Durante o NeoSummit – O Futuro do Varejo, realizado em novembro, dois dos principais nomes do ecossistema de tecnologia e consumo do Brasil — Paula Ritto, vice-presidente de marketplace do iFood, e Alexandre Zolko, CEO da CRMBonus — apresentaram uma visão clara sobre o que realmente sustenta a revolução da inteligência artificial (IA) no varejo: os dados.
IA importa, mas o dado é o rei — veja o que o iFood descobriu
Executivos do iFood e CRMBonus revelam como dados e IA estão redefinindo a personalização e o futuro do varejo brasileiro.
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A era dos dados no varejo inteligente
Segundo Paula Ritto, o iFood vive hoje um momento de transformação que vai muito além do uso de IA em tarefas pontuais. A companhia, que atende mais de 3 milhões de usuários por dia, tem investido na hiperpersonalização de sua plataforma, o que exige uma base robusta e continuamente alimentada de dados.
“Dado é a alma do negócio. No iFood, construímos diversos modelos para garantir uma experiência personalizada a cada cliente”, destacou Ritto.
Essa estratégia faz parte de um movimento mais amplo no varejo digital: compreender profundamente o comportamento do consumidor para antecipar desejos e necessidades. No caso do iFood, o objetivo é que cada usuário tenha uma interface exclusiva, adaptada às suas preferências alimentares, histórico de pedidos e até humor de consumo.
O papel da CRMBonus e o desafio do uso pleno da IA
O fundador e CEO da CRMBonus, Alexandre Zolko, concorda com o protagonismo dos dados. Porém, faz um alerta: boa parte das empresas ainda utiliza apenas uma fração das possibilidades oferecidas por suas ferramentas tecnológicas.
“Hoje, dado é o novo petróleo. Mas, infelizmente, muitas empresas não exploram nem 20% do potencial de suas plataformas. Isso ocorre, em grande parte, pelo alto turnover e pela falta de capacitação interna”, afirmou Zolko.
A CRMBonus, criada em 2018, tem como missão ajudar empresas a conhecer melhor seus clientes. Recentemente, a companhia assinou um contrato com a Pernambucanas, envolvendo soluções de cashback e consultoria estratégica, o que resultou em um aumento expressivo na captação de dados — milhões de novos contatos que antes não estavam no radar da varejista.
“Não basta oferecer tecnologia. É preciso ajudar a operar. Quando o varejista entende o cliente, ele vende mais e fideliza melhor”, explicou o executivo.
iFood e a construção de uma IA própria
O iFood decidiu ir além da simples integração de ferramentas de terceiros. A empresa desenvolve sua própria linguagem de IA, projetada para operar diretamente sobre o vasto volume de dados internos.
Em fase de testes públicos com 70 mil usuários, o sistema permite que o cliente receba sugestões personalizadas de pedidos, mesmo quando não sabe exatamente o que deseja comer.
“A ideia é que o usuário diga ‘quero algo leve para o jantar’ e o app entenda suas preferências, oferecendo recomendações precisas”, explicou Paula Ritto.
Essa abordagem coloca o iFood à frente no cenário da inteligência artificial conversacional, unindo a automação à humanização da experiência — um equilíbrio que a executiva considera essencial.
“Nossos modelos de IA transformam uma experiência que poderia ser robotizada em algo mais humano. Mesmo com milhões de pedidos diários, buscamos manter essa percepção de proximidade”, afirmou.
A IA conversacional e o avanço pelo WhatsApp
Enquanto o iFood aposta na IA proprietária, a CRMBonus foca na inteligência artificial conversacional, especialmente via WhatsApp e modelos de linguagem natural (LLMs).
“É impossível ter vendedores conversando manualmente com milhões de pessoas. A IA conversacional resolve isso, sem cair na frieza dos chatbots antigos”, pontuou Zolko.
Com os avanços dos LLMs, como os que impulsionam os grandes modelos generativos, a interação com clientes se tornou mais fluida e natural. Segundo o executivo, as pessoas muitas vezes não percebem que estão falando com uma máquina.
Empresas como Magazine Luiza e Pernambucanas também têm seguido essa tendência, implementando sistemas baseados em IA conversacional para atendimento, recomendação de produtos e ações de fidelização.
A próxima fronteira: o “gift delivery” da CRMBonus
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Durante o evento, Zolko anunciou uma novidade que promete unir dados, IA e comportamento social: a criação de um modelo de IA para “gift delivery”, que automatiza o envio de presentes de forma personalizada.
A ideia é simples e poderosa: ao compartilhar sua lista de contatos, a plataforma lembra datas de aniversário e sugere opções de presentes, com entrega realizada pelo iFood — sem que o usuário precise saber o endereço do destinatário.
“Queremos transformar o ato de presentear em algo automatizado e empático, usando o poder dos dados e da IA”, explicou o CEO.
O lançamento está previsto para fevereiro de 2026, e deve marcar uma nova fase da integração entre CRMBonus e iFood, especialmente após a aquisição de 20% da startup pelo iFood, que se tornou seu segundo maior acionista.
Dados e IA: a simbiose que define o futuro do varejo
A mensagem central deixada no painel é inequívoca: não existe IA eficaz sem dados estruturados. A inteligência artificial é a ferramenta, mas os dados são o combustível que garante sua potência.
Tanto o iFood quanto a CRMBonus exemplificam essa nova lógica. As empresas estão investindo não apenas em tecnologia, mas em infraestrutura de dados, estratégias de personalização e capacitação humana para extrair o máximo do potencial da IA.
A hiperpersonalização é o novo padrão. E quem não compreender o valor dos dados — ou não souber utilizá-los estrategicamente — corre o risco de ficar para trás em um mercado cada vez mais competitivo.
O equilíbrio entre tecnologia e humanidade
Apesar do avanço da IA, tanto Ritto quanto Zolko reforçam que a experiência humana ainda é o centro de tudo. O desafio está em usar os dados de forma ética e inteligente, garantindo que a automação aproxime, e não distancie, as marcas de seus consumidores.
“A tecnologia precisa servir às pessoas, e não o contrário. Quando o cliente sente que é ouvido e compreendido, a lealdade é natural”, conclui Paula Ritto.
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