Duas cidades do Rio Grande do Sul ganharam destaque em um levantamento nacional sobre crescimento urbano. Venâncio Aires e Santa Cruz do Sul aparecem entre os dez municípios brasileiros que mais expandiram horizontalmente suas áreas com características urbanas entre 2019 e 2022.
Venâncio Aires ocupa a sétima posição, com acréscimo de 25,85 quilômetros quadrados. Santa Cruz do Sul está em décimo lugar, com expansão de 19,63 quilômetros quadrados.
Os dados fazem parte da pesquisa Áreas Urbanizadas do Brasil 2022, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 18 de agosto de 2026. O trabalho utiliza imagens de satélite para identificar construções, equipamentos, loteamentos e outras marcas da ocupação urbana.
Os números, entretanto, precisam ser interpretados corretamente. Estar entre as cidades que mais expandiram suas áreas urbanizadas não significa necessariamente ter registrado o maior aumento de população ou a economia que mais cresceu.
O levantamento mede o avanço físico da cidade sobre o território. Em outras palavras, mostra onde o espaço ocupado por edificações, ruas e equipamentos urbanos aumentou.
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Venâncio Aires e Santa Cruz do Sul são os únicos municípios do Rio Grande do Sul presentes entre as 20 maiores expansões horizontais identificadas pelo IBGE.
As duas cidades estão localizadas na região dos Vales e possuem relações econômicas, comerciais e de serviços bastante próximas.
Venâncio Aires ficou em sétimo lugar
Venâncio Aires registrou uma expansão de 25,85 quilômetros quadrados nas feições urbanizadas entre 2019 e 2022.
O resultado colocou o município à frente de capitais como Macapá e de importantes polos regionais, como Sinop, Caruaru, Feira de Santana e Camaçari.
Conhecida como Capital Nacional do Chimarrão, Venâncio Aires tinha 68.763 moradores no Censo Demográfico de 2022. A estimativa do IBGE para 2025 chegou a 70.842 habitantes.
O crescimento da área urbanizada, portanto, não ocorreu em uma das cidades mais populosas do país. Esse detalhe chama atenção para a forma como a ocupação territorial avançou no município.
Santa Cruz do Sul ficou em décimo lugar
Santa Cruz do Sul ampliou suas feições urbanizadas em 19,63 quilômetros quadrados. Com esse resultado, aparece na décima posição nacional.
O município funciona como um importante polo regional de comércio, saúde, educação, indústria e prestação de serviços. Essa influência alcança diversas cidades do Vale do Rio Pardo.
Assim como em Venâncio Aires, o indicador não permite afirmar sozinho por que a área urbana cresceu. Para identificar as causas, seria necessário combinar os mapas do IBGE com informações sobre novos bairros, empreendimentos, loteamentos, infraestrutura e mudanças no uso do solo.
O que significa crescimento urbano nesse levantamento?
A expressão crescimento urbano pode produzir a impressão de que o estudo mede apenas novos moradores. Não é isso que a pesquisa analisa.
O IBGE utiliza imagens de satélite para identificar o espaço ocupado por características associadas às cidades. Essas áreas são chamadas de feições urbanizadas.
A classificação inclui três grupos principais:
- áreas urbanizadas;
- outros equipamentos urbanos;
- vazios intraurbanos.
As áreas urbanizadas correspondem principalmente aos espaços ocupados por construções residenciais, comerciais e de serviços. Elas podem ser densas, quando as edificações estão mais próximas, ou pouco densas, quando a ocupação é mais espalhada.
Outros equipamentos urbanos incluem estruturas não residenciais situadas nas proximidades do tecido urbano, como universidades, aeroportos, centros comerciais, presídios e grandes instalações.
Os vazios intraurbanos são espaços sem construções localizados dentro de uma área cercada pela ocupação urbana. Parques, grandes terrenos, lagoas e outras áreas abertas podem entrar nessa classificação, dependendo de sua localização.
O levantamento também identifica loteamentos vazios, nos quais as ruas já foram implantadas, mas ainda existem poucas casas ou nenhuma ocupação consolidada.
Expansão horizontal é diferente de crescimento populacional
Uma cidade pode ampliar muito sua área ocupada sem receber um aumento populacional na mesma proporção.
