O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) voltou a incluir o horário de verão como uma das possíveis estratégias para reduzir custos e equilibrar o uso de fontes de energia intermitentes no Brasil. O alerta ocorre diante de projeções que indicam aumento da demanda elétrica e maior necessidade de acionamento de termelétricas nos próximos cinco anos.
ONS volta a cogitar horário de verão para reduzir custos e equilibrar demanda de energia
O Operador Nacional do Sistema Elétrico volta a citar o horário de verão como possível medida para reduzir custos e equilibrar o uso de fontes.
A reabertura dessa discussão ocorre em um contexto de mudanças no perfil de consumo e de desafios para a diversificação da matriz energética. Com a previsão de crescimento populacional e industrial, o sistema elétrico brasileiro busca alternativas para evitar sobrecarga e encarecimento das tarifas.

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Histórico da medida e suspensão em 2019
O horário de verão foi aplicado no Brasil por 88 anos, sendo suspenso em 2019 durante o governo de Jair Bolsonaro. Instituído para economizar energia, o mecanismo adiantava os relógios em uma hora entre o primeiro domingo de novembro e o terceiro domingo de fevereiro, conforme o Decreto nº 6.558/2008.
A mudança no relógio era utilizada em estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal. A principal lógica era aproveitar melhor a luz natural no fim da tarde, reduzindo o uso de iluminação artificial.
Mudanças nos hábitos de consumo e queda na eficácia
Segundo o Ministério de Minas e Energia, estudos realizados antes da suspensão indicaram que a concentração da demanda elétrica no período da tarde, e não mais no início da noite, reduziu a efetividade do horário de verão.
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico concluiu que, diante dessa mudança de comportamento, a economia de energia obtida já não justificava a adoção da medida. Esse diagnóstico pesou para a decisão de encerrar a prática.
Pressão pelo retorno e argumentos econômicos

Desde a suspensão, diferentes entidades e setores da economia têm pressionado pelo retorno do horário de verão. Em 2021, durante a crise hídrica e a queda na geração de energia hidrelétrica, associações e empresas formalizaram pedidos para que o governo retomasse o mecanismo.
Os defensores da medida alegam que, além da possível economia de energia, o horário de verão tem efeitos positivos sobre atividades econômicas que dependem do período noturno, como bares e restaurantes. Com o anoitecer mais tardio, esses estabelecimentos tendem a registrar maior movimento e faturamento.
Impacto no setor elétrico e no acionamento de termelétricas
O ONS avalia que, nos próximos anos, a pressão sobre o sistema poderá aumentar, especialmente em períodos de maior consumo e menor disponibilidade de energia de fontes renováveis. Nesse cenário, o horário de verão poderia contribuir para reduzir picos de demanda e, consequentemente, a necessidade de acionar termelétricas, que possuem custo de operação mais elevado.
Porém, técnicos e especialistas ressaltam que o efeito dessa medida sobre o consumo total de energia pode ser limitado, já que a iluminação artificial representa parcela menor da carga elétrica em comparação com sistemas de refrigeração e climatização, que concentram seu uso no período da tarde.
Desafios para a decisão e análise técnica
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O retorno do horário de verão depende de uma análise técnica detalhada que considere não apenas a economia potencial, mas também os impactos sociais e econômicos. Questões como adaptação da população, efeito no sono e produtividade, e possíveis mudanças no comportamento de consumo são parte do debate.
Para o ONS, a medida não deve ser vista como solução isolada, mas como parte de um conjunto de ações para garantir segurança energética. Entre essas ações estão investimentos em geração renovável, expansão de linhas de transmissão e aprimoramento da gestão da demanda.
Perspectivas para os próximos anos
Com a previsão de aumento da demanda elétrica até 2030 e as incertezas climáticas que afetam a geração de energia, o horário de verão volta ao radar como ferramenta de gestão do sistema. A decisão final dependerá da avaliação conjunta do ONS, do Ministério de Minas e Energia e do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico.
Caso seja reintroduzido, o mecanismo poderá ter ajustes no calendário e na abrangência geográfica, considerando regiões onde o efeito sobre a economia de energia seja mais significativo.
Equilibrando custos, consumo e qualidade de vida

O debate sobre o horário de verão no Brasil mostra como decisões de política energética envolvem múltiplos fatores. De um lado, há a busca por eficiência no uso dos recursos e redução de custos; de outro, a necessidade de adaptar medidas às mudanças no comportamento da população e às novas condições do sistema elétrico.
Enquanto estudos técnicos são elaborados, o tema continua a dividir opiniões. Para alguns setores, o retorno do horário de verão representa oportunidade de estimular a economia e aliviar pressões sobre o sistema elétrico. Para outros, a medida é obsoleta e pouco eficaz diante dos atuais padrões de consumo.
