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Inteligência Artificial pode acabar com 100 milhões de empregos nos próximos anos

Relatório do Senado dos EUA prevê que a inteligência artificial e a automação podem substituir 100 milhões de empregos até 2035, com alertas do senador Bernie Sanders.

Bruna MachadoPor Bruna Machado8 min de leitura
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Um novo relatório do Senado dos Estados Unidos acendeu um alerta global sobre o impacto da inteligência artificial (IA) e da automação na força de trabalho.

O documento, elaborado por assessores democratas do Comitê de Saúde, Educação, Trabalho e Pensões (HELP), chefiado pelo senador Bernie Sanders, projeta que quase 100 milhões de empregos americanos podem ser substituídos por sistemas automatizados e robôs inteligentes nos próximos dez anos.

A análise ressalta que a adoção acelerada de tecnologias de IA — especialmente em setores como atendimento ao cliente, alimentação e transporte — tende a transformar radicalmente o mercado de trabalho, ampliando desigualdades e exigindo uma revisão urgente das políticas trabalhistas nos EUA.

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O relatório do Senado e as principais conclusões

Inteligência artificial já atende parte das chamadas de emergência
Imagem: Freepik

O documento foi desenvolvido após meses de investigação e entrevistas com especialistas em tecnologia, sindicatos e trabalhadores afetados pela automação. O grupo também utilizou o ChatGPT, da OpenAI, como ferramenta de análise para estimar quais setores correm maior risco de sofrer substituição tecnológica.

Segundo o relatório, 15 das 20 ocupações analisadas estão sob risco de perder mais da metade de seus postos de trabalho até 2035.

Setores mais afetados

A projeção mostra que algumas áreas estão particularmente vulneráveis:

  • Restaurantes e fast food: perda estimada de 3 milhões de empregos, o que representa 89% da força total;
  • Atendimento ao cliente e call centers: risco de 83% de substituição;
  • Logística, estoque e transporte: cerca de 81% dos cargos automatizáveis;
  • Assistentes administrativos e recepcionistas: até 80% das funções podem desaparecer.

Esses dados confirmam o avanço da automação não apenas em indústrias tradicionais, mas também em setores de serviços que, até recentemente, eram considerados menos suscetíveis à substituição por máquinas.


A preocupação de Bernie Sanders e o debate político

O senador Bernie Sanders, uma das vozes mais influentes do Partido Democrata, tem levantado preocupações sobre o impacto social da automação em larga escala. Para ele, os avanços tecnológicos não podem servir apenas aos interesses corporativos, mas devem ser acompanhados de políticas públicas de proteção ao trabalhador.

Durante a apresentação do relatório, Sanders afirmou:

“A inteligência artificial tem potencial para aumentar a produtividade e melhorar a qualidade de vida, mas também pode gerar um nível de desemprego e desigualdade sem precedentes, se não houver regulação e distribuição justa dos ganhos.”

O senador defende que o debate sobre IA deve ir além da eficiência econômica, incluindo questões éticas, sociais e humanas, como o direito ao trabalho, a redistribuição de renda e a manutenção da dignidade dos trabalhadores.


Propostas apresentadas pelo comitê

IA
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Para mitigar os impactos negativos da automação, o relatório do Comitê HELP propõe uma série de reformas estruturais no mercado de trabalho norte-americano. Entre as principais recomendações estão:

Redução da jornada de trabalho

A diminuição da carga semanal para 32 horas permitiria uma melhor distribuição do emprego, além de reduzir o estresse e aumentar a produtividade individual. A proposta também visa adequar a estrutura laboral à nova era da automação, em que máquinas assumem parte significativa das tarefas.

Aumento do salário mínimo

O relatório sugere elevar o salário mínimo nacional para US$ 17 por hora, garantindo que os trabalhadores remanescentes em setores automatizados tenham condições dignas de subsistência.

Proteções trabalhistas ampliadas

Entre as medidas propostas estão:

  • Seguro-desemprego mais abrangente;
  • Reciclagem profissional financiada pelo governo;
  • Estabilidade para trabalhadores substituídos por IA;
  • Apoio à transição de carreira para setores emergentes.

Fim de incentivos fiscais para automação

O documento também recomenda eliminar benefícios tributários concedidos a empresas que substituem trabalhadores humanos por sistemas automatizados sem contrapartidas sociais, como criação de novas funções, programas de capacitação ou investimento local.


O impacto global da inteligência artificial

Embora o relatório tenha foco nos Estados Unidos, seus resultados refletem uma tendência global. A expansão da IA generativa e da robótica industrial está redefinindo as fronteiras do emprego em todos os continentes.

De acordo com a Coursera, plataforma global de educação e tecnologia, a IA deverá criar cerca de 97 milhões de novos empregos até o fim de 2025, em áreas como engenharia de dados, segurança cibernética, análise de sistemas e desenvolvimento de algoritmos.

