O Ibovespa teve um dia de reação positiva nesta quinta-feira (26), impulsionado por fatores externos favoráveis, como o recuo do dólar e a estabilidade de commodities, e pelo índice IPCA‑15 abaixo do esperado.
Ibovespa sobe com alívio externo e IPCA-15 menor que previsto, apesar da queda no IOF
Ibovespa sobe com IPCA‑15 abaixo e derrubada do IOF, apesar de preocupações fiscais persistirem.
No entanto, as tensões fiscais permaneceram no radar, especialmente após o Congresso derrubar o decreto que elevava o IOF. Essa combinação de alívio nos preços e tensão política deu o tom da sessão matinal na Bolsa de Valores de São Paulo.
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Contexto do ambiente global

O humor positivo do mercado externo foi determinante para a alta do Ibovespa. Investidores mundiais se animaram com sinais de trégua no Oriente Médio e expectativas em torno da política monetária dos EUA, especialmente sobre movimentos no Federal Reserve, o banco central norte-americano. Como resultado:
- O petróleo subiu mais de 1%;
- O minério de ferro avançou 0,64%, segundo a bolsa de Dalian.
Esses ganhos refletiram em papéis de commodities na bolsa brasileira, impulsionando o índice.
A queda do IPCA‑15 dá fôlego à Bolsa
O IPCA‑15 de junho trouxe alívio: o índice subiu 0,26%, abaixo dos 0,36% de maio e abaixo da mediana das projeções, que era de 0,31%. Em 12 meses, o índice acumula 5,27%, ainda acima do teto da meta (4,5%), mas trazendo um respiro aos investidores. Segundo o economista Rodrigo Ashikawa, da Principal Asset, “hoje prevalece mais o resultado do IPCA‑15”.
O alívio desse indicador permitiu que o Ibovespa ganhasse fôlego, mesmo diante dos desdobramentos políticos.
Surpresa política: Congresso derruba o IOF
Ontem, o mercado foi surpreendido com a derrubada do decreto presidencial que elevava o IOF. A medida, aprovada por ampla maioria na Câmara (383 a 98) e confirmada no Senado, reverteu a decisão do governo Lula. Esse foi o primeiro decreto presidencial derrubado em 33 anos.
O resultado foi visto como inesperado por parte do mercado e provoca tensão entre Executivo e Legislativo. Ashikawa avalia que isso reacendeu o tom crítico em relação à pauta fiscal, que já vinha sendo suavizada no ano anterior.
Impactos fiscais e debates sobre austeridade
A derrubada do IOF demonstra a resistência do Congresso diante das políticas tributárias do governo. O imposto representava uma importante fonte de arrecadação — estimada em R$ 10 bilhões para 2025. Com sua revogação, a Fazenda terá que buscar outras formas de compensar a perda.
Enquanto isso, o Relatório de Política Monetária (RPM) do Banco Central continua apontando para inflação acima da meta (3%) até o final de 2027, além de manter um hiato de produto de 0,9% no primeiro trimestre. Esse cenário reforça a necessidade de ajuste fiscal ou monetário mais rígido nos próximos anos.
Dados de arrecadação mostram robustez tributária
Mesmo em meio ao impasse sobre o IOF, o governo teve um alívio na arrecadação: em maio, tributação federal somou R$ 230,152 bilhões — um aumento real de 7,66% em relação ao ano anterior. Esse resultado superou a expectativa média do mercado (R$ 220,886 bilhões).
Esse desempenho forte pode ajudar a mitigar os efeitos da perda com o IOF, mas não elimina a pressão por equilíbrio orçamentário.
Repercussão na Bolsa: Ibovespa reage
Às 11h32, o Ibovespa operava em forte valorização: alta de 0,91%, alcançando 137.003 pontos — partindo da mínima de 135.755,55 pontos. O movimento foi liderado por empresas ligadas ao ciclo econômico e commodities, beneficiadas pela combinação de cenário externo positivo, dólar enfraquecido e IPCA‑15 abaixo.
O que está por vir: riscos e oportunidades
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a) Fiscal
A reação do governo em função da revogação do IOF ainda é incerta. Analistas apontam que ajustes no Orçamento e novos contingenciamentos podem estar por vir — ou podem gerar rotatividade de medidas para recuperar receita.
b) Monetário
O BC continua cauteloso: o IPCA‑15 mostra alguns sinais de moderação, mas a inflação acumulada ainda está acima. O RPM indica que a taxa Selic deve permanecer elevada nos próximos anos.
c) Internacional
Relações comerciais globais e estabilidade no Oriente Médio seguirão influenciando o humor do mercado. A renovada especulação sobre o comando do Fed (com pressão de Trump sobre Powell) também merece atenção, com potencial impacto na aversão a risco global.
Oportunidades de investimento

Com a combinação de cenário externo favorável e inflação mais controlada no curto prazo, investidores podem mirar setores ligados a commodities e consumo cíclico. Entretanto, a volatilidade política e fiscal recomendam cautela:
- Empresas exportadoras podem se beneficiar com dólar e commodities em alta;
- Bancos e consumo interno podem se beneficiar de eventual estímulo monetário;
- No entanto, riscos fiscais persistentes mantêm a necessidade de estratégias defensivas.
O dia foi marcado por um contraste claro: indicadores econômicos e ambiente externo beneficiando o Ibovespa, enquanto atritos políticos e preocupações fiscais mantêm a atenção dos investidores. O mercado celebra o recuo do IPCA‑15 e o cenário global mais estável, sem ignorar a fragilidade do pacto fiscal e orçamentário.
