercado que vem desenvolvendo projetos de produtividade e adotando maior rigor na alocação de capital. Em outras palavras, a companhia está escolhendo com mais cuidado onde colocar seu dinheiro.

Vendas nas mesmas lojas recuaram 7,3%

Um dos sinais de alerta apareceu nas vendas das mesmas lojas, indicador conhecido no mercado pela sigla SSS, de same-store sales.

Esse cálculo compara o desempenho de unidades que já funcionam há tempo suficiente para evitar que novas inaugurações distorçam o resultado. No caso do Grupo Mateus, são consideradas lojas abertas há mais de 13 meses.

No primeiro trimestre de 2026, as vendas nas mesmas lojas recuaram 7,3%, sem o ajuste de efeitos de calendário.

O número mostra que a receita total do grupo cresceu principalmente com a consolidação de novas operações e da combinação com o Novo Atacarejo. Nas lojas mais antigas, porém, as vendas foram inferiores às registradas no período comparável.

A empresa também informou que o encerramento do canal Balcão em Pernambuco, Paraíba e Alagoas afetou o indicador. Esse canal estava ligado à comercialização de mercadorias para pequenos comerciantes.

Deflação dos alimentos também afetou o faturamento

A deflação dos alimentos ocorre quando os preços médios de parte dos produtos vendidos diminuem. Embora a queda possa ser positiva para o consumidor, ela reduz o valor nominal das vendas dos supermercados.

Um exemplo simples ajuda a entender. Se uma loja vende a mesma quantidade de arroz, carnes e produtos de limpeza, mas os preços desses itens caem, o faturamento pode diminuir mesmo sem perda de clientes.

Por outro lado, juros elevados, crédito mais restrito e endividamento das famílias também limitam o consumo. Nesses períodos, os consumidores tendem a substituir marcas, reduzir compras não essenciais e procurar produtos mais baratos.

Essa combinação pressiona especialmente unidades com custos elevados ou desempenho abaixo da média. Quando não há perspectiva de recuperação, o fechamento pode se tornar a alternativa escolhida pela empresa.

Lucro caiu mesmo com o crescimento da receita

O balanço do primeiro trimestre ajuda a entender por que a companhia intensificou a busca por eficiência.

A receita líquida do Grupo Mateus chegou a R$ 9,4 bilhões, alta de 12,9% sobre o mesmo período de 2025. Entretanto, o Ebitda caiu 7,3%, para R$ 543 milhões, enquanto o lucro líquido atribuído ao grupo recuou 21,8%, para R$ 212,9 milhões.

O Ebitda procura medir o resultado produzido pela operação antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Quando a receita cresce, mas o Ebitda cai, isso pode indicar que os custos e as despesas avançaram em ritmo maior que as vendas.

No segundo trimestre de 2026, o cenário continuou desafiador. A receita líquida cresceu 12,2%, chegando a R$ 9,85 bilhões, mas o lucro líquido atribuído ao grupo caiu 39,3%, para R$ 236,8 milhões. O Ebitda recuou 12,1%, para R$ 681,6 milhões.

Os números mais recentes reforçam o motivo da reestruturação: o grupo continua vendendo mais, porém enfrenta pressão sobre sua capacidade de transformar as vendas em lucro.

Os dados constam nos documentos divulgados pela própria companhia em sua Central de Resultados e nos balanços apresentados ao mercado.

Fechamentos não significam que a empresa está encerrando atividades

Apesar da dimensão dos cortes, o Grupo Mateus não está deixando o mercado nem encerrando suas atividades.

No primeiro trimestre de 2026, foram inauguradas quatro unidades:

  • Mix Mateus em Imperatriz, no Maranhão;
  • Mix Mateus em Caxias, no Maranhão;
  • Mix Mateus em Arapiraca, em Alagoas;
  • Supermercado Mateus em Teresina, no Piauí.

Ao fim de março, o grupo possuía 306 unidades em operação, incluindo 228 lojas de varejo alimentar e 78 unidades do Eletro Mateus. A companhia estava presente em 132 cidades de nove estados, abastecidas por 18 centros de distribuição.

