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Haddad afirma que Brasil viverá “situação nova” com reforma tributária a partir de 2026

Haddad afirma que a reforma tributária e o novo sistema digital transformarão a economia brasileira, com aumento de produtividade.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Bolsa Família governo

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reforçou na segunda-feira (28), em São Paulo, o impacto transformador que a reforma tributária terá sobre a economia brasileira. Segundo ele, o país viverá “uma situação nova” a partir da implementação da reforma, prevista para entrar em vigor em 1º de janeiro de 2026. Em suas palavras, a mudança representará não apenas um avanço legislativo, mas também um salto tecnológico na forma como o sistema tributário é gerido no Brasil.

O ministro participou de um evento com empresários e especialistas na capital paulista, onde apresentou detalhes do novo modelo tributário, ressaltou os avanços tecnológicos previstos para o sistema fiscal e destacou o papel do Brasil diante de um cenário internacional incerto.

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Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com

Reforma tributária: produtividade no centro da disputa

Segundo Haddad, a reforma permitirá que as empresas brasileiras deixem de competir por vantagens tributárias e passem a disputar mercado com base na produtividade real.

“A disputa, a partir dessa reforma, não se dará entre as empresas por quem tem o melhor planejamento tributário, mas de quem é mais produtivo”, afirmou o ministro.

O novo sistema tem como base a unificação de tributos sobre o consumo, a simplificação das regras fiscais e a criação de um modelo mais transparente e eficiente, que deverá aumentar a segurança jurídica e atrair novos investimentos.

Digitalização total do sistema tributário

Haddad anunciou que o governo está desenvolvendo um sistema totalmente digital, com previsão de lançamento em 1º de janeiro do próximo ano, que promete revolucionar a forma como o Estado e as empresas se relacionam com os tributos.

“Vai ser tudo digital, não vai ter papel. Você vai conseguir fazer o acompanhamento de tudo online, em tempo real, inclusive com projeções de crescimento”, declarou.

O sistema permitirá que o planejamento tributário seja feito com dados atualizados automaticamente, reduzindo a burocracia e evitando erros de cálculo ou fraudes. Para Haddad, isso dará mais capacidade de planejamento tanto ao Estado quanto às empresas.

Um dos saltos tecnológicos mais avançados da história fiscal brasileira

A promessa é de uma plataforma tecnológica robusta, que centralizará informações, permitirá a rastreabilidade de cada transação tributável e eliminará gargalos que hoje paralisam o crescimento de pequenos e médios empreendedores.

“Acho que vamos dar um salto de TI no Brasil, como poucos países têm condição de fazer”, completou.

Fim da guerra fiscal entre estados

O ministro também destacou que a nova estrutura tributária deve eliminar a chamada guerra fiscal, em que estados e municípios competem entre si por investimentos, oferecendo benefícios e isenções fiscais muitas vezes prejudiciais ao equilíbrio nacional.

“O Brasil, que sempre patinou a vida toda nessa área, vai poder dar um salto de qualidade”, afirmou.

Com um sistema unificado e nacional, a lógica de incentivos fiscais pulverizados será substituída por regras mais justas e transparentes, que valorizam a eficiência e o investimento produtivo, e não apenas o benefício fiscal.

Brasil como protagonista na nova economia digital

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Imagem: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Durante o evento, Haddad também anunciou que viajará à Califórnia na próxima sexta-feira (2 de maio) para apresentar o Plano Nacional de Data Centers, política que busca impulsionar a infraestrutura digital do país e estimular o investimento interno em tecnologia da informação (TI).

“Nós contratamos 60% da nossa TI fora do país. Isso representa não apenas remessa de dólares, mas subinvestimento no Brasil”, explicou.

O marco regulatório para data centers será voltado à criação de um ambiente favorável à instalação de infraestrutura tecnológica de ponta, com incentivos à inovação e à produção nacional de serviços digitais.

Haddad acredita que a medida atrairá grandes players globais e contribuirá para reverter o déficit da balança de serviços, colocando o Brasil como referência em infraestrutura digital na América Latina.

Crescimento com sustentabilidade, mesmo diante das turbulências

Apesar do cenário geopolítico conturbado, o ministro demonstrou otimismo quanto ao crescimento econômico do Brasil em 2025.

“Nós estamos falando de um cenário em que o Brasil tem tudo para crescer, mesmo com as turbulências geopolíticas”, afirmou.

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Entre os fatores que sustentam essa perspectiva positiva, Haddad mencionou a manutenção do equilíbrio fiscal, o crescimento controlado da inflação, a reforma tributária em andamento e o papel ativo do Brasil na agenda internacional de negociações comerciais.

Incertezas globais exigem prudência

Mesmo diante do otimismo, o ministro foi cauteloso ao comentar as recentes ações protecionistas dos Estados Unidos, que podem afetar o comércio internacional e impactar países emergentes.

“O grau de incerteza sobre essa turbulência é grande. Precisamos de prudência, embora as conversas estejam acontecendo a todo vapor.”

Ele citou, como exemplo, a política de taxação de importações do governo norte-americano, cujos efeitos ainda estão sendo avaliados, e destacou a importância de diálogo diplomático ativo para preservar os interesses brasileiros.

Lula como ativo diplomático estratégico

Para lidar com o cenário de incerteza, Haddad elogiou a atuação diplomática do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem mantido diálogo aberto com os principais blocos econômicos mundiais — Estados Unidos, União Europeia e China — sem abrir mão do multilateralismo.

“Felizmente temos uma pessoa na Presidência que é um ativo para o país do ponto de vista diplomático. Lula tem autoridade junto aos BRICs e ao G20”, destacou o ministro.

A atuação internacional do Brasil tem se fortalecido desde 2023, com diversas reuniões de alto nível, e o país busca se posicionar como uma potência regional com voz ativa no cenário global.

Independência econômica e relações comerciais equilibradas

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Imagem: Antonio Cruz/Agência Brasil

Outro ponto ressaltado por Haddad é o posicionamento estratégico do Brasil no comércio internacional. O país tem mantido relações comerciais ativas com os principais blocos mundiais, mas sem se alinhar exclusivamente a nenhum deles.

“O Brasil é uma economia grande demais para ser satélite de outra”, afirmou, reforçando o compromisso com o multilateralismo comercial.

Essa postura permite ao Brasil negociar acordos com maior autonomia, diversificar sua base de parceiros e buscar melhores condições para exportações, especialmente em setores como agronegócio, tecnologia e energia limpa.

Imagem: Salty View/Shutterstock.com

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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