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Adoção de IA em 80% das seguradoras modifica o setor

80% das seguradoras no Brasil usam IA, aponta CNSeg. Veja impactos, investimentos, economia gerada e desafios do setor.

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
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A inteligência artificial deixou de ser tendência e passou a ser realidade no mercado de seguros brasileiro. Segundo levantamento da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg), realizado em parceria com a Ernst & Young (EY), 80% das seguradoras que atuam no país já utilizam soluções de IA em suas operações.

O dado revela um setor em acelerada transformação tecnológica. E a expectativa é de universalização: os 20% restantes afirmaram estar em fase de implementação.

O estudo foi conduzido entre outubro e janeiro com 26 empresas associadas, que representam cerca de 51% do mercado e somam receita anual de aproximadamente R$ 210 bilhões. O levantamento contou ainda com contribuições do Banco Central do Brasil e da Superintendência de Seguros Privados (Susep).

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Onde a inteligência artificial é mais aplicada

A pesquisa mostra que a IA está presente principalmente em três áreas:

– Atendimento ao consumidor
– Operações
– Tecnologia da informação

Ferramentas de chat automatizado, análise de risco com machine learning e sistemas de detecção de fraude são alguns exemplos já consolidados no setor.

Segundo Alexandre Henriques Leal Neto, diretor técnico da CNSeg, o uso de inteligência artificial não é exatamente novidade. O setor já empregava técnicas de machine learning e deep learning há anos, mas houve crescimento recente no interesse por inteligência artificial generativa.

Por que as seguradoras estão investindo em IA?

A principal motivação é produtividade. De acordo com o estudo:

– 100% utilizam IA para aumentar eficiência
– 81% buscam melhorar a experiência do cliente
– 69% adotam a tecnologia para automação de tarefas
– 65% têm como objetivo reduzir custos

Na prática, a inteligência artificial permite:

– Respostas mais rápidas ao cliente
– Análise automatizada de documentos
– Avaliação de risco mais precisa
– Processamento ágil de sinistros

Um exemplo comum é o envio de fotos de um veículo sinistrado via aplicativo, com avaliação preliminar feita por algoritmos, reduzindo tempo de vistoria.

Impacto financeiro: economia e retorno

Apesar da ampla adoção, 77% das seguradoras afirmaram que a IA ainda não gerou impacto significativo no faturamento.

Segundo o levantamento:

– 84% registraram aumento de receita de até 1%
– Houve otimização de tempo entre 30% e 50%
– Aumento no número de cotações
– Melhoria de produtividade em TI

O ganho mais expressivo apareceu na redução de despesas.

Em 2025, o setor economizou R$ 140 milhões com o uso de IA. Para 2026, a projeção ultrapassa R$ 175 milhões em economia operacional.

Quanto o setor está investindo em IA?

O investimento acompanha o movimento de expansão tecnológica.

Os aportes devem subir de R$ 2,3 bilhões em 2025 para R$ 2,6 bilhões em 2026.

Distribuição prevista dos investimentos:

– 58% pretendem investir até 1% da receita
– 17% entre 1% e 2%
– 21% entre 3% e 4%
– 4% acima desse patamar

O cenário mostra que a inteligência artificial está sendo incorporada à estratégia de longo prazo das seguradoras.

Principais desafios na implementação

Mesmo com o avanço, há obstáculos.

Integração com sistemas antigos

Para 69% das seguradoras, o principal desafio é integrar a IA a sistemas legados.

Muitas empresas passaram por fusões e aquisições ao longo dos anos, o que resultou em infraestruturas tecnológicas fragmentadas.

Demonstração de retorno

Outros desafios apontados:

– 52% têm dificuldade em comprovar ROI
– 46% relatam falta de profissionais especializados
– 38% citam alto custo de implementação

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O gargalo de mão de obra qualificada é um problema recorrente no setor tecnológico brasileiro.

O que esperar nos próximos anos

A tendência é de maior automação.

Nos próximos dois anos:

– 66% das seguradoras pretendem ter equipes dedicadas exclusivamente à IA

Nos cinco anos seguintes:

– 68% acreditam que parte dos processos será totalmente automatizada, sem intervenção humana

Isso pode significar desde análise automática de sinistros simples até precificação dinâmica de apólices em tempo real.

O que muda para o consumidor?

Para o cliente final, os principais impactos são:

– Atendimento mais rápido
– Processos menos burocráticos
– Menor tempo para pagamento de indenizações
– Produtos mais personalizados

A inteligência artificial permite cruzar dados comportamentais, histórico de uso e perfil de risco para oferecer planos sob medida.

Por outro lado, cresce a necessidade de atenção à proteção de dados, tema regulado pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Conclusão: IA deixa de ser tendência e vira padrão

O levantamento da CNSeg mostra que a inteligência artificial já é parte estrutural do mercado de seguros no Brasil.

Embora o retorno financeiro direto ainda seja moderado, os ganhos de eficiência, economia operacional e melhoria de experiência do cliente indicam que o caminho é irreversível.

Nos próximos anos, a tendência é que praticamente 100% das seguradoras operem com soluções de IA integradas aos seus processos.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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