A inteligência artificial deixou de ser tendência e passou a ser realidade no mercado de seguros brasileiro. Segundo levantamento da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg), realizado em parceria com a Ernst & Young (EY), 80% das seguradoras que atuam no país já utilizam soluções de IA em suas operações.
Adoção de IA em 80% das seguradoras modifica o setor
80% das seguradoras no Brasil usam IA, aponta CNSeg. Veja impactos, investimentos, economia gerada e desafios do setor.
O dado revela um setor em acelerada transformação tecnológica. E a expectativa é de universalização: os 20% restantes afirmaram estar em fase de implementação.
O estudo foi conduzido entre outubro e janeiro com 26 empresas associadas, que representam cerca de 51% do mercado e somam receita anual de aproximadamente R$ 210 bilhões. O levantamento contou ainda com contribuições do Banco Central do Brasil e da Superintendência de Seguros Privados (Susep).
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Onde a inteligência artificial é mais aplicada
A pesquisa mostra que a IA está presente principalmente em três áreas:
– Atendimento ao consumidor
– Operações
– Tecnologia da informação
Ferramentas de chat automatizado, análise de risco com machine learning e sistemas de detecção de fraude são alguns exemplos já consolidados no setor.
Segundo Alexandre Henriques Leal Neto, diretor técnico da CNSeg, o uso de inteligência artificial não é exatamente novidade. O setor já empregava técnicas de machine learning e deep learning há anos, mas houve crescimento recente no interesse por inteligência artificial generativa.
Por que as seguradoras estão investindo em IA?
A principal motivação é produtividade. De acordo com o estudo:
– 100% utilizam IA para aumentar eficiência
– 81% buscam melhorar a experiência do cliente
– 69% adotam a tecnologia para automação de tarefas
– 65% têm como objetivo reduzir custos
Na prática, a inteligência artificial permite:
– Respostas mais rápidas ao cliente
– Análise automatizada de documentos
– Avaliação de risco mais precisa
– Processamento ágil de sinistros
Um exemplo comum é o envio de fotos de um veículo sinistrado via aplicativo, com avaliação preliminar feita por algoritmos, reduzindo tempo de vistoria.
Impacto financeiro: economia e retorno
Apesar da ampla adoção, 77% das seguradoras afirmaram que a IA ainda não gerou impacto significativo no faturamento.
Segundo o levantamento:
– 84% registraram aumento de receita de até 1%
– Houve otimização de tempo entre 30% e 50%
– Aumento no número de cotações
– Melhoria de produtividade em TI
O ganho mais expressivo apareceu na redução de despesas.
Em 2025, o setor economizou R$ 140 milhões com o uso de IA. Para 2026, a projeção ultrapassa R$ 175 milhões em economia operacional.
Quanto o setor está investindo em IA?
O investimento acompanha o movimento de expansão tecnológica.
Os aportes devem subir de R$ 2,3 bilhões em 2025 para R$ 2,6 bilhões em 2026.
Distribuição prevista dos investimentos:
– 58% pretendem investir até 1% da receita
– 17% entre 1% e 2%
– 21% entre 3% e 4%
– 4% acima desse patamar
O cenário mostra que a inteligência artificial está sendo incorporada à estratégia de longo prazo das seguradoras.
Principais desafios na implementação
Mesmo com o avanço, há obstáculos.
Integração com sistemas antigos
Para 69% das seguradoras, o principal desafio é integrar a IA a sistemas legados.
Muitas empresas passaram por fusões e aquisições ao longo dos anos, o que resultou em infraestruturas tecnológicas fragmentadas.
Demonstração de retorno
Outros desafios apontados:
– 52% têm dificuldade em comprovar ROI
– 46% relatam falta de profissionais especializados
– 38% citam alto custo de implementação
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+311 mil seguidores
O gargalo de mão de obra qualificada é um problema recorrente no setor tecnológico brasileiro.
O que esperar nos próximos anos
A tendência é de maior automação.
Nos próximos dois anos:
– 66% das seguradoras pretendem ter equipes dedicadas exclusivamente à IA
Nos cinco anos seguintes:
– 68% acreditam que parte dos processos será totalmente automatizada, sem intervenção humana
Isso pode significar desde análise automática de sinistros simples até precificação dinâmica de apólices em tempo real.
O que muda para o consumidor?
Para o cliente final, os principais impactos são:
– Atendimento mais rápido
– Processos menos burocráticos
– Menor tempo para pagamento de indenizações
– Produtos mais personalizados
A inteligência artificial permite cruzar dados comportamentais, histórico de uso e perfil de risco para oferecer planos sob medida.
Por outro lado, cresce a necessidade de atenção à proteção de dados, tema regulado pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Conclusão: IA deixa de ser tendência e vira padrão
O levantamento da CNSeg mostra que a inteligência artificial já é parte estrutural do mercado de seguros no Brasil.
Embora o retorno financeiro direto ainda seja moderado, os ganhos de eficiência, economia operacional e melhoria de experiência do cliente indicam que o caminho é irreversível.
Nos próximos anos, a tendência é que praticamente 100% das seguradoras operem com soluções de IA integradas aos seus processos.
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