O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou na terça-feira (5) que o Brasil está no caminho para ter o melhor sistema tributário do mundo, fazendo referência aos exemplos de sucesso dos sistemas bancário e eleitoral do país.
Brasil rumo ao melhor sistema tributário do mundo, garante Haddad
Haddad diz que Brasil terá o melhor sistema tributário do mundo e propõe ações para reduzir impactos do tarifaço dos EUA sobre exportações.
A fala ocorreu durante a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), conhecido como Conselhão, que reúne membros do governo federal e representantes da sociedade civil para debater e formular políticas públicas estratégicas.
“Não à toa temos o melhor sistema eleitoral e o melhor sistema bancário do mundo. Teremos também o melhor sistema tributário”, afirmou Haddad.
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Reforma tributária como base para a mudança
Histórico e aprovação
Após décadas de discussões, a reforma tributária foi finalmente aprovada no Congresso Nacional em dezembro do ano passado e sancionada em 16 de janeiro deste ano. A nova legislação reformula o sistema de impostos no Brasil, simplificando tributos e buscando maior equidade na carga tributária.
A mudança exigiu regulamentação detalhada, que segundo Haddad contou com intensa participação do Conselhão.
Participação da sociedade civil
Haddad destacou o papel de colaboração entre governo e setor privado:
- 30 grupos de trabalho se dedicaram à regulamentação da reforma;
- Mais de 32 grupos trabalharam na implementação via tecnologia da informação;
- 200 entidades representativas do setor econômico participaram das discussões.
Essa articulação, segundo o ministro, é um dos pilares para que o Brasil alcance um sistema tributário de referência mundial.
Críticas à dependência externa e ao tarifaço dos EUA
Referência à interferência externa
O ministro da Fazenda também fez menção à necessidade de autonomia política e econômica, afirmando que o Brasil é “grande demais para ser colônia de algum país”.
A declaração foi interpretada como resposta à recente interferência dos Estados Unidos na política interna brasileira, incluindo críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Retaliação comercial de Donald Trump
No mês passado, o presidente norte-americano Donald Trump anunciou um tarifaço de 50% sobre diversos produtos brasileiros como retaliação ao processo judicial envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe de Estado.
Na prática, essa medida torna inviável a comercialização de vários produtos brasileiros no mercado norte-americano, afetando especialmente setores como:
- Mineração;
- Agricultura (frutas e açúcar);
- Pescado;
- Produtos manufaturados.
Apoio da Fiesp a um sistema tributário mais justo
Josué Gomes pede equilíbrio na carga tributária
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes, participou da reunião e reforçou a necessidade de um sistema tributário mais equitativo.
“O que fazer diante de uma agressão tão injusta?”, questionou, referindo-se às tarifas impostas pelos EUA.
Ele defendeu que o Brasil estabeleça parcerias estratégicas com diferentes regiões do mundo para diversificar mercados e reduzir vulnerabilidades externas. Gomes também incentivou a atração de novos investimentos, inclusive de empresas norte-americanas que historicamente mantêm operações no país.
Governadores do Nordeste defendem ações emergenciais

Apoio ao governo federal
O governador do Piauí e representante do Consórcio de Governadores do Nordeste, Rafael Fonteles, declarou apoio às iniciativas do governo federal para mitigar os efeitos do tarifaço.
Ele destacou que a medida impacta diretamente o nível de emprego e a competitividade de exportadores brasileiros, especialmente nas regiões mais dependentes do mercado norte-americano.
Propostas de mitigação
Fonteles apresentou propostas para compensar os efeitos negativos das tarifas, entre elas:
- Disponibilização de crédito para empresas exportadoras afetadas;
- Compras governamentais para absorver parte da produção prejudicada;
- Medidas emergenciais desvinculadas do ajuste fiscal, evitando cortes em áreas estratégicas.
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Setores mais afetados no Nordeste
O governador chamou atenção para a necessidade de políticas específicas para proteger produtores de:
- Frutas;
- Pescado;
- Açúcar;
- Minério.
Desafios e oportunidades para o Brasil
Redução da dependência do mercado dos EUA
A crise gerada pelo tarifaço reacendeu o debate sobre a diversificação de mercados e a ampliação de acordos comerciais com países da Ásia, Europa e África.
Especialistas defendem que a redução da dependência do mercado norte-americano fortalece a resiliência da economia brasileira contra choques externos e disputas políticas internacionais.
Modernização do sistema tributário
A reforma tributária, segundo o governo, será uma das principais ferramentas para aumentar a competitividade do país, simplificar processos e reduzir custos para empresas. A aposta é que um sistema tributário moderno e eficiente ajude o Brasil a atrair mais investimentos e ampliar a base de exportações.
Comparação com outros sistemas de excelência
Haddad fez questão de comparar o futuro sistema tributário ao sistema bancário brasileiro, reconhecido pela rapidez nas transações, inovação em meios de pagamento e estabilidade.
O sistema eleitoral, que já conta com tecnologia de ponta e resultados apurados de forma célere e segura, foi outro exemplo usado para reforçar a viabilidade da meta.
Repercussão e próximos passos

A fala do ministro gerou repercussão entre representantes do setor produtivo e especialistas em economia. Enquanto parte do empresariado vê com otimismo a promessa de um sistema tributário de referência, outros apontam para a necessidade de atenção às etapas de implementação e ao impacto real no dia a dia das empresas.
O governo, por sua vez, pretende avançar nas regulamentações complementares da reforma tributária e iniciar a aplicação das mudanças previstas já no próximo ciclo fiscal.
Imagem: José Cruz/Agência Brasil
