O avanço meteórico do Pix nos últimos anos transformou o sistema financeiro brasileiro. Porém, uma nova onda tecnológica já se desenha no horizonte: a inteligência artificial (IA) promete ser a próxima grande força a remodelar os serviços bancários, com foco especial na personalização de investimentos, educação financeira e segurança nas transações.
Surpresa no app do banco: IA promete personalizar seus investimentos além do Pix!
Apps bancários integram IA para personalizar investimentos e reforçar a segurança. Tecnologia vai além do Pix e promete novo salto financeiro.
Durante a Febraban Tech 2025, realizada em São Paulo, especialistas de grandes instituições financeiras e empresas de tecnologia discutiram como a IA está deixando de ser uma promessa futurista para se tornar uma ferramenta presente no cotidiano dos clientes.
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A nova fase do setor bancário: além do Pix

Lançado em 2020, o Pix mudou a forma como os brasileiros realizam transferências, pagamentos e até compras. A facilidade de uso e a gratuidade transformaram o sistema em um sucesso instantâneo. Mas, conforme o mercado amadurece, as atenções se voltam para o próximo passo: oferecer serviços financeiros inteligentes, personalizados e seguros por meio da IA.
Bancos tradicionais e fintechs agora apostam em soluções baseadas em inteligência artificial generativa para entender o perfil de cada cliente e sugerir estratégias de investimento mais adequadas.
“Impacto não é só tecnologia, é pensar em solução para a sociedade, condições de negócios”, destacou Elizabeth Bramson-Boudreau, CEO e publisher da MIT Technology Review, ao refletir sobre o papel da IA na construção de um ecossistema financeiro mais inclusivo e eficiente.
Investimentos guiados por IA: a promessa de personalização
Para o vice-presidente de Tecnologia da B3, Rodrigo Nardoni, o uso de inteligência artificial embarcada nos apps bancários tem um grande potencial para educar financeiramente o investidor e ampliar o acesso ao mercado de capitais.
Segundo ele, a IA pode interpretar as perguntas dos usuários em linguagem natural, compreender suas necessidades e retornar respostas altamente personalizadas. Isso pode mudar a forma como os brasileiros se relacionam com o dinheiro.
“As pessoas só fazem aquilo que elas entendem. Quando você não entende, você tem uma preocupação, para não dizer um medo de investir”, explicou Nardoni. “A IA pode acelerar o entendimento e isso gera mais investimentos, o que é bom para a economia do país.”
Essa perspectiva se mostra especialmente importante em um país onde a educação financeira ainda é deficiente. Por meio de plataformas digitais com assistentes inteligentes, o cidadão comum poderá compreender riscos, oportunidades e caminhos mais eficazes para poupar ou investir.
A inteligência artificial como aliada da segurança digital
Outro destaque do evento foi a crescente preocupação com a segurança das transações financeiras digitais. Nesse sentido, o Bradesco apresentou uma parceria com a empresa Neo4j, especializada em tecnologias de grafos, que permite mapear e prever comportamentos suspeitos em transferências financeiras.
O projeto visa identificar pontos críticos no sistema bancário e prevenir fraudes com o apoio de inteligência artificial.
Na mesma linha, a ManageEngine Brasil, empresa indiana com atuação na América Latina, destacou o uso da IA como ferramenta crucial para minimizar riscos cibernéticos e proteger os ativos dos usuários.
“A inteligência artificial pode ajudar empresas ou cidadãos a terem melhor proveito sobre os seus ativos”, destacou Tonimar dal Aba, gerente técnico da empresa. Atualmente, 25% dos clientes da ManageEngine na América Latina estão no Brasil, o que evidencia a importância estratégica do país nesse setor.
Fintechs e bancos: colaboração ou competição?
Se antes fintechs e bancos tradicionais pareciam competir em campos distintos, hoje há um movimento crescente de colaboração estratégica, impulsionado pela necessidade de inovação contínua. A IA, nesse cenário, surge como um terreno comum de interesse para ambos.
Com o cliente cada vez mais exigente e conectado, o diferencial está na capacidade de oferecer experiências personalizadas, eficientes e seguras. Isso exige investimentos robustos em tecnologia e a construção de uma infraestrutura capaz de suportar a crescente demanda por serviços inteligentes.
A nova era do dinheiro digital

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O que está em jogo não é apenas o uso de uma nova tecnologia, mas a transformação profunda da relação entre bancos, investidores e cidadãos. A IA pode representar a porta de entrada para uma geração de brasileiros que jamais investiram antes ou que possuem medo de perder dinheiro por falta de conhecimento.
Ao permitir que assistentes digitais entendam o contexto pessoal de cada usuário, desde renda até objetivos de vida, será possível traçar estratégias de investimento mais humanas, assertivas e seguras.
Desafios ainda existem
Apesar do otimismo, o uso da inteligência artificial em larga escala levanta questões relevantes. A principal delas diz respeito à privacidade dos dados. A coleta, o processamento e a análise de informações financeiras sensíveis requerem regulações claras, fiscalização ativa e transparência por parte das instituições.
Além disso, há o risco de exclusão digital: uma parcela significativa da população brasileira ainda enfrenta barreiras de acesso à tecnologia. Portanto, o avanço da IA precisa vir acompanhado de políticas públicas e iniciativas privadas que garantam inclusão e acessibilidade digital.
Conclusão
O futuro dos bancos brasileiros passa, inevitavelmente, pela inteligência artificial. Se o Pix representou a democratização do acesso financeiro, a IA surge agora como a chave para a democratização do conhecimento e da autonomia financeira.
Com o suporte de tecnologias capazes de compreender e interagir com os usuários de maneira personalizada, o sistema bancário caminha para se tornar mais humano, eficiente e seguro. Ainda há desafios a serem superados, mas os primeiros passos já foram dados — e eles apontam para uma revolução silenciosa, porém profunda, no modo como lidamos com o dinheiro no Brasil.
Com Informações de: Exame
Imagem: Freepik
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