Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Prepare-se: trabalho como você conhece hoje pode desaparecer com a IA

Especialista em IA prevê que apenas 100 profissões existirão em 15 anos. Descubra como a tecnologia vai redefinir o trabalho humano.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Meta

A inteligência artificial (IA) não é mais uma promessa distante. Ela já está moldando o presente e, segundo especialistas, prestes a redefinir o conceito de trabalho como conhecemos. Durante o AI Bank Summit 2025, Danilo McGarry — referência global em inovação e automação — fez uma previsão que deixou o setor em alerta: “Em cerca de quinze anos, existirão apenas 100 tipos de empregos no mundo”.

Essa transformação radical, segundo McGarry, não significa o fim do trabalho humano, mas sim o início de uma era de colaboração profunda entre humanos e máquinas. O especialista afirma que os empregos do futuro se concentrarão em três grandes eixos: os que constroem, os que ensinam e os que utilizam IA.

Leia mais:

Google e inteligência artificial: efeitos práticos no Brasil

Inteligência artificial IA
Imagem: Gorodenkoff / Shutterstock.com

A tempestade perfeita da tecnologia

Três pilares do novo trabalho

Durante sua palestra no evento, que ocorre virtualmente nesta semana, McGarry explicou que a “tempestade perfeita” tecnológica não será destrutiva para todos — mas sim seletiva. “Quem não se preparar será destruído; quem se preparar sairá mais forte”, afirmou o executivo.

Segundo ele, os três grupos de atividades que sobreviverão à automação em massa são:

  • Os que constroem IA: engenheiros, programadores, cientistas de dados e desenvolvedores de sistemas inteligentes.
  • Os que ensinam IA: treinadores de algoritmos, supervisores de aprendizagem de máquina, profissionais de ética em tecnologia e curadores de dados.
  • Os que usam IA: operadores, analistas, profissionais de marketing, médicos, advogados e outros que saberão aplicar as soluções de IA em suas rotinas.

O poder econômico da IA: números impressionam

Ganhos reais de produtividade

McGarry apresentou dados que reforçam o impacto econômico positivo da IA. Empresas que adotam automação inteligente têm registrado aumentos médios de 30% em receita e lucratividade.

Esse ganho de produtividade não é apenas uma hipótese teórica. A automação inteligente está sendo utilizada para:

  • Reduzir erros operacionais;
  • Otimizar processos manuais;
  • Melhorar o tempo de resposta ao cliente;
  • Ampliar a escala de operação com o mesmo número de funcionários.

Projeções de mercado

Relatórios recentes de grandes instituições financeiras, como:

  • Goldman Sachs;
  • Bloomberg;
  • McKinsey & Company,

apontam que a IA generativa pode impulsionar o PIB global em 7% até 2032 e movimentar US$ 1,3 trilhão em valor de mercado. Os analistas concordam que o impacto será mais significativo nos setores de:

  • Saúde;
  • Finanças;
  • Logística;
  • Educação;
  • Atendimento ao consumidor.

Os erros mais comuns na adoção de IA

IAs
Imagem: Golden Dayz / Shutterstock

Automatizar antes de otimizar

Apesar do otimismo com os números, McGarry alertou que muitas empresas estão falhando na implementação da IA. Segundo ele, o erro mais comum é começar pela automação antes de revisar processos:

“O primeiro passo não é substituir pessoas por máquinas, e sim melhorar processos. Só depois disso a automação faz sentido.”

Essa visão se opõe à pressa corporativa de cortar custos rapidamente, o que muitas vezes resulta em fracassos na integração entre tarefas humanas e automatizadas, elevando o risco de falhas operacionais.

Falta de liderança técnica

Outro problema recorrente é a falta de liderança capacitada para conduzir a transformação digital. McGarry enfatizou:

“O erro mais comum é acreditar que o CEO deve ser o patrocinador executivo da IA. Na prática, esse papel precisa ser ocupado pelo diretor de tecnologia ou pelo diretor de IA.”

A ausência de liderança técnica compromete a capacidade de escalar projetos, medir impactos e adaptar tecnologias em ritmo adequado.

Governança é a chave para o sucesso sustentável

Falta de conselhos de IA

Muitas companhias ainda não criaram estruturas de governança tecnológica internas. Ou seja, conselhos especializados para aprovar, monitorar e auditar o uso da inteligência artificial.

Sem esses comitês, as decisões estratégicas sobre automação ficam vulneráveis a erros de avaliação, problemas éticos e falta de visão de longo prazo.

Cultura organizacional precisa acompanhar

McGarry reforçou que não basta comprar ferramentas sofisticadas. A verdadeira transformação digital é cultural:

“Ter a melhor tecnologia não basta. É preciso alinhar pessoas, processos e propósito. Sem cultura e estrutura de governança, não há IA que funcione.”

Para ele, a adoção bem-sucedida exige:

  • Capacitação contínua dos colaboradores;
  • Modelos de trabalho flexíveis, com integração homem-máquina;
  • Ética e transparência no uso de dados e algoritmos;
  • Ambiente colaborativo, em que inovação seja prioridade.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

IA generativa: protagonista da nova revolução

A personalização em escala

A IA generativa, que cria textos, imagens, códigos e até decisões complexas com base em aprendizado profundo, é vista como uma das maiores revoluções desde a internet.

Ela permite:

  • Atendimento automatizado personalizado;
  • Criação de conteúdo digital em segundos;
  • Desenvolvimento de produtos e campanhas com base em dados comportamentais;
  • Geração de diagnósticos médicos com base em padrões clínicos.

Profissões que estão surgindo com a IA

Enquanto algumas profissões desaparecem, outras ganham destaque:

  • Curador de prompts para IA generativa;
  • Analista de viés algorítmico;
  • Gestor de ética em IA;
  • Especialista em integração de IA com processos de negócio;
  • Coach de produtividade com IA.

Essas novas funções são uma amostra de que o futuro do trabalho será menos técnico e mais estratégico, com foco na criatividade, tomada de decisão e visão de negócios.

Brasil está preparado para a revolução da IA?

Avanços e desafios nacionais

O Brasil ainda enfrenta obstáculos importantes:

  • Baixo investimento em P&D (pesquisa e desenvolvimento);
  • Falta de mão de obra especializada em inteligência artificial;
  • Adoção desigual entre grandes empresas e pequenas/médias.

No entanto, há avanços:

  • Startups brasileiras de IA vêm crescendo em setores como agrotech, fintechs e saúde.
  • O Banco Central, o TCU e o INSS já utilizam IA em diversas rotinas.
  • Universidades como USP, Unicamp e UFMG estão formando talentos nessa área.

O papel da educação e da inclusão

IA
Imagem: Anggalih Prasetya / Shutterstock

Para que a transformação digital beneficie toda a sociedade, McGarry defende que seja feita de forma inclusiva, com foco na educação tecnológica desde o ensino básico.

Ele também aponta que a criação de políticas públicas específicas para qualificação profissional em IA será determinante para evitar um abismo social entre os que dominam a tecnologia e os que ficam à margem.

Imagem: Freepik

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

Topicos relacionados