No segundo trimestre, outras sete lojas foram abertas. Com isso, a rede alcançou 11 inaugurações no primeiro semestre.

O Grupo Mateus informou ainda que abriu 25 lojas nos 12 meses encerrados em junho de 2026. Portanto, a companhia combina três movimentos: fecha unidades pouco eficientes, reorganiza formatos existentes e inaugura lojas em mercados considerados promissores.

Por que fechar lojas e abrir outras ao mesmo tempo?

Uma rede nacional ou regional não avalia todas as lojas da mesma maneira. Cada unidade possui custos, público, concorrentes e potencial de crescimento diferentes.

Uma loja localizada em uma área cara e com vendas fracas pode ser fechada. Ao mesmo tempo, a empresa pode inaugurar outra em uma cidade onde há menor concorrência e maior demanda por atacarejo.

O atacarejo mistura características do atacado e do varejo. O consumidor pode comprar unidades avulsas, mas geralmente recebe descontos ao adquirir quantidades maiores. Esse formato ganhou espaço no Brasil por atender tanto famílias quanto pequenos comerciantes.

A expansão seletiva permite que a empresa redirecione os recursos. Em vez de manter capital preso a uma unidade com baixo retorno, o grupo utiliza o dinheiro para abrir uma loja com melhores perspectivas ou modernizar operações consideradas estratégicas.

Integração com o Novo Atacarejo influencia a estratégia

Parte da reorganização está relacionada à combinação dos negócios do Grupo Mateus com o Novo Atacarejo.

No primeiro trimestre, as operações combinadas em Pernambuco, Paraíba e Alagoas registraram receita líquida de R$ 2,4 bilhões. Contudo, essa divisão apresentou prejuízo de R$ 38 milhões.

A margem Ebitda do bloco ficou em 2,2%, bem abaixo dos 7% registrados pelas operações do Grupo Mateus no Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia.

Margem Ebitda é a parcela da receita que permanece como resultado operacional antes de determinadas despesas contábeis e financeiras. Quanto menor a margem, mais apertada está a relação entre vendas e custos.

A diferença mostra por que a administração busca integrar sistemas, eliminar estruturas duplicadas e reorganizar bandeiras.

No segundo trimestre, a companhia começou a unificar as marcas em Pernambuco, Paraíba e Alagoas. Algumas unidades Mateus passaram a utilizar a bandeira Novo Atacarejo, enquanto lojas de varejo de Recife e João Pessoa migraram para Novo Mercatto.

Quais estados podem receber novas lojas?

O Grupo Mateus continua concentrado nas regiões Norte e Nordeste. Sua estrutura atual alcança Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Bahia, Sergipe, Pernambuco, Alagoas e Paraíba.

A empresa não divulgou um cronograma completo de inaugurações para todas as cidades. Entretanto, as aberturas do primeiro semestre mostram que o grupo continua investindo principalmente em mercados onde já possui centros de distribuição e conhecimento do consumidor.

Essa proximidade logística é essencial no setor de supermercados. Produtos frescos, congelados e perecíveis exigem abastecimento frequente, controle de temperatura e entregas rápidas.

Abrir lojas perto da rede logística existente tende a reduzir custos e facilitar a reposição de mercadorias.

Grupo Mateus continua entre os maiores supermercados do país

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Mesmo após o fechamento das 28 lojas e a redução do quadro, o Grupo Mateus permanece entre as maiores companhias do varejo alimentar brasileiro.

A rede ficou na terceira posição do Ranking ABRAS 2026, atrás de Carrefour e Assaí. A classificação considera o faturamento das empresas do setor.

O Grupo Mateus registrou faturamento bruto próximo de R$ 43,55 bilhões em 2025. O tamanho da operação mostra que os fechamentos representam uma reorganização dentro de uma estrutura muito maior.

A companhia começou em 1986, quando Ilson Mateus abriu uma pequena mercearia em Balsas, no Maranhão. O negócio avançou para o atacado, criou centros de distribuição e expandiu supermercados, atacarejos e lojas de eletrodomésticos por diversos estados.

