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Destino fantasma: IA prega peça em casal, que percorre 400 km para visitar um lugar que não existe

Descubra como um vídeo gerado por IA enganou um casal de turistas. Leia e entenda os riscos e o apelo por regulação.

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
Casal de idosos numa viagem

Em uma era em que a tecnologia é cada vez mais convincente, um caso ocorrido na Malásia expôs os perigos do uso irrestrito da inteligência artificial (IA).

Um casal de idosos viajou cerca de 370 quilômetros a partir de Kuala Lumpur até o interior do estado de Perak, motivado por um vídeo de turismo que, mais tarde, revelou-se completamente fictício. O destino? Um teleférico panorâmico chamado “Kuak Skyride”, que nunca existiu.

Esse episódio viralizou nas redes sociais e levantou preocupações não apenas sobre os impactos emocionais e financeiros das vítimas, mas também sobre a urgência de regulamentações que acompanhem o avanço das tecnologias de IA.

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Caso: uma viagem baseada em uma mentira digital

A imagem mostra um casal de idoso caminhando em uma rua, aparentemente felizes e tranquilos.
Imagem: Reprodução / Freepik

Um vídeo real demais para ser questionado

O casal relatou ter assistido a uma reportagem em um canal chamado “TV Rakyat”, na qual uma repórter apresentava o passeio de teleférico com riqueza de detalhes. A narrativa incluía entrevistas com turistas estrangeiros, uma visita a um zoológico de cervos e até uma parada em um restaurante típico. Tudo isso, porém, foi gerado por inteligência artificial.

Ao chegarem à cidade de Kuak e se hospedarem em um hotel local, os idosos foram surpreendidos pela notícia de que o “Kuak Skyride” jamais existiu. A informação foi confirmada por uma funcionária do hotel, que depois compartilhou o caso nas redes sociais.

“A senhora me perguntou: ‘Por que alguém faria isso? Havia até uma repórter no vídeo!’”, contou a atendente do hotel em sua publicação.

Prejuízos além da frustração

Impacto financeiro

Além do tempo e da energia gastos, o casal também teve prejuízo financeiro. Outro usuário relatou que seus próprios pais, igualmente enganados pelo vídeo, chegaram a gastar 9 mil ringgits (cerca de R$ 10 mil) alugando uma van para o mesmo destino fictício.

Impacto emocional

As vítimas do golpe relataram frustração, decepção e um sentimento de terem sido ludibriadas por algo que parecia perfeitamente confiável. “O vídeo era muito bem feito. Tinha até turistas estrangeiros falando sobre a experiência”, disse uma das pessoas enganadas.

Ascensão dos conteúdos sintéticos

O que são vídeos gerados por IA?

Com os avanços da inteligência artificial generativa, é possível criar vídeos inteiros usando imagens, falas, ambientes e até personagens completamente sintéticos. Plataformas como Sora, D-ID, Synthesia e outras permitem criar cenários que beiram a perfeição visual.

Essas ferramentas são úteis para o marketing, educação e entretenimento, mas também representam riscos quando usadas de forma irresponsável.

Como identificar vídeos falsos?

Ainda que cada vez mais difíceis de detectar, alguns sinais podem levantar suspeitas:

  • Movimentos labiais levemente desincronizados com o áudio;
  • Ausência de fontes confiáveis e verificáveis;
  • Comentários de outros usuários questionando a veracidade;
  • Inconsistências visuais sutis, como sombras estranhas ou expressões artificiais.

Especialistas alertam para a urgência da regulação

Falta de legislação

Na Malásia, o governo anunciou em 2023 a criação de um escritório nacional para inteligência artificial, mas ainda não há legislação específica que trate da produção e disseminação de conteúdos sintéticos.

Segundo especialistas, isso abre margem para que vídeos falsos se espalhem sem qualquer responsabilização de seus criadores.

“Mesmo jovens acreditariam nesse vídeo. Só percebi que era falso ao ler os comentários”, afirmou uma internauta.

Propostas em debate

Entre as sugestões mais debatidas estão:

  • Marcação obrigatória de conteúdos gerados por IA;
  • Responsabilização civil e criminal de quem dissemina fake news com IA;
  • Auditoria de plataformas que hospedam esse tipo de conteúdo;
  • Campanhas de educação midiática para a população.

IA e turismo: uma combinação perigosa sem controle

Risco da confiança cega

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O turismo é uma área particularmente vulnerável à desinformação. Viajantes frequentemente confiam em conteúdos visuais, recomendações e experiências publicadas online. Neste caso, a aparência de um programa jornalístico reforçou a credibilidade do vídeo, tornando-o ainda mais convincente.

Casos semelhantes no mundo

O caso da Malásia não é isolado. Já houve relatos de:

  • Fotos de destinos paradisíacos que não existem circulando no Instagram;
  • Avaliações de hotéis escritas por bots;
  • Anúncios de pacotes de viagem fraudulentos com imagens geradas por IA.

Onde começa a responsabilidade?

Plataformas digitais devem atuar?

Especialistas defendem que plataformas como YouTube, TikTok e Instagram devem criar mecanismos mais eficazes de detecção e remoção de vídeos enganadores. No caso do “Kuak Skyride”, o vídeo foi retirado apenas após a polêmica viralizar.

Culpa é da IA ou de quem a usa?

A tecnologia em si não é o problema, mas sim seu uso indevido. É essencial promover o uso ético da IA e garantir que ferramentas poderosas não sirvam como instrumentos de desinformação.

Medidas de proteção para o usuário

casal idoso andando de mãos dadas na praia
Imagem: Day Of Victory Studio / shutterstock.com

O que o turista pode fazer para se proteger?

  • Verifique fontes oficiais: consulte sites de turismo ou órgãos públicos.
  • Busque mais de uma fonte: compare vídeos e informações.
  • Desconfie de vídeos perfeitos demais: a perfeição pode ser artificial.
  • Use ferramentas de checagem: sites como Google Lens ou TinEye ajudam a rastrear imagens falsas.
  • Consulte avaliações reais: busque por experiências no TripAdvisor ou Google Reviews.

Conclusão: o futuro pede urgência no presente

O caso do casal enganado pelo “Kuak Skyride” revela um dilema contemporâneo: como proteger o público dos perigos da informação convincente, mas falsa, gerada por inteligência artificial? Sem uma legislação robusta e sem ações concretas por parte das plataformas, situações como essa tendem a se repetir.

Enquanto a tecnologia avança a passos largos, é preciso que a ética, a educação digital e a regulação caminhem lado a lado para que a sociedade não se torne refém de suas próprias criações.

Imagem: lookstudio / Freepik

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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