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Ibovespa sobe com alívio externo e IPCA-15 menor que previsto, apesar da queda no IOF

Ibovespa sobe com IPCA‑15 abaixo e derrubada do IOF, apesar de preocupações fiscais persistirem.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
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O Ibovespa teve um dia de reação positiva nesta quinta-feira (26), impulsionado por fatores externos favoráveis, como o recuo do dólar e a estabilidade de commodities, e pelo índice IPCA‑15 abaixo do esperado.

No entanto, as tensões fiscais permaneceram no radar, especialmente após o Congresso derrubar o decreto que elevava o IOF. Essa combinação de alívio nos preços e tensão política deu o tom da sessão matinal na Bolsa de Valores de São Paulo.

Leia mais: Ibovespa recua e dólar cai com tensão no Oriente Médio

Contexto do ambiente global

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Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

O humor positivo do mercado externo foi determinante para a alta do Ibovespa. Investidores mundiais se animaram com sinais de trégua no Oriente Médio e expectativas em torno da política monetária dos EUA, especialmente sobre movimentos no Federal Reserve, o banco central norte-americano. Como resultado:

  • O petróleo subiu mais de 1%;
  • O minério de ferro avançou 0,64%, segundo a bolsa de Dalian.

Esses ganhos refletiram em papéis de commodities na bolsa brasileira, impulsionando o índice.

A queda do IPCA‑15 dá fôlego à Bolsa

O IPCA‑15 de junho trouxe alívio: o índice subiu 0,26%, abaixo dos 0,36% de maio e abaixo da mediana das projeções, que era de 0,31%. Em 12 meses, o índice acumula 5,27%, ainda acima do teto da meta (4,5%), mas trazendo um respiro aos investidores. Segundo o economista Rodrigo Ashikawa, da Principal Asset, “hoje prevalece mais o resultado do IPCA‑15”.

O alívio desse indicador permitiu que o Ibovespa ganhasse fôlego, mesmo diante dos desdobramentos políticos.

Surpresa política: Congresso derruba o IOF

Ontem, o mercado foi surpreendido com a derrubada do decreto presidencial que elevava o IOF. A medida, aprovada por ampla maioria na Câmara (383 a 98) e confirmada no Senado, reverteu a decisão do governo Lula. Esse foi o primeiro decreto presidencial derrubado em 33 anos.

O resultado foi visto como inesperado por parte do mercado e provoca tensão entre Executivo e Legislativo. Ashikawa avalia que isso reacendeu o tom crítico em relação à pauta fiscal, que já vinha sendo suavizada no ano anterior.

Impactos fiscais e debates sobre austeridade

A derrubada do IOF demonstra a resistência do Congresso diante das políticas tributárias do governo. O imposto representava uma importante fonte de arrecadação — estimada em R$ 10 bilhões para 2025. Com sua revogação, a Fazenda terá que buscar outras formas de compensar a perda.

Enquanto isso, o Relatório de Política Monetária (RPM) do Banco Central continua apontando para inflação acima da meta (3%) até o final de 2027, além de manter um hiato de produto de 0,9% no primeiro trimestre. Esse cenário reforça a necessidade de ajuste fiscal ou monetário mais rígido nos próximos anos.

Dados de arrecadação mostram robustez tributária

Mesmo em meio ao impasse sobre o IOF, o governo teve um alívio na arrecadação: em maio, tributação federal somou R$ 230,152 bilhões — um aumento real de 7,66% em relação ao ano anterior. Esse resultado superou a expectativa média do mercado (R$ 220,886 bilhões).

Esse desempenho forte pode ajudar a mitigar os efeitos da perda com o IOF, mas não elimina a pressão por equilíbrio orçamentário.

Repercussão na Bolsa: Ibovespa reage

Às 11h32, o Ibovespa operava em forte valorização: alta de 0,91%, alcançando 137.003 pontos — partindo da mínima de 135.755,55 pontos. O movimento foi liderado por empresas ligadas ao ciclo econômico e commodities, beneficiadas pela combinação de cenário externo positivo, dólar enfraquecido e IPCA‑15 abaixo.

O que está por vir: riscos e oportunidades

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a) Fiscal

A reação do governo em função da revogação do IOF ainda é incerta. Analistas apontam que ajustes no Orçamento e novos contingenciamentos podem estar por vir — ou podem gerar rotatividade de medidas para recuperar receita.

b) Monetário

O BC continua cauteloso: o IPCA‑15 mostra alguns sinais de moderação, mas a inflação acumulada ainda está acima. O RPM indica que a taxa Selic deve permanecer elevada nos próximos anos.

c) Internacional

Relações comerciais globais e estabilidade no Oriente Médio seguirão influenciando o humor do mercado. A renovada especulação sobre o comando do Fed (com pressão de Trump sobre Powell) também merece atenção, com potencial impacto na aversão a risco global.

Oportunidades de investimento

IPCA Treasuries
Imagem: Jo Panuwat D / shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

Com a combinação de cenário externo favorável e inflação mais controlada no curto prazo, investidores podem mirar setores ligados a commodities e consumo cíclico. Entretanto, a volatilidade política e fiscal recomendam cautela:

  • Empresas exportadoras podem se beneficiar com dólar e commodities em alta;
  • Bancos e consumo interno podem se beneficiar de eventual estímulo monetário;
  • No entanto, riscos fiscais persistentes mantêm a necessidade de estratégias defensivas.

O dia foi marcado por um contraste claro: indicadores econômicos e ambiente externo beneficiando o Ibovespa, enquanto atritos políticos e preocupações fiscais mantêm a atenção dos investidores. O mercado celebra o recuo do IPCA‑15 e o cenário global mais estável, sem ignorar a fragilidade do pacto fiscal e orçamentário.

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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