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IA pode tornar o Brasil mais eficiente, mas juros altos ainda preocupam, diz Bradesco

Saiba como a Inteligência Artificial pode elevar a produtividade no Brasil e por que os juros altos ainda são o principal obstáculo.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto4 min de leitura
juros

A inteligência artificial pode ajudar o Brasil a atacar um dos seus principais gargalos históricos — a baixa produtividade —, mas o ambiente de juros elevados ainda representa um freio relevante para essa transformação.

Essa é a visão de Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco, que destaca o potencial da tecnologia para reduzir desigualdades, desde que o país consiga equilibrar suas contas públicas.

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O dilema da produtividade estagnada no Brasil

A produtividade do trabalho no Brasil é um problema crônico. Segundo dados do Observatório da Produtividade Regina Nunes (FGV IBRE), o indicador tem apresentado um crescimento médio anual próximo de zero nas últimas décadas. Enquanto países desenvolvidos e até pares emergentes conseguem produzir mais com os mesmos recursos, o Brasil depende majoritariamente da expansão da força de trabalho para crescer.

Neste cenário, a Inteligência Artificial (IA) não é apenas uma tendência de TI, mas uma ferramenta de infraestrutura macroeconômica. Ela oferece a capacidade de automatizar processos cognitivos, otimizar cadeias logísticas e acelerar a tomada de decisões em setores onde o erro humano e a burocracia custam caro ao PIB.

Setores onde a IA pode destravar o crescimento

Para Honorato, o impacto da tecnologia é mais visível em áreas com gargalos históricos:

  • Saúde: Implementação de diagnósticos por imagem e triagem via IA, reduzindo filas no SUS e otimizando a saúde suplementar.
  • Educação: Personalização do ensino em larga escala, atacando a defasagem educacional em regiões onde a presença física de especialistas é escassa.
  • Serviços e Varejo: Otimização de estoques e logística preditiva, essencial para um país de dimensões continentais e infraestrutura rodoviária precária.

Por que os juros altos “acabam com a festa” da tecnologia

O otimismo com a IA esbarra no Custo de Capital (WACC). No Brasil, a taxa Selic em patamares elevados altera o cálculo de retorno sobre investimento das empresas. Quando o custo para captar dinheiro é alto, o empresário brasileiro enfrenta um dilema: investir na transformação digital ou manter o capital em aplicações financeiras seguras.

O efeito dominó dos juros no investimento em inovação

  1. Encarecimento do CAPEX: Grande parte do hardware (GPUs) e licenciamento de softwares de IA (como soluções da Microsoft, Google ou AWS) é dolarizada. Juros altos mantêm o câmbio pressionado, encarecendo a importação de tecnologia.
  2. Risco vs. Retorno: Projetos de inovação possuem um componente de risco natural. Com taxas de juros de dois dígitos, o “prêmio de risco” para investir em IA precisa ser altíssimo para valer a pena, o que acaba engavetando projetos viáveis.
  3. Atraso na adoção: Enquanto empresas nos EUA e Europa aceleram a integração da IA com capital barato, as empresas brasileiras adotam a tecnologia em um ritmo mais lento, ampliando o abismo de competitividade global.

O ajuste fiscal como pré-requisito para a inovação

A análise de Honorato é direta: os juros altos não são apenas uma escolha do Banco Central, mas um reflexo da incerteza fiscal. Sem um sinal claro de controle de gastos, o prêmio de risco não cai, e o crédito continua caro.

“O ajuste pelo lado dos gastos é o caminho inevitável para reduzir juros de forma sustentável.” — Fernando Honorato.

Para o setor produtivo, isso significa que a “revolução da IA” no Brasil depende menos de programadores e mais da estabilidade macroeconômica. A tecnologia tem o poder de levar serviços de qualidade a regiões antes desassistidas, mas a infraestrutura financeira precisa permitir que esses investimentos aconteçam.

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Como as empresas brasileiras podem agir agora

Apesar do cenário macro desafiador, a inércia tecnológica pode ser fatal. Especialistas do mercado sugerem três caminhos para empresas que desejam implementar IA mesmo com juros altos:

1. Foco em IA Generativa para ganho de eficiência rápida

Diferente de grandes projetos de infraestrutura, a IA Generativa (como o uso de LLMs para atendimento e análise de documentos) exige menos investimento inicial e oferece retorno rápido (Quick Wins), ajudando a reduzir custos operacionais imediatos.

2. Migração para o modelo SaaS (Software as a Service)

Em vez de investir em hardware próprio (CAPEX), empresas optam pelo pagamento mensal (OPEX). Isso dilui o impacto financeiro e permite acesso a tecnologias de ponta sem a necessidade de grandes aportes de capital financiados por juros altos.

3. Aproveitamento do ecossistema de Startups

O Brasil possui um dos ecossistemas de fintechs e agtechs mais vibrantes do mundo. Colaborar com startups que já desenvolveram soluções de IA pode ser mais barato e rápido do que desenvolver tecnologias internamente do zero.

Com informações de MoneyTimes

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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