A reforma do Imposto de Renda, uma das principais bandeiras do governo Lula no campo fiscal, avança no Congresso com o respaldo do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Em declarações recentes à imprensa, Haddad demonstrou entusiasmo com o relatório apresentado por Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara e relator da proposta.
Haddad apoia relatório de Lira sobre Imposto de Renda e vê progresso na pauta fiscal
Relatório de Lira sobre Imposto de Renda agrada Haddad e avança no Congresso com apoio do Planalto.
O documento manteve pilares centrais da proposta original e ainda ampliou benefícios para a classe média, sinalizando um consenso crescente em torno do tema.
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Ajustes na tabela e foco nos super-ricos

O texto elaborado por Lira preserva pontos cruciais da proposta do Executivo: a isenção para quem recebe até R$ 5 mil por mês e a alíquota de 10% para rendimentos superiores a R$ 1,2 milhão por ano. Além disso, o deputado ampliou a faixa de renda com direito a alíquota reduzida. Inicialmente prevista para rendas entre R$ 5 mil e R$ 7 mil, a faixa agora se estende até R$ 7.350. Segundo Lira, essa medida beneficia diretamente cerca de 500 mil contribuintes da chamada classe média.
A ampliação da faixa isenta e o foco no topo da pirâmide de renda vêm sendo associados à proposta de “taxação dos super-ricos”, um termo promovido pela Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) e que teve boa recepção nas redes sociais. Essa narrativa tem sido usada pelo governo para comunicar a ideia de justiça tributária e distribuição de renda.
Reações positivas e consenso político
Haddad não poupou elogios ao relator: “Eu gostei. Foi muito bom. Cumpre os objetivos da reforma da renda”, declarou à imprensa. O ministro também reforçou que a proposta deve ser bem recebida por diferentes setores da sociedade, em especial por cumprir compromissos de campanha do presidente Lula.
A aproximação entre Lira e o governo Lula também chama atenção. O parlamentar, que foi aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, passou a adotar postura de cooperação com o atual governo. Com pretensões políticas futuras, como uma possível candidatura ao Senado em 2026, Lira parece buscar um posicionamento estratégico entre os principais polos de poder político.
IOF fora do texto para evitar travas
Durante os debates na comissão, Lira tentou incluir uma solução para o fim do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), mas o tema foi retirado após resistência das bancadas. Deputados avaliaram que a inclusão do IOF poderia comprometer a tramitação da reforma do IR, considerada consensual entre os partidos.
O presidente da comissão, Hugo Motta (Republicanos-PB), orientou que o relator ouvisse os líderes partidários. A conclusão foi clara: não misturar temas distintos que podem gerar ruídos, especialmente em um momento de possível alinhamento político raro em matérias fiscais.
Caminho legislativo ainda em andamento
Apesar do avanço, o projeto ainda precisa superar etapas no Congresso. Deputados pediram vista ao texto, o que suspende a tramitação por duas sessões do plenário. A expectativa é que a votação seja retomada rapidamente, já que há um clima de otimismo em torno da proposta.
O governo trabalha para aprovar a reforma ainda neste semestre, com o objetivo de iniciar 2026 com as novas regras já em vigor. A aprovação da reforma do IR também é considerada estratégica para sustentar as metas de responsabilidade fiscal, principal compromisso de Haddad frente ao Ministério da Fazenda.
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Reforma reforça agenda de justiça tributária

Para além dos números, o governo busca imprimir um discurso de correção histórica na estrutura tributária brasileira, que há décadas penaliza os mais pobres e oferece brechas aos mais ricos. A nova tabela do IR pretende reduzir a carga sobre as classes trabalhadoras, ao passo que cobra mais de quem ganha acima da média.
Esse equilíbrio é central para a narrativa econômica do terceiro mandato de Lula: combater desigualdades e fortalecer a classe média, sem descuidar do equilíbrio fiscal. A estratégia também é vista como uma forma de melhorar a percepção pública do governo, especialmente entre eleitores fora da base tradicional do PT.
Debate fiscal ganha destaque internacional
A fala de Haddad ocorreu na porta do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), onde ele participa de reuniões sobre as tarifas impostas recentemente pelos Estados Unidos. O ministro aproveitou o momento para reafirmar que o avanço da reforma tributária é sinal de maturidade institucional do Brasil em meio a desafios econômicos globais.
Enquanto busca solucionar impasses com os EUA, Haddad reforça a imagem de um país que está promovendo reformas estruturais com responsabilidade e diálogo político — um fator que pode pesar positivamente nas negociações comerciais internacionais.
Com informações de: UOL
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