A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar protagonista em processos empresariais. Na visão da CloudWalk, fintech brasileira responsável pela InfinitePay, a próxima transformação do mercado de trabalho não será marcada pela substituição completa das pessoas, mas pela mudança do papel humano dentro das organizações.
Agentes de IA devem assumir tarefas; humanos ficarão na supervisão
CloudWalk aposta em humanos como treinadores de agentes de IA. Entenda o impacto dessa visão no mercado de trabalho e nas empresas.
Segundo executivos da empresa, os profissionais passarão a atuar cada vez mais como “coaches” ou treinadores de agentes de inteligência artificial, orientando sistemas autônomos, definindo objetivos, supervisionando resultados e garantindo que as decisões estejam alinhadas às estratégias do negócio.
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O que significa ser um coach de agentes de IA

O conceito surge em um contexto no qual agentes de IA já conseguem executar tarefas complexas sem intervenção constante de humanos.
Diferentemente dos chatbots tradicionais, que respondem perguntas específicas, os agentes de IA modernos conseguem interpretar objetivos, planejar etapas, tomar decisões e executar ações de forma autônoma.
Na prática, o trabalho humano deixa de estar concentrado na execução operacional e passa a focar em atividades como:
Definição de objetivos
Os profissionais estabelecem metas e parâmetros para os agentes executarem tarefas.
Exemplo: um gerente de marketing pode solicitar que um agente de IA desenvolva campanhas, analise resultados e proponha otimizações automaticamente.
Supervisão de resultados
Mesmo com autonomia crescente, os agentes precisam ser monitorados.
O papel humano passa a ser validar decisões, corrigir desvios e atuar em situações excepcionais.
Treinamento contínuo
Assim como gestores treinam equipes, os profissionais precisarão ensinar agentes a operar dentro das regras, processos e cultura organizacional.
Governança e controle
Questões relacionadas a risco, ética, compliance e segurança continuarão exigindo supervisão humana.
A própria CloudWalk afirma que seus agentes executam diversas tarefas de forma independente, enquanto os humanos definem políticas, tratam exceções e governam riscos.
Por que a CloudWalk acredita nessa transformação
A empresa já utiliza agentes de IA em larga escala.
Segundo a companhia, sistemas autônomos atuam em atividades como:
- Desenvolvimento de software;
- Aprovação de crédito;
- Prevenção a fraudes;
- Atendimento ao cliente;
- Marketing;
- Operações financeiras.
A estratégia permitiu que a empresa alcançasse forte crescimento mantendo uma estrutura relativamente enxuta. Em 2025, a CloudWalk registrou receita de R$ 5,44 bilhões e lucro líquido de R$ 602 milhões, apoiada em uma operação altamente automatizada por inteligência artificial.
Nesse modelo, a IA não atua apenas como assistente.
Ela efetivamente executa parte significativa do trabalho operacional.
O mercado já está caminhando nessa direção
A visão da CloudWalk não é isolada.
Diversos estudos apontam para uma evolução dos sistemas de IA em direção a modelos mais autônomos.
Um levantamento do Boston Consulting Group (BCG) indica que agentes inteligentes podem acelerar processos corporativos entre 30% e 50%, especialmente em áreas como finanças, compras e atendimento ao cliente.
Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com governança e requalificação profissional.
Especialistas defendem que as empresas precisarão investir em treinamento para que trabalhadores aprendam a atuar em conjunto com sistemas inteligentes, em vez de competir com eles.
Quais profissões podem ser mais impactadas
A mudança tende a afetar principalmente funções administrativas e operacionais.
Entre as áreas com maior potencial de transformação estão:
Atendimento ao cliente
Agentes já conseguem resolver solicitações completas sem intervenção humana em muitos casos.
Marketing
Criação de conteúdo, análise de campanhas e segmentação de público estão cada vez mais automatizadas.
Finanças
Conciliação bancária, análise de crédito e monitoramento de riscos já são atividades executadas por agentes em diversas empresas.
Tecnologia
Desenvolvimento de software, testes e manutenção de sistemas também avançam rapidamente com apoio de IA.
Isso não significa necessariamente o desaparecimento dessas profissões.
A tendência é que os profissionais migrem para funções de supervisão, estratégia e coordenação.
As habilidades mais valorizadas na era dos agentes de IA
Se os agentes assumirem parte das tarefas técnicas, quais competências ganharão importância?
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Pensamento crítico
Avaliar resultados e identificar falhas continuará sendo uma habilidade essencial.
Comunicação
Saber orientar agentes de forma clara pode se tornar tão importante quanto saber executar uma tarefa.
Resolução de problemas
Os profissionais serão cada vez mais responsáveis por definir objetivos e interpretar cenários complexos.
Conhecimento de negócios
Entender contexto, estratégia e prioridades da empresa será um diferencial difícil de automatizar.
Governança e ética
A supervisão de decisões automatizadas tende a ganhar relevância em setores regulados.
O desafio da qualificação profissional
A mudança proposta pela CloudWalk traz um desafio importante para empresas, universidades e profissionais.
Durante décadas, a educação foi estruturada para ensinar execução de tarefas específicas. Agora, cresce a necessidade de formar pessoas capazes de trabalhar em parceria com sistemas inteligentes.
O próprio CEO da CloudWalk, Luis Silva, já defendeu publicamente que o foco não deve ser substituir trabalhadores por IA, mas ensinar equipes a colaborar com agentes inteligentes.
Nesse cenário, o aprendizado contínuo deixa de ser diferencial e passa a ser requisito básico para acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas.
O futuro do trabalho será humano ou artificial?

A resposta mais provável é: ambos.
Enquanto agentes de IA assumem tarefas repetitivas, analíticas e operacionais, os humanos tendem a concentrar esforços em supervisão, criatividade, estratégia, relacionamento e tomada de decisões de alto impacto.
A visão da CloudWalk sugere que o profissional do futuro não será apenas um executor de tarefas, mas um gestor de inteligência artificial.
Em vez de competir com máquinas, ele precisará aprender a liderá-las.
Para empresas brasileiras, essa mudança representa uma oportunidade de aumentar produtividade, reduzir custos e acelerar inovação. Para os profissionais, significa a necessidade de desenvolver novas competências e entender que a inteligência artificial será cada vez mais uma colega de trabalho — e não apenas uma ferramenta.
Conclusão
A aposta da CloudWalk reforça uma tendência que já começa a ganhar espaço no mercado: a de que humanos e inteligência artificial trabalharão de forma cada vez mais integrada. Nesse cenário, profissionais deixam de atuar apenas como executores e passam a orientar, supervisionar e aprimorar agentes inteligentes. Para empresas e trabalhadores, o desafio será desenvolver novas competências e adaptar processos a uma realidade em que a produtividade dependerá não apenas da tecnologia, mas também da capacidade humana de liderar e extrair o melhor da IA.
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