Isso acontece quando a urbanização se torna mais espalhada. Novos bairros podem ser construídos longe das áreas centrais, com casas em terrenos maiores e menor concentração de moradores.
Também é possível haver expansão causada por instalações industriais, centros logísticos, universidades, grandes estabelecimentos comerciais ou equipamentos públicos.
Considere um exemplo hipotético. Dois municípios recebem 5 mil novos moradores. No primeiro, os novos habitantes ocupam prédios construídos em bairros já existentes. No segundo, são criados vários loteamentos de casas nas extremidades da cidade.
Embora tenham recebido a mesma quantidade de pessoas, o segundo município provavelmente apresentará uma expansão horizontal maior.
Por isso, os números de Venâncio Aires e Santa Cruz do Sul não devem ser apresentados como prova isolada de explosão populacional.
O que as imagens de satélite conseguem identificar?
O estudo do IBGE compara imagens de diferentes períodos para verificar onde apareceram novas marcas de ocupação.
Construções, conjuntos de ruas, galpões, grandes equipamentos e novos loteamentos alteram o padrão visual da superfície. Técnicos analisam essas mudanças e classificam as áreas de acordo com a metodologia da pesquisa.
O levantamento retrata a forma urbana observada em 2022. Embora tenha sido divulgado em agosto de 2026, ele não apresenta a situação atualizada até este ano.
Isso acontece porque pesquisas geográficas dessa dimensão exigem coleta, tratamento, interpretação e validação de uma quantidade muito grande de imagens e dados.
A publicação é relevante para observar o que mudou entre 2019 e 2022, mas novas expansões ocorridas depois desse período aparecerão somente em futuras atualizações.
Quais cidades lideram a expansão urbana no Brasil?
Brasília ocupa a primeira posição do ranking. Entre 2019 e 2022, suas feições urbanizadas aumentaram 72,08 quilômetros quadrados.
O resultado representa mais que o dobro da expansão de São Luís, no Maranhão, segunda colocada com 35,76 quilômetros quadrados.
Os 20 municípios com maior expansão foram:
- Brasília (DF): 72,08 km²;
- São Luís (MA): 35,76 km²;
- Teresina (PI): 35,15 km²;
- Ibiúna (SP): 33,02 km²;
- Palmas (TO): 29,18 km²;
- Vitória da Conquista (BA): 27,51 km²;
- Venâncio Aires (RS): 25,85 km²;
- Macapá (AP): 22,42 km²;
- Porto Seguro (BA): 19,78 km²;
- Santa Cruz do Sul (RS): 19,63 km²;
- Sinop (MT): 19,33 km²;
- Caruaru (PE): 17,36 km²;
- Camaçari (BA): 15,89 km²;
- Acará (PA): 15,46 km²;
- Feira de Santana (BA): 15,35 km²;
- Aquiraz (CE): 15,06 km²;
- Barcarena (PA): 14,47 km²;
- São Roque (SP): 14,32 km²;
- Mairinque (SP): 14,30 km²;
- Porto Nacional (TO): 14,19 km².
A lista reúne capitais, cidades turísticas, polos industriais, municípios ligados a corredores logísticos e centros regionais de diferentes portes.
Quanto a área urbana cresceu no Brasil?
Entre 2019 e 2022, as feições urbanizadas e os loteamentos vazios cresceram 12,27% no Brasil. O acréscimo foi de aproximadamente 5.955 quilômetros quadrados.
Em 2022, esses espaços somavam cerca de 53.925 quilômetros quadrados, o equivalente a 0,63% do território nacional.
Embora o percentual pareça pequeno, a dimensão é significativa. A soma de todas essas áreas supera o território de alguns países.
O Brasil possui grandes extensões rurais, florestais e de baixa ocupação. Por isso, a parcela fisicamente urbanizada representa uma fração reduzida do território, apesar de a maior parte da população viver em cidades.
Qual região apresentou o maior avanço?
O Nordeste liderou tanto em crescimento proporcional quanto em área acrescentada.
Entre 2019 e 2022, a região ampliou em aproximadamente 1.961 quilômetros quadrados suas feições urbanizadas e seus loteamentos vazios. A variação foi de 16,52%.
