O debate sobre o papel do Nubank no sistema financeiro brasileiro voltou a ganhar força após novas declarações do fundador David Vélez.
Em meio a críticas de instituições tradicionais, o executivo acusou concorrentes de divulgarem “narrativas falsas” sobre a atuação das fintechs e reforçou dados que, segundo ele, comprovam o impacto positivo da competição no país. O tema envolve impostos, tarifas, inclusão financeira e políticas públicas. Continue a leitura para entender o que está em jogo.
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Nubank contesta críticas e diz ser alvo de “narrativas falsas”
O embate entre bancos tradicionais e fintechs não é novo, mas ganhou novo capítulo depois que David Vélez usou as redes sociais para defender o Nubank. O executivo afirmou que parte do setor financeiro estaria reagindo mal ao aumento da competição, especialmente porque a entrada de novos players reduziu tarifas e ampliou o acesso a serviços bancários.
Segundo Vélez, instituições tradicionais estariam divulgando informações distorcidas sobre a tributação das fintechs, insinuando que a carga fiscal seria menor que a dos grandes bancos. Para ele, essa estratégia busca descredibilizar o avanço das empresas digitais, que vêm ganhando espaço ano após ano.
Nubank afirma ser um dos maiores pagadores de impostos do setor
Em sua publicação, Vélez rebateu diretamente as críticas relacionadas à tributação. Ele destacou que, em 2025, o Nubank já figura como o maior pagador de Imposto de Renda entre as instituições financeiras do país, considerando valores brutos e alíquota efetiva.
O fundador citou dados que mostram uma alíquota efetiva de 31% neste ano — percentual superior ao de diversos bancos tradicionais, como:
- Santander: 9,6%
- Itaú: 14,2%
- Banco do Brasil: -40,7%
- Bradesco: 8,4%
No total, o Nubank afirma ter recolhido R$ 8,22 bilhões em IR e CSLL. Para Vélez, isso demonstra que o crescimento da fintech não está associado a benefícios tributários, e sim a um modelo de negócios mais eficiente e competitivo.
Nubank diz ter economizado bilhões em tarifas aos brasileiros
Outro ponto destacado pelo fundador foi a economia gerada aos clientes ao longo dos anos. Desde sua criação, o Nubank estima que os usuários deixaram de pagar R$ 111 bilhões em tarifas bancárias, valor que, segundo Vélez, teria sido absorvido por instituições tradicionais caso as fintechs não tivessem entrado no mercado.
Para o executivo, esse é um dos impactos mais claros da concorrência. Ele afirma que o avanço dos bancos digitais ajudou a reduzir a concentração do setor, abrindo espaço para produtos mais acessíveis e serviços com menos custos escondidos.
Como a expansão das fintechs impactou a estrutura bancária
Um dos argumentos centrais apresentados por Vélez é a mudança no nível de concentração bancária no Brasil. Segundo dados citados pelo executivo, a participação dos cinco maiores bancos no total de ativos caiu de 81% para 71% em oito anos.
Esse movimento, impulsionado pelo crescimento de fintechs como o Nubank, teria contribuído diretamente para a queda de juros médios de empréstimos. Um estudo do FMI, mencionado por Vélez, aponta redução de 2,9 pontos percentuais nesse período.
Nubank destaca papel na inclusão financeira do país
Outro ponto enfatizado é o impacto do Nubank na inclusão bancária. Segundo o fundador:
- 28 milhões de brasileiros abriram sua primeira conta corrente no Nubank.
- 29 milhões tiveram seu primeiro cartão de crédito emitido pela fintech.
Para Vélez, esses números mostram que a digitalização trouxe acesso a milhões de pessoas que, antes, tinham dificuldades para entrar no sistema financeiro tradicional.
Competição bancária se conecta ao debate sobre a poupança
As declarações do fundador do Nubank surgem em um momento em que o Banco Central também discute mudanças estruturais no mercado financeiro. Em evento recente, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, classificou a poupança como um produto sustentado pela desinformação e que funciona como um “Robin Hood às avessas”.
Segundo ele, quem mais utiliza a caderneta são justamente os brasileiros com menos acesso a informação — e são também os que têm retorno menor em relação a outras opções simples de investimento.
Galípolo destacou que a baixa remuneração da poupança distorce o sistema de crédito, já que linhas mais baratas são sustentadas pelo baixo retorno aos poupadores. O BC trabalha em um projeto de transição para um novo modelo de financiamento, com maior captação a mercado.
Transformações digitais ampliam alternativas ao investidor
O presidente do Banco Central também ressaltou que a digitalização permitiu que mais pessoas tivessem acesso a produtos financeiros antes restritos. Segundo Galípolo, a combinação de tecnologia, plataformas digitais e avanço das fintechs — incluindo o Nubank — vem mudando estruturalmente o mercado.
Para ele, informação é a chave para ampliar a concorrência e permitir que os brasileiros deixem de depender exclusivamente da poupança.
Reação dos bancos tradicionais e impactos para o futuro
As críticas de Vélez refletem um cenário de tensão crescente entre bancos digitais e instituições tradicionais. O avanço do Nubank sobre diferentes segmentos — cartões, contas digitais, investimentos, crédito e seguros — pressiona grandes bancos e reorganiza a dinâmica competitiva.
A tendência é que o embate continue, especialmente à medida que:
- o BC avança em mudanças no financiamento imobiliário,
- os clientes buscam tarifas mais baixas,
- bancos digitais ampliam seus produtos,
- e a competição por informação se intensifica.
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Com informações de: InfoMoney
