O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, alcançou um marco inédito nesta terça-feira (20), encerrando o dia em 140.110 pontos um, recorde histórico. A alta de 0,34% veio em meio a um cenário de cautela internacional, influenciado pelo rebaixamento da nota de crédito dos Estados Unidos e pela expectativa de cortes nos juros norte-americanos. No mesmo dia, o dólar comercial subiu 0,26%, sendo negociado a R$ 5,6692, após atingir a máxima de R$ 5,6831.
Ibovespa atinge 140 mil pontos pela primeira vez na história; dólar avança a R$ 5,66
Ibovespa alcança 140 mil pontos e dólar sobe para R$ 5,66 em meio a tensões nos EUA e cortes de juros na China.
Enquanto os investidores locais celebram o desempenho da bolsa, os mercados globais continuam atentos às movimentações do Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, após a Moody’s rebaixar a nota de crédito americana. Essa movimentação reacendeu as incertezas sobre o equilíbrio fiscal e os rumos da política monetária no maior centro financeiro do mundo.
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Recorde na bolsa impulsiona confiança no mercado brasileiro

O desempenho do Ibovespa nesta sessão reflete a confiança dos investidores, que, apesar das turbulências externas, veem oportunidades no mercado nacional. O índice acumula:
- Alta de 0,32% na semana;
- Avanço de 3,38% no mês;
- Crescimento de 16,09% no ano.
O número reflete o apetite por ações brasileiras mesmo diante da volatilidade externa, com destaque para setores ligados a commodities e grandes bancos.
Dólar volta a subir com clima de incerteza internacional
Na contramão da bolsa, a moeda americana voltou a ganhar força frente ao real. A cotação do dólar fechou o dia com leve alta, acumulando:
- Variação positiva de 0,01% na semana;
- Queda de 0,14% no mês;
- Perda de 8,26% no acumulado de 2025.
Apesar da desvalorização no ano, a moeda reagiu ao rebaixamento da nota dos EUA e às incertezas em torno das decisões futuras do Fed.
Moody’s rebaixa nota dos EUA e preocupa investidores
A Moody’s, uma das principais agências de classificação de risco, rebaixou a nota de crédito dos Estados Unidos de “AAA” para “AA1”, além de revisar a perspectiva de “negativa” para “estável”. A justificativa central foi o aumento da dívida pública e a incapacidade do Congresso norte-americano de apresentar soluções sustentáveis para os crescentes déficits fiscais.
“As sucessivas administrações e o Congresso dos EUA falharam em chegar a um acordo sobre medidas para reverter a tendência de grandes déficits fiscais anuais e custos crescentes de juros”, afirmou a agência em comunicado.
Com uma dívida que ultrapassa US$ 36 trilhões, o ambiente fiscal americano se mostra cada vez mais preocupante, principalmente diante da proposta de Donald Trump para cortar impostos — medida que pode gerar até US$ 5 trilhões em novos passivos em dez anos.
Fed em alerta com inflação e incerteza política
As atenções também se voltam às sinalizações do Federal Reserve. O presidente da distrital de St. Louis, Alberto Musalem, alertou que a incerteza em relação às políticas de Trump pode gerar instabilidade econômica.
“Na medida em que a economia exige que os gastos de capital continuem ocorrendo, que exige que as contratações continuem ocorrendo, e se todas essas decisões foram de alguma forma suspensas devido à incerteza, isso afetaria a perspectiva econômica”, declarou Musalem.
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Ele ponderou que, embora ainda haja espaço para uma resposta equilibrada da política monetária, a manutenção das expectativas de inflação é essencial. Caso contrário, o banco central pode ser forçado a priorizar o combate aos preços, mesmo diante de uma economia mais fraca.
China tenta conter crise com corte nos juros
No outro lado do mundo, o Banco do Povo da China reduziu as taxas básicas de empréstimo para estimular a economia diante dos impactos da guerra comercial com os EUA. As taxas LPR (Loan Prime Rate) foram fixadas em:
- 3% para empréstimos de um ano;
- 3,5% para empréstimos de cinco anos.
Ambas as taxas atingiram os menores níveis desde a reestruturação do sistema, em 2019. A medida foi bem recebida pelos mercados asiáticos: o índice de Xangai subiu 0,38%, enquanto o CSI300 avançou 0,54%.
Guerra comercial volta ao centro do debate

Apesar de uma trégua provisória entre EUA e China com validade de 90 dias, o clima ainda é tenso. A ameaça de novas tarifas por parte do governo Trump reacendeu os temores de desaceleração global. Pequim instou Washington a agir com responsabilidade e preservar a estabilidade econômica internacional.
A possível retomada das negociações comerciais com a União Europeia, conforme noticiado pelo Financial Times, trouxe algum alívio. No entanto, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que o governo norte-americano não hesitará em aplicar tarifas aos países que não demonstrarem disposição para negociações “de boa fé”.
Com informações de: G1