Na sequência aparecem:
- Sul: crescimento de 13,78%, com acréscimo de 1.341 km²;
- Centro-Oeste: aumento de 11,45%, equivalente a 571 km²;
- Norte: avanço de 11,16%, com aproximadamente 476 km²;
- Sudeste: crescimento de 9,09%, com acréscimo de 1.606 km².
O Sul teve a segunda maior expansão proporcional. A presença de Venâncio Aires e Santa Cruz do Sul entre os dez primeiros reforça o destaque de cidades médias e centros regionais nesse processo.
O Sudeste continua com a maior área urbanizada
Apesar de ter apresentado o menor crescimento proporcional entre 2019 e 2022, o Sudeste ainda concentra a maior parcela das feições urbanizadas e dos loteamentos vazios do Brasil.
Em 2022, a região possuía aproximadamente 19.062 quilômetros quadrados nessa classificação, o equivalente a 35,35% do total nacional.
Depois aparecem Nordeste, com 25,36%, Sul, com 20,44%, Centro-Oeste, com 10,15%, e Norte, com 8,7%.
Isso mostra a diferença entre tamanho acumulado e velocidade de expansão. O Sudeste continua sendo a região mais urbanizada em área absoluta, mas outras partes do país avançaram proporcionalmente mais no período analisado.
Por que cidades expandem horizontalmente?
O IBGE mapeia a transformação territorial, mas o ranking, sozinho, não determina as causas específicas de cada município.
Em geral, a expansão horizontal pode estar relacionada a diferentes fatores:
- criação de loteamentos;
- construção de conjuntos habitacionais;
- instalação de indústrias;
- abertura de centros logísticos;
- expansão de universidades;
- crescimento do turismo;
- valorização de terrenos periféricos;
- construção de condomínios;
- novas rodovias e acessos;
- deslocamento de moradores para áreas mais afastadas.
Em cidades regionais, a oferta de empregos, hospitais, universidades, comércio e serviços também pode atrair moradores de municípios vizinhos.
No caso de Venâncio Aires e Santa Cruz do Sul, qualquer conclusão sobre os fatores predominantes exigiria estudos locais. Não é adequado atribuir todo o resultado apenas à população, à indústria ou à abertura de loteamentos sem examinar os mapas e os registros municipais.
Crescer para os lados é positivo ou negativo?
A expansão urbana não é boa ou ruim por definição. O efeito depende de como ela é planejada.
Quando novos bairros surgem com infraestrutura, transporte, escolas, saneamento e acesso a serviços, o crescimento pode melhorar a oferta de moradia e acompanhar o desenvolvimento econômico.
Quando a ocupação ocorre de forma dispersa e sem planejamento, os custos para o município aumentam. A prefeitura precisa levar iluminação, pavimentação, coleta de lixo, postos de saúde e transporte a áreas cada vez mais distantes.
Uma cidade espalhada também pode exigir deslocamentos maiores. Isso aumenta o uso de automóveis, o tempo de viagem e as despesas das famílias com transporte.
Quais são os principais impactos para os moradores?
O avanço físico das cidades interfere diretamente na rotina da população.
Transporte e mobilidade
Novos bairros afastados exigem ampliação das linhas de ônibus, construção de vias e manutenção de distâncias maiores.
Sem transporte público adequado, moradores podem ficar mais dependentes de carros e motocicletas.
Saneamento básico
A expansão precisa ser acompanhada por redes de abastecimento de água, esgotamento sanitário e drenagem.
Construir moradias antes da chegada dessas estruturas pode criar problemas que demoram anos para ser resolvidos.
Escolas e serviços de saúde
O aumento da ocupação altera a demanda por creches, escolas, unidades de saúde e assistência social.
A prefeitura precisa saber onde os novos moradores estão para distribuir corretamente os equipamentos públicos.
Meio ambiente e drenagem
A substituição de solo permeável por asfalto e construções reduz a capacidade de absorção da água da chuva.
Sem planejamento, isso pode elevar o risco de alagamentos, erosão e ocupação de áreas ambientalmente frágeis.
