O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou nesta quarta-feira (24) que a Reforma Tributária e as medidas de desoneração de investimentos vão reduzir os preços de itens essenciais, incluindo a carne, para toda a população brasileira — independentemente da classe social.
Carne ficará mais cara com a reforma tributária? Entenda
Haddad afirma que a Reforma Tributária vai baratear a carne e defende a MP 1303 para equilibrar o orçamento.
A fala ocorreu durante uma audiência pública da Comissão da Agricultura e Pecuária da Câmara dos Deputados, em um momento de debates sobre o impacto das mudanças fiscais tanto para o consumidor final quanto para o setor produtivo.
Segundo Haddad:
“Com a Reforma Tributária nós temos a desoneração de investimentos, de exportações e a expansão de cesta básica que vai desonerar produtos vendidos no Brasil para qualquer classe social. Então, até o rico vai pagar mais barato em virtude do que o Congresso decidiu.”
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Reforma Tributária e a promessa de carne mais barata
Desoneração da cesta básica
Um dos pontos centrais destacados pelo ministro foi a ampliação da cesta básica isenta de impostos. A medida tem como objetivo reduzir a carga tributária sobre alimentos essenciais, como arroz, feijão e carnes, garantindo acesso a preços mais baixos para toda a população.
A promessa é que, ao eliminar tributos em etapas da cadeia de produção e comercialização, o preço da carne e de outros alimentos chegue mais barato ao consumidor final.
Impacto para todas as classes sociais
Embora a proposta tenha como foco as camadas de menor renda, Haddad enfatizou que até mesmo consumidores de maior poder aquisitivo serão beneficiados. Na visão do ministro, trata-se de uma forma de alinhar justiça tributária e crescimento econômico.
Tributação de investimentos: MP 1.303 em debate
Outro tema relevante da audiência foi a Medida Provisória 1.303, que estabelece regras para a tributação de investimentos. O texto prevê, entre outros pontos, a cobrança de Imposto de Renda sobre rendimentos de produtos financeiros hoje isentos, como:
- LCI (Letras de Crédito Imobiliário)
- LCA (Letras de Crédito do Agronegócio)
- CRA (Certificados de Recebíveis do Agronegócio)
- CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários)
Objetivo da medida
Haddad argumentou que a MP é essencial para garantir o equilíbrio do orçamento de 2026 sem a necessidade de cortes drásticos em áreas sensíveis:
“Hoje tem uma regra estabelecida que se eu tiver que cortar do orçamento 25% de emenda e 75% de despesas discricionárias, isso machuca, machuca inclusive o agro.”
Segundo ele, a medida permite preservar programas sociais e o agronegócio, ao mesmo tempo em que corrige distorções do mercado financeiro.
Distorções identificadas
De acordo com o ministro, a isenção atual tem gerado um cenário em que os investidores priorizam esses papéis pela vantagem fiscal, mas o benefício não chega integralmente aos setores que deveriam ser apoiados — construção civil e agronegócio.
“Sabe quem nos fez enxergar esse problema? As instituições financeiras. Fomos alertados pelos principais emissores que o dinheiro estava ficando pelo caminho e que havia formas mais inteligentes de favorecer a indústria da construção civil e a agricultura.”
Repercussão no Congresso: relatório e mudanças na alíquota

Na terça-feira (23), o relator da MP apresentou um relatório que prevê a tributação de 7,5% no Imposto de Renda para pessoas físicas que investem em LCA e LCI.
A proposta inicial do governo estabelecia que a alíquota seria de 5% a partir de 2026 apenas para novos investimentos. No entanto, o relator ampliou a taxação, o que tem gerado resistência entre parlamentares que defendem o setor.
Argumentos contrários
Alguns deputados afirmam que a medida pode reduzir o financiamento do agronegócio e da construção civil, encarecendo o crédito e prejudicando produtores e empresas. O governo, por outro lado, sustenta que o modelo atual beneficia mais o investidor do que os setores produtivos.
Dívidas dos produtores rurais do Rio Grande do Sul
Outro ponto abordado durante a audiência foi a situação das dívidas de produtores rurais do Rio Grande do Sul, afetados pelas enchentes devastadoras do ano passado.
Haddad foi questionado por parlamentares sobre a decisão de não prorrogar os prazos de pagamento dessas dívidas. A medida tem gerado forte pressão política, já que os agricultores ainda enfrentam dificuldades para se recuperar das perdas.
O ministro destacou que o governo busca alternativas de apoio, mas ressaltou a necessidade de equilibrar responsabilidade fiscal e medidas emergenciais.
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A relação entre Reforma Tributária, agro e orçamento
O discurso de Haddad mostra como o governo tenta conciliar três frentes:
1. Reduzir preços de alimentos
A promessa de carne mais barata é um apelo direto à população, buscando mostrar resultados concretos da Reforma Tributária.
2. Fechar o orçamento de 2026
Com a MP 1.303, o governo pretende arrecadar recursos para evitar cortes em áreas sensíveis, mantendo emendas parlamentares e preservando o agronegócio.
3. Corrigir distorções do mercado financeiro
A ideia é acabar com privilégios de certos papéis isentos de impostos que, segundo o governo, não cumprem plenamente sua função social.
Especialistas comentam os impactos
Economistas e analistas de mercado veem as medidas com cautela. Para alguns, a tributação sobre LCI e LCA pode desestimular investimentos em setores-chave. Para outros, a reforma é um passo importante para criar um sistema mais justo e eficiente.
Segundo o economista Marcelo Pacheco, a fala de Haddad sobre a carne ilustra bem o desafio:
“O governo precisa mostrar que a Reforma Tributária traz benefícios reais ao consumidor. Mas a tributação sobre investimentos gera incerteza no mercado, e o equilíbrio será decisivo.”
O próximo capítulo da Reforma Tributária

A audiência na Câmara reforça que a Reforma Tributária, somada às medidas de ajuste fiscal, será um dos principais temas da agenda econômica até o fim de 2025.
O desafio do governo é convencer o Congresso e a sociedade de que a combinação de desoneração do consumo e tributação de investimentos vai resultar em mais justiça fiscal e crescimento econômico.
Imagem: Leitenberger Photography/ Shutterstock.com
