A inteligência artificial (IA) não é mais uma promessa distante. Ela já está moldando o presente e, segundo especialistas, prestes a redefinir o conceito de trabalho como conhecemos. Durante o AI Bank Summit 2025, Danilo McGarry — referência global em inovação e automação — fez uma previsão que deixou o setor em alerta: “Em cerca de quinze anos, existirão apenas 100 tipos de empregos no mundo”.
Prepare-se: trabalho como você conhece hoje pode desaparecer com a IA
Especialista em IA prevê que apenas 100 profissões existirão em 15 anos. Descubra como a tecnologia vai redefinir o trabalho humano.
Essa transformação radical, segundo McGarry, não significa o fim do trabalho humano, mas sim o início de uma era de colaboração profunda entre humanos e máquinas. O especialista afirma que os empregos do futuro se concentrarão em três grandes eixos: os que constroem, os que ensinam e os que utilizam IA.
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A tempestade perfeita da tecnologia
Três pilares do novo trabalho
Durante sua palestra no evento, que ocorre virtualmente nesta semana, McGarry explicou que a “tempestade perfeita” tecnológica não será destrutiva para todos — mas sim seletiva. “Quem não se preparar será destruído; quem se preparar sairá mais forte”, afirmou o executivo.
Segundo ele, os três grupos de atividades que sobreviverão à automação em massa são:
- Os que constroem IA: engenheiros, programadores, cientistas de dados e desenvolvedores de sistemas inteligentes.
- Os que ensinam IA: treinadores de algoritmos, supervisores de aprendizagem de máquina, profissionais de ética em tecnologia e curadores de dados.
- Os que usam IA: operadores, analistas, profissionais de marketing, médicos, advogados e outros que saberão aplicar as soluções de IA em suas rotinas.
O poder econômico da IA: números impressionam
Ganhos reais de produtividade
McGarry apresentou dados que reforçam o impacto econômico positivo da IA. Empresas que adotam automação inteligente têm registrado aumentos médios de 30% em receita e lucratividade.
Esse ganho de produtividade não é apenas uma hipótese teórica. A automação inteligente está sendo utilizada para:
- Reduzir erros operacionais;
- Otimizar processos manuais;
- Melhorar o tempo de resposta ao cliente;
- Ampliar a escala de operação com o mesmo número de funcionários.
Projeções de mercado
Relatórios recentes de grandes instituições financeiras, como:
- Goldman Sachs;
- Bloomberg;
- McKinsey & Company,
apontam que a IA generativa pode impulsionar o PIB global em 7% até 2032 e movimentar US$ 1,3 trilhão em valor de mercado. Os analistas concordam que o impacto será mais significativo nos setores de:
- Saúde;
- Finanças;
- Logística;
- Educação;
- Atendimento ao consumidor.
Os erros mais comuns na adoção de IA

Automatizar antes de otimizar
Apesar do otimismo com os números, McGarry alertou que muitas empresas estão falhando na implementação da IA. Segundo ele, o erro mais comum é começar pela automação antes de revisar processos:
“O primeiro passo não é substituir pessoas por máquinas, e sim melhorar processos. Só depois disso a automação faz sentido.”
Essa visão se opõe à pressa corporativa de cortar custos rapidamente, o que muitas vezes resulta em fracassos na integração entre tarefas humanas e automatizadas, elevando o risco de falhas operacionais.
Falta de liderança técnica
Outro problema recorrente é a falta de liderança capacitada para conduzir a transformação digital. McGarry enfatizou:
“O erro mais comum é acreditar que o CEO deve ser o patrocinador executivo da IA. Na prática, esse papel precisa ser ocupado pelo diretor de tecnologia ou pelo diretor de IA.”
A ausência de liderança técnica compromete a capacidade de escalar projetos, medir impactos e adaptar tecnologias em ritmo adequado.
Governança é a chave para o sucesso sustentável
Falta de conselhos de IA
Muitas companhias ainda não criaram estruturas de governança tecnológica internas. Ou seja, conselhos especializados para aprovar, monitorar e auditar o uso da inteligência artificial.
Sem esses comitês, as decisões estratégicas sobre automação ficam vulneráveis a erros de avaliação, problemas éticos e falta de visão de longo prazo.
Cultura organizacional precisa acompanhar
McGarry reforçou que não basta comprar ferramentas sofisticadas. A verdadeira transformação digital é cultural:
“Ter a melhor tecnologia não basta. É preciso alinhar pessoas, processos e propósito. Sem cultura e estrutura de governança, não há IA que funcione.”
Para ele, a adoção bem-sucedida exige:
- Capacitação contínua dos colaboradores;
- Modelos de trabalho flexíveis, com integração homem-máquina;
- Ética e transparência no uso de dados e algoritmos;
- Ambiente colaborativo, em que inovação seja prioridade.
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IA generativa: protagonista da nova revolução
A personalização em escala
A IA generativa, que cria textos, imagens, códigos e até decisões complexas com base em aprendizado profundo, é vista como uma das maiores revoluções desde a internet.
Ela permite:
- Atendimento automatizado personalizado;
- Criação de conteúdo digital em segundos;
- Desenvolvimento de produtos e campanhas com base em dados comportamentais;
- Geração de diagnósticos médicos com base em padrões clínicos.
Profissões que estão surgindo com a IA
Enquanto algumas profissões desaparecem, outras ganham destaque:
- Curador de prompts para IA generativa;
- Analista de viés algorítmico;
- Gestor de ética em IA;
- Especialista em integração de IA com processos de negócio;
- Coach de produtividade com IA.
Essas novas funções são uma amostra de que o futuro do trabalho será menos técnico e mais estratégico, com foco na criatividade, tomada de decisão e visão de negócios.
Brasil está preparado para a revolução da IA?
Avanços e desafios nacionais
O Brasil ainda enfrenta obstáculos importantes:
- Baixo investimento em P&D (pesquisa e desenvolvimento);
- Falta de mão de obra especializada em inteligência artificial;
- Adoção desigual entre grandes empresas e pequenas/médias.
No entanto, há avanços:
- Startups brasileiras de IA vêm crescendo em setores como agrotech, fintechs e saúde.
- O Banco Central, o TCU e o INSS já utilizam IA em diversas rotinas.
- Universidades como USP, Unicamp e UFMG estão formando talentos nessa área.
O papel da educação e da inclusão

Para que a transformação digital beneficie toda a sociedade, McGarry defende que seja feita de forma inclusiva, com foco na educação tecnológica desde o ensino básico.
Ele também aponta que a criação de políticas públicas específicas para qualificação profissional em IA será determinante para evitar um abismo social entre os que dominam a tecnologia e os que ficam à margem.
Imagem: Freepik
