A disputa comercial entre os Estados Unidos e a China segue gerando incertezas e custos elevados para empresas americanas. Desde o início da guerra comercial iniciada durante o governo Donald Trump, diversas tarifas foram impostas de forma escalonada, criando o que muitos empresários chamam de “empilhamento de tarifas”. Essa situação tem levado a um aumento expressivo dos custos de importação, afetando cadeias de suprimentos e a competitividade de produtos no mercado interno.
Importadores dos EUA enfrentam dificuldades com acúmulo de tarifas
Entenda como o empilhamento de tarifas entre EUA e China afeta empresas americanas. Conheça os impactos nas importações.
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O que é o empilhamento de tarifas?
O termo “empilhamento de tarifas” descreve a sobreposição de diferentes camadas de impostos de importação que incidem sobre um mesmo produto. Cada vez que uma nova tarifa é implementada, ela se soma às já existentes, criando um efeito cumulativo.
No caso específico das importações vindas da China, os EUA aplicaram várias rodadas de tarifas ao longo dos últimos anos. Além das tarifas gerais sobre aço e alumínio, produtos chineses sofreram sobretaxas específicas, criadas sob diferentes justificativas legais.
O exemplo da Rodgers Wade Manufacturing
John Hamer, presidente da Rodgers Wade Manufacturing, sediada no Texas, vive diariamente os efeitos desse cenário. Sua empresa fabrica acessórios para lojas e é fornecedora de grandes redes varejistas como Ross Dress for Less e Ulta Beauty.
Grande parte dos componentes usados pela Rodgers Wade é importada da China, especialmente peças metálicas. Segundo Hamer, enquanto a mídia falava de uma tarifa de 30%, sua empresa na prática pagava até 70% em tarifas acumuladas.
Essa disparidade se deve à combinação de diferentes impostos: primeiro, as tarifas sobre o aço chinês; depois, as tarifas gerais aplicadas durante a guerra comercial; e, por fim, as tarifas adicionais impostas nas fases mais recentes da disputa entre os dois países.
Tarifa média de 55%: alívio ou continuação do problema?
Recentemente, uma nova tentativa de trégua entre Washington e Pequim resultou em um acordo que, segundo o governo dos EUA, estabeleceria uma tarifa média de 55% para certos produtos chineses. Essa média, no entanto, considera as tarifas já existentes, o que não significa, na prática, redução imediata de custos para as empresas.
Hamer, por exemplo, declarou não ter clareza sobre o real impacto da nova medida nos seus custos de importação. Segundo ele, o objetivo agora é aguardar a consolidação das novas regras e torcer para que, ao menos, a mudança traga previsibilidade ao cenário de negócios.
Empresas ainda aguardam solução definitiva
Apesar das negociações recentes, muitas empresas ainda vivem sob a incerteza jurídica e tributária. Os tribunais federais dos Estados Unidos, incluindo o Tribunal de Comércio Internacional, já determinaram que algumas tarifas impostas por Trump ultrapassaram os limites legais.
Atualmente, o governo americano recorre dessas decisões, e o caso tramita em instâncias superiores. Enquanto isso, as tarifas continuam sendo aplicadas normalmente, gerando custos adicionais para importadores e afetando os preços finais dos produtos.
As dificuldades para obter isenção tarifária

Durante o primeiro governo Trump, algumas empresas conseguiram isenção para determinados produtos, através de um processo burocrático e limitado. Agora, porém, o governo tem mostrado resistência em reabrir a possibilidade de novas isenções.
Michael Weidner, presidente da Lalo Baby Products, com sede no Brooklyn, é um dos empresários afetados. Ele defende que itens como produtos para bebês e brinquedos deveriam ter tratamento diferenciado. No entanto, sua tentativa de excluir da taxação uma mesa de jogos infantil importada da China foi frustrada.
Weidner afirma que atualmente paga 55% de tarifa sobre esse item, resultado direto do empilhamento de diferentes impostos: uma tarifa de 25% prevista pela Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, acrescida de tarifas antidumping e outras medidas comerciais.
Impacto na competitividade e no consumo interno
As tarifas acumuladas afetam não apenas os importadores, mas também os consumidores finais. O aumento de custos costuma ser repassado para o preço de venda, encarecendo produtos que dependem de insumos chineses.
Além disso, algumas empresas têm reduzido sua margem de lucro ou buscado fornecedores alternativos em outros países, como Vietnã e Índia. No entanto, nem sempre é possível encontrar substitutos com a mesma escala de produção e preços competitivos oferecidos pela China.
A promessa de Trump: trazer a produção de volta aos EUA
Durante sua campanha presidencial, Donald Trump defendeu o uso de tarifas como estratégia para estimular a reindustrialização americana. O objetivo declarado era forçar empresas a transferirem sua produção para os Estados Unidos, fortalecendo a economia doméstica.
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No entanto, especialistas em comércio internacional apontam que os resultados foram limitados. Embora algumas indústrias tenham repatriado parte de suas operações, muitas empresas simplesmente buscaram novos mercados fornecedores, mantendo a produção fora do território americano.
O impacto no comércio bilateral
A guerra comercial reduziu significativamente o volume de transações entre EUA e China. Estima-se que, no auge das sanções, as tarifas acumuladas representavam uma barreira de até 145% para alguns setores, praticamente inviabilizando a importação de determinados produtos.
Embora a nova média de 55% represente um alívio em comparação com os picos anteriores, a incerteza regulatória e a falta de um acordo comercial definitivo continuam pesando sobre o comércio bilateral.
Perspectivas futuras: o que esperar?
Especialistas apontam que o desfecho da disputa comercial dependerá de decisões judiciais, negociações políticas e, possivelmente, da postura do próximo governo dos EUA. Com as eleições presidenciais se aproximando, o tema deve ganhar destaque nas campanhas, especialmente nas agendas de candidatos com foco em política econômica e comércio exterior.
Enquanto isso, empresários como John Hamer e Michael Weidner continuam tentando adaptar seus negócios às mudanças constantes nas regras de importação.
Como as empresas estão reagindo?

Diante da instabilidade, muitas companhias têm adotado estratégias como:
- Diversificação da base de fornecedores internacionais
- Reestruturação das cadeias de suprimento
- Repasse parcial de custos ao consumidor
- Aumento da produção nacional, quando viável
- Participação ativa em lobbies políticos para pressionar pela revisão das tarifas
Além disso, a busca por soluções jurídicas também tem sido um caminho. Diversas empresas acionaram os tribunais para contestar a legalidade de certas tarifas impostas.
Imagem: pch.vector – Freepik
