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Comida de mentira? Uso de IA em fotos no iFood causa debate acalorado

Descubra como a IA está mudando os cardápios do iFood. Veja os riscos e saiba por que isso afeta suas escolhas!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
iFood e IA

Nos últimos dias, uma enxurrada de críticas e debates tomou conta das redes sociais após usuários identificarem imagens geradas por inteligência artificial (IA) em cardápios de restaurantes no iFood.

Os registros, que viralizaram por parecerem inverossímeis ou mesmo pouco apetitosos, levantaram questões sobre ética, transparência e a experiência do consumidor em plataformas de delivery.

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Imagem: lookstudio – freepik

IA como ferramenta de criação visual

A popularização das ferramentas de inteligência artificial generativa, como DALL·E e Midjourney, permitiu que restaurantes passassem a utilizar imagens sintéticas para ilustrar seus pratos.

No iFood, isso já é realidade — e é permitido pela plataforma, desde que as fotos representem de forma fiel o produto entregue.

Segundo a empresa, o uso de IA é autorizado com a condição de que a imagem não engane o cliente. Em resposta ao Tecnoblog, o iFood explicou que “tais fotografias somente podem ser utilizadas quando representarem de forma coerente o produto que será entregue”.

Onde está o problema?

Apesar da permissão, as imagens geradas por IA nem sempre cumprem esse papel com fidelidade. Muitas vezes, as fotos apresentam distorções, cores irreais ou proporções que não correspondem à realidade. Isso tem gerado frustração nos consumidores e, como apontam especialistas, uma queda no interesse pelos pratos.

Opinião dos especialistas em marketing gastronômico

Fotos reais geram mais desejo e conversão

Fraviana Moraes, especialista em marketing digital e fundadora da agência Taghy, especializada em marketing gastronômico, observa que o uso de IA tem efeitos nocivos para restaurantes. “Foto artificial não gera desejo”, afirma.

Segundo Fraviana, restaurantes que investiram em fotos geradas por computador observaram queda nas visualizações e na taxa de conversão dos pratos.

Já aqueles que optaram por imagens reais, feitas por fotógrafos profissionais, tiveram resultados positivos — como uma hamburgueria que aumentou o faturamento em mais de 60%.

Movimento real food

Fraviana defende o chamado “real food marketing”, que valoriza a comida como ela realmente é, sem truques visuais ou manipulações artificiais. A ideia é que a autenticidade gera confiança e, por consequência, mais vendas.

Sua agência tem ajudado estabelecimentos a abandonar imagens sintéticas e apostar em conteúdo visual autêntico, que represente de fato a experiência do cliente ao receber o prato em casa.

Como o iFood se posiciona sobre a prática?

Política oficial e diretrizes

O iFood, que representa 80% do mercado de delivery de comida no Brasil, permite o uso de imagens criadas por inteligência artificial.

No entanto, adverte que essas imagens devem ser fiéis ao produto entregue e que descumprimentos podem acarretar punições — embora não tenha detalhado quais seriam.

A plataforma também oferece um curso gratuito com uma fotógrafa profissional para orientar os restaurantes a produzirem boas imagens de seus pratos, sugerindo que a empresa valoriza mais o conteúdo autoral.

Sinalizações e denúncias

Os consumidores que se sentirem enganados podem relatar inconsistências diretamente pelo aplicativo do iFood. A empresa incentiva esse tipo de feedback como forma de garantir a melhor experiência possível.

Impacto nas decisões de compra

Imagens são decisivas para o consumidor

Estudos de comportamento digital mostram que imagens são um dos principais fatores que influenciam a decisão de compra em plataformas online. No caso da comida, essa influência é ainda mais intensa: uma foto bem tirada pode fazer a diferença entre um pedido e uma desistência.

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A IA, embora eficiente em gerar imagens esteticamente agradáveis, ainda falha em transmitir a textura, o frescor e a sensação de “comida de verdade”. Isso tem feito com que muitos usuários optem por restaurantes que apresentam fotos reais, mesmo que mais simples.

Fatores emocionais e percepção de valor

Imagens artificiais podem parecer perfeitas, mas carecem de elementos emocionais. Especialistas apontam que o apelo visual não está apenas na estética, mas na conexão com o real — no brilho da gordura de um hambúrguer, na cremosidade de um purê ou na crocância visível de uma batata frita.

Quando o cliente percebe que o prato da foto não condiz com o que chega em sua casa, a frustração se traduz em avaliações negativas, perda de fidelidade e impacto direto no faturamento.

Futuro da IA na gastronomia digital

Mãos segurando celular que exibe aplicativo parcelar compra no iFood pelo NubankiFood.
Imagem: Diego Thomazini / shutterstock.com

IA como aliada, não como substituta

Apesar das críticas, a inteligência artificial pode ter um papel positivo se utilizada com responsabilidade. Ela pode, por exemplo, ajudar na edição de imagens reais, na criação de cardápios personalizados, na otimização da logística e até na sugestão de combinações gastronômicas com base no perfil do consumidor.

O problema, portanto, não está na tecnologia em si, mas no uso não ético ou desatento dela.

Regulação e transparência

Especialistas defendem que as plataformas de delivery, como o iFood, passem a sinalizar claramente quando uma imagem foi criada com IA. Essa transparência permitiria ao consumidor fazer escolhas mais conscientes e evitar frustrações.

Uma possível solução seria a inclusão de selos ou avisos como “imagem gerada por inteligência artificial” nos pratos. Essa medida, já adotada em setores como publicidade e e-commerce, poderia ser adaptada ao contexto dos apps de delivery.

Conclusão

O uso de inteligência artificial para gerar imagens de comida no iFood está gerando controvérsias — e com razão. Se por um lado a tecnologia oferece praticidade e custo reduzido, por outro, coloca em risco a confiança do consumidor e a veracidade da experiência gastronômica prometida.

O recado está dado: fotos reais ainda são, de longe, a melhor receita para abrir o apetite — e o bolso — dos clientes.

Imagem: Divulgação / iFood

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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