O que acontece com os trabalhadores desligados?

Empregados demitidos sem justa causa têm direito às verbas previstas na legislação trabalhista brasileira, desde que cumpridos os requisitos de cada benefício.

Entre os principais direitos estão:

  • Saldo de salário;
  • Aviso-prévio trabalhado ou indenizado;
  • Férias vencidas e proporcionais, com adicional de um terço;
  • Décimo terceiro salário proporcional;
  • Saque do FGTS;
  • Multa de 40% sobre os depósitos do FGTS;
  • Seguro-desemprego, quando atendidas as condições legais.

O trabalhador deve conferir o Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho e verificar se os valores foram calculados corretamente.

Também é importante consultar o aplicativo Carteira de Trabalho Digital, o FGTS e o requerimento do seguro-desemprego. Em caso de dúvida, o empregado pode procurar o sindicato da categoria, um advogado trabalhista ou a Justiça do Trabalho.

Clientes precisam tomar alguma providência?

O encerramento de uma loja não elimina os direitos do consumidor.

Compras feitas antes do fechamento continuam protegidas pelo Código de Defesa do Consumidor. A empresa permanece responsável por garantias, trocas obrigatórias em caso de defeito, entregas pendentes e valores pagos.

No caso de programas de fidelidade ou cartões vinculados à rede, o cliente deve verificar se os benefícios continuam válidos em outras unidades ou nos canais digitais.

Se houver dificuldade para resolver um problema, o consumidor pode registrar uma reclamação no Procon ou na plataforma Consumidor.gov.br.

Reestruturação deve continuar sendo acompanhada

O fechamento de 28 lojas e a redução de aproximadamente 6,6 mil funcionários mostram que o Grupo Mateus entrou em uma fase mais rigorosa de controle de custos.

A rede não abandonou seus planos de crescimento, mas deixou de tratar expansão como sinônimo de manter todas as operações abertas. Agora, novas lojas convivem com o encerramento de pontos que não atingem o retorno esperado.

Para os trabalhadores, o principal cuidado é conferir os direitos decorrentes do desligamento. Para clientes e fornecedores, é importante acompanhar comunicados oficiais sobre unidades encerradas, contratos, entregas e garantias.

Os próximos balanços mostrarão se a combinação entre cortes, integração de operações e inaugurações conseguirá recuperar as margens e transformar o crescimento das vendas em maior lucro.

Perguntas frequentes

Supermercados
Imagem: stevepb / Pixabay

Qual rede de supermercados fechou 28 lojas?

O Grupo Mateus fechou 28 estabelecimentos durante sua reorganização. A companhia possui forte presença nas regiões Norte e Nordeste.

Quantos funcionários deixaram o Grupo Mateus?

O quadro caiu de aproximadamente 47,9 mil para 41,2 mil pessoas, redução de 6.673 funcionários. O número representa a diferença entre os dois períodos e não detalha publicamente a causa de cada desligamento.

O Grupo Mateus vai fechar todas as lojas?

Não. A companhia continua operando e inaugurando unidades. Foram 11 novas lojas abertas no primeiro semestre de 2026.

Em quais estados ocorreram os ajustes?

As mudanças alcançaram operações na Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Piauí e Sergipe. Não foi divulgada uma lista completa com todas as cidades atingidas.

Por que o Grupo Mateus fechou lojas?

A companhia passou a priorizar produtividade, rentabilidade e redução de despesas. Lojas, contratos e formatos foram analisados para identificar operações com retorno insuficiente.

O Grupo Mateus está em crise?

A empresa continua registrando receita bilionária e abrindo lojas, mas enfrenta queda do lucro e pressão sobre as margens. O movimento é tratado como uma reestruturação operacional, não como encerramento das atividades.

O trabalhador demitido pode sacar o FGTS?

Na demissão sem justa causa, o trabalhador pode sacar o saldo do FGTS e tem direito à multa de 40%, além das demais verbas rescisórias previstas em lei.

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