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Pesquisa aponta que 50% dos jovens recorrem à IA nos estudos

O uso de inteligência artificial (IA) deixou de ser tendência para se tornar prática consolidada entre adolescentes. Segundo levantamento recente do Pew Research Center, 54% dos jovens de 13 a 17 anos nos Estados Unidos já utilizam chatbots como ChatGPT e Microsoft Copilot para auxiliar nas tarefas escolares. O crescimento impressiona. Em 2023, apenas 13% […]

Avatar de Bruna Machado Bruna Machado · · 5 min de leitura
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O uso de inteligência artificial (IA) deixou de ser tendência para se tornar prática consolidada entre adolescentes. Segundo levantamento recente do Pew Research Center, 54% dos jovens de 13 a 17 anos nos Estados Unidos já utilizam chatbots como ChatGPT e Microsoft Copilot para auxiliar nas tarefas escolares.

O crescimento impressiona. Em 2023, apenas 13% dos adolescentes afirmavam usar o ChatGPT para estudar. Em 2024, o índice subiu para 26%. Agora, mais da metade já incorporou ferramentas de IA generativa à rotina acadêmica.

Embora o levantamento seja norte-americano, a tendência já é percebida no Brasil. Escolas particulares e públicas relatam aumento expressivo no uso de IA em trabalhos, pesquisas e até simulados para vestibular e Enem.

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Como os adolescentes estão usando IA na prática

A pesquisa ouviu cerca de 1.400 adolescentes e seus pais e mostrou que os chatbots não são usados apenas para “gerar respostas prontas”. Eles se tornaram ferramentas multifuncionais.

Pesquisa e busca de informações

Cerca de 57% dos jovens utilizam a IA como principal ferramenta de busca para temas escolares. Esse dado sugere uma mudança estrutural no comportamento digital da geração Z, que prefere respostas diretas e conversacionais.

No Brasil, professores relatam que muitos alunos já substituem pesquisas tradicionais no Google por perguntas diretas ao ChatGPT, especialmente para trabalhos de história, biologia e atualidades.

Matemática e disciplinas exatas

Mais de 40% dos adolescentes usam IA para resolver problemas matemáticos. Ferramentas como o Copilot auxiliam na explicação passo a passo, algo que pode funcionar como um “professor particular digital”.

Por outro lado, especialistas alertam que copiar a resolução sem compreender o processo pode comprometer o aprendizado real.

Revisão e edição de textos

Cerca de um terço dos estudantes utiliza IA para revisar redações, corrigir gramática e sugerir melhorias argumentativas.

No contexto brasileiro, isso tem impacto direto na preparação para o Enem, cuja redação exige domínio da norma culta e estrutura argumentativa. A IA pode ajudar na organização das ideias, mas não substitui repertório sociocultural nem pensamento crítico.

Resumos e uso recreativo

O levantamento aponta que 42% usam chatbots para resumir conteúdos extensos e 47% utilizam as ferramentas por diversão.

Além disso, aproximadamente 20% já consomem notícias via IA ou plataformas conversacionais, como Character.ai.

A possível substituição dos buscadores tradicionais

Um dos pontos mais relevantes do estudo é a mudança na forma de buscar informação. A preferência por chatbots reforça uma tendência já observada em outras pesquisas, como as da Adobe, que indicaram crescimento do uso do TikTok como mecanismo de busca entre jovens.

Agora, a IA conversacional dá um passo além: em vez de navegar por links, o estudante recebe uma resposta estruturada pronta.

Essa mudança pode representar uma transformação profunda no modelo de consumo de informação, afetando inclusive veículos de imprensa e estratégias de SEO.

O dilema: ferramenta pedagógica ou cola digital?

Apesar dos benefícios, a discussão sobre ética acadêmica ganhou força. Segundo o levantamento do Pew, 60% dos adolescentes acreditam que colegas usam IA para trapacear.

O tema também foi debatido pelo The New York Times, que destacou a dificuldade das escolas em estabelecer limites claros entre auxílio e fraude.

Impacto no aprendizado

Um estudo citado pela Cambridge University Press & Assessment em parceria com a Microsoft Research apontou que alunos que usaram IA para compreender textos apresentaram desempenho inferior em testes de leitura quando comparados aos que fizeram anotações tradicionais.

Isso sugere que a facilidade pode reduzir o esforço cognitivo necessário para consolidar o aprendizado.

O cenário nas escolas brasileiras

No Brasil, ainda não há regulamentação nacional específica sobre o uso de IA em sala de aula. O Ministério da Educação tem discutido diretrizes para tecnologia educacional, mas a autonomia das escolas prevalece.

Algumas instituições já adotam políticas claras:

  • Permissão para uso em revisões e brainstorming
  • Proibição para produção integral de trabalhos
  • Obrigatoriedade de declarar quando houve auxílio de IA

Especialistas defendem que o foco não deve ser a proibição, mas o letramento digital — ensinar o aluno a usar IA de forma crítica e responsável.

IA na educação: ameaça ou oportunidade?

A inteligência artificial pode funcionar como:

  • Tutor personalizado 24 horas
  • Ferramenta de reforço escolar
  • Apoio para alunos com dificuldades específicas
  • Instrumento de inclusão para estudantes com deficiência

Por outro lado, os riscos incluem:

  • Dependência excessiva
  • Redução do pensamento crítico
  • Disseminação de desinformação
  • Facilitação de plágio

O consenso entre educadores é que a IA não substituirá o professor, mas transformará sua função. O docente passa a atuar mais como mediador e orientador do processo de aprendizagem.

O que pais e alunos precisam considerar

Para uso responsável da IA nos estudos, algumas recomendações práticas são essenciais:

  1. Usar a ferramenta como apoio, não como substituição do raciocínio.
  2. Conferir informações em fontes confiáveis.
  3. Evitar copiar respostas integralmente.
  4. Desenvolver habilidades próprias antes de recorrer à IA.
  5. Respeitar regras da escola e princípios éticos.

No Brasil, onde o desempenho educacional ainda enfrenta desafios estruturais, a IA pode ser aliada importante — desde que integrada com responsabilidade.

Considerações finais

A inteligência artificial já faz parte da rotina escolar de milhões de adolescentes. O avanço é rápido e irreversível. A questão central não é mais se os estudantes devem usar IA, mas como usar.

Entre ganhos de produtividade e riscos pedagógicos, o equilíbrio dependerá de educação digital, orientação docente e políticas claras nas instituições de ensino.

Se bem aplicada, a IA pode ampliar oportunidades educacionais. Se mal utilizada, pode comprometer o desenvolvimento intelectual da geração que mais depende da capacidade crítica para enfrentar um mercado de trabalho cada vez mais tecnológico.

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