Essa discussão tem peso especial no Rio Grande do Sul após eventos climáticos extremos. Mapear a expansão ajuda a evitar novas construções em locais sujeitos a enchentes ou deslizamentos.
O ranking indica qualidade de vida?
Não. A pesquisa não avalia diretamente qualidade de vida, renda, segurança, saneamento ou disponibilidade de serviços.
Uma cidade pode ampliar sua área urbana e continuar enfrentando problemas de infraestrutura. Outra pode crescer pouco horizontalmente, mas melhorar muito a qualidade dos bairros existentes.
Para avaliar as condições de vida, o ranking precisa ser combinado com outros indicadores, como:
- cobertura de esgoto;
- acesso à água;
- renda;
- mobilidade;
- oferta de serviços de saúde;
- educação;
- déficit habitacional;
- áreas verdes;
- tempo de deslocamento.
O levantamento mostra onde a cidade avançou fisicamente. Ele não diz, sozinho, se esse avanço ocorreu com qualidade.
Como os municípios podem utilizar esses dados?
Os mapas do IBGE podem auxiliar na elaboração e na revisão de políticas urbanas.
Entre as aplicações práticas estão:
- atualização do plano diretor;
- definição de zonas residenciais e industriais;
- planejamento do transporte coletivo;
- ampliação das redes de água e esgoto;
- localização de escolas e postos de saúde;
- proteção de áreas ambientais;
- prevenção de ocupações em zonas de risco;
- análise de novos loteamentos;
- planejamento da drenagem urbana.
O plano diretor é o instrumento que organiza como o território municipal pode ser ocupado. Ele define áreas de expansão, limites para construções e diretrizes para infraestrutura.
Em cidades que cresceram rapidamente para os lados, manter esse documento atualizado torna-se ainda mais importante.
O que o destaque das cidades gaúchas revela?
A presença de Venâncio Aires e Santa Cruz do Sul entre as dez maiores expansões brasileiras mostra uma transformação territorial relevante na região dos Vales.
Os dados não autorizam afirmar que os municípios tiveram o maior crescimento populacional do Rio Grande do Sul. Também não significam que toda a expansão ocorreu de forma planejada ou desordenada.
O que o estudo comprova é que novas feições urbanizadas passaram a ocupar uma área expressiva entre 2019 e 2022.
Agora, o desafio é entender onde esse avanço aconteceu, quais atividades o estimularam e se a infraestrutura acompanhou a ocupação.
Para moradores e gestores, o próximo passo é observar como os mapas aparecem nas decisões sobre mobilidade, moradia, saneamento e prevenção de riscos. O crescimento urbano só se transforma em desenvolvimento quando a expansão vem acompanhada de serviços e planejamento.
Perguntas frequentes

Quais cidades do RS mais expandiram suas áreas urbanizadas?
Venâncio Aires e Santa Cruz do Sul aparecem entre as dez maiores expansões do Brasil entre 2019 e 2022.
Quanto cresceu a área urbanizada de Venâncio Aires?
O município acrescentou 25,85 quilômetros quadrados de feições urbanizadas e ficou em sétimo lugar no ranking nacional.
Quanto cresceu Santa Cruz do Sul?
Santa Cruz do Sul registrou expansão de 19,63 quilômetros quadrados, ocupando a décima posição.
Qual cidade lidera o ranking nacional?
Brasília ficou em primeiro lugar, com aumento de 72,08 quilômetros quadrados nas feições urbanizadas.
Crescimento urbano significa aumento da população?
Não necessariamente. O indicador mede a expansão física da ocupação urbana, que pode incluir moradias, equipamentos, indústrias, loteamentos e outras estruturas.
De que período são os dados?
O levantamento compara 2019 e 2022. A publicação foi divulgada pelo IBGE em agosto de 2026.
Como o IBGE identifica as áreas urbanizadas?
O Instituto interpreta imagens de satélite e classifica construções, equipamentos, vazios intraurbanos e loteamentos conforme a metodologia da pesquisa.
A expansão urbana melhora a qualidade de vida?
Depende do planejamento. Quando acompanhada de transporte, saneamento, saúde e educação, pode trazer benefícios. Sem infraestrutura, pode ampliar desigualdades e problemas ambientais.