O dilema da substituição versus criação de empregos

A discussão central gira em torno da capacidade de adaptação da força de trabalho. Embora novas oportunidades surjam, a transição exigirá capacitação intensiva e requalificação profissional, algo que nem todos os países — e nem todos os trabalhadores — estão prontos para enfrentar.


Setores mais expostos à automação

O relatório do Senado americano reforça dados de outras pesquisas internacionais que indicam que funções repetitivas e previsíveis são as mais ameaçadas.

Entre os segmentos com maior potencial de substituição por IA e robôs, destacam-se:

1. Indústria de alimentos e hospitalidade

Restaurantes, cozinhas industriais e redes de fast food têm investido fortemente em quiosques de autoatendimento, robôs de preparo de alimentos e sistemas de pedidos automatizados, reduzindo a necessidade de mão de obra humana.

2. Logística e transporte

Empresas como Amazon e FedEx já utilizam robôs de separação de produtos, veículos autônomos e sistemas inteligentes de roteamento, diminuindo o número de operadores humanos.

3. Serviços administrativos

Atividades de atendimento, contabilidade e processamento de dados estão sendo rapidamente substituídas por IA generativa e softwares de automação baseados em aprendizado de máquina.

4. Setor financeiro e jurídico

A automação de relatórios, a análise de risco automatizada e até mesmo a geração de documentos legais já são rotinas conduzidas por sistemas de IA, com grande impacto sobre bancários, analistas e paralegais.


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O contraponto: IA como criadora de oportunidades

Apesar do tom de alerta, especialistas lembram que a inteligência artificial também gera novas carreiras e amplia o campo da inovação tecnológica.

De acordo com o Fórum Econômico Mundial, as novas profissões digitais mais demandadas incluem:

  • Engenheiros de IA e aprendizado de máquina;
  • Analistas de dados e de segurança cibernética;
  • Especialistas em ética e governança de IA;
  • Treinadores de algoritmos e curadores de dados;
  • Profissionais de automação industrial e manutenção robótica.

O crescimento dessas funções reforça a ideia de que o trabalho humano não desaparecerá, mas passará por uma profunda transformação de habilidades.


O desafio da requalificação e da educação tecnológica

Um dos pontos centrais do relatório do Senado é a necessidade de investimento maciço em educação e treinamento técnico.

Os assessores destacam que, sem um plano nacional de requalificação, os trabalhadores deslocados pela automação terão dificuldades em se reinserir no mercado.

Programas de aprendizado ao longo da vida (lifelong learning) e parcerias entre universidades e empresas são apontados como fundamentais para garantir a adaptação da força de trabalho à economia digital.

Bernie Sanders defende a criação de uma “Lei de Transição Tecnológica Justa”, que ofereça cursos gratuitos de requalificação e incentivos fiscais a empresas que recontratarem trabalhadores treinados em novas funções tecnológicas.


Automação, desigualdade e concentração de renda

O avanço da automação sem regulação também traz riscos à concentração de riqueza. Grandes empresas de tecnologia tendem a se beneficiar desproporcionalmente dos ganhos de produtividade, enquanto os salários e a participação dos trabalhadores na renda nacional diminuem.

Economistas do MIT e da Universidade de Harvard já alertam que a automação pode ampliar a desigualdade, reduzindo a renda de quem ocupa funções médias e elevando apenas os rendimentos dos profissionais altamente qualificados.

O relatório de Sanders reforça esse ponto, afirmando que “sem redistribuição justa, a IA poderá aprofundar a desigualdade econômica e enfraquecer a classe média americana”.


Caminhos para um futuro equilibrado

inteligência artificial gera empregos
Imagem: Freepik

O estudo conclui que a inteligência artificial é inevitável, mas o modo como ela será implementada determinará seu impacto social. A criação de mecanismos regulatórios, proteções trabalhistas modernas e programas de requalificação serão essenciais para que o progresso tecnológico beneficie a sociedade de forma ampla.

Entre as medidas de equilíbrio apontadas estão:

  • Incentivos à inovação socialmente responsável;
  • Taxação progressiva sobre lucros obtidos com automação;
  • Criação de um “dividendo de produtividade” para trabalhadores afetados;
  • Promoção de empregos verdes e sustentáveis em setores emergentes, como energia limpa e economia circular.

Considerações finais

O relatório do Senado americano liderado por Bernie Sanders deixa claro que a revolução da inteligência artificial já começou e que o desafio principal não é impedir o avanço tecnológico, mas garantir que ele não destrua milhões de vidas e empregos.

A transformação digital exige um novo pacto entre governos, empresas e trabalhadores — um modelo em que a automação caminhe lado a lado com a justiça social.

Se o alerta de Sanders for ignorado, os EUA e o mundo podem assistir, até 2035, à maior reconfiguração do trabalho desde a Revolução Industrial — um cenário onde a inovação pode tanto libertar quanto excluir.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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