O mercado financeiro brasileiro encerrou a última sessão em clima de cautela. O Ibovespa recuou 0,70%, fechando aos 168.453,93 pontos, enquanto o dólar à vista avançou 0,55%, encerrando o dia cotado a R$ 5,11. O movimento refletiu principalmente a forte aversão ao risco observada nos mercados internacionais, especialmente nos Estados Unidos, onde os principais índices acionários registraram perdas expressivas.
Selic cai para 14,25% e influencia Ibovespa e dólar nesta sessão
Ibovespa recua 0,70%, dólar sobe a R$ 5,11 e mercado monitora juros, petróleo e acordo entre EUA e Irã.
Apesar da melhora do humor dos investidores nesta quinta-feira, impulsionada pela entrada em vigor de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, os mercados seguem atentos aos desdobramentos da política monetária americana, ao comportamento do petróleo e às decisões dos principais bancos centrais do mundo.
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Bolsas americanas pressionam mercados globais
O principal fator por trás da queda do Ibovespa foi o desempenho negativo de Wall Street. O Dow Jones caiu 0,97%, o S&P 500 perdeu 1,21% e o Nasdaq 100 recuou 0,99%.
O movimento foi desencadeado pela postura mais rígida do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos. Embora a autoridade monetária tenha mantido os juros inalterados, o comunicado divulgado após a reunião indicou uma preocupação maior com a inflação do que o mercado esperava.
Essa sinalização aumentou a percepção de que os juros americanos poderão permanecer elevados por mais tempo, reduzindo o apetite dos investidores por ativos de risco, especialmente em mercados emergentes como o Brasil.
Novo posicionamento do Fed gera preocupação
A principal surpresa veio do chamado “gráfico de pontos”, ferramenta utilizada para demonstrar as projeções dos membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc).
Segundo o documento, metade dos integrantes da autoridade monetária passou a defender uma política mais restritiva, descartando cortes de juros em 2025 e admitindo a possibilidade de novas altas caso a inflação permaneça resistente.
Além disso, o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, adotou um discurso firme em relação ao combate à inflação, reforçando que o objetivo prioritário continua sendo trazer os índices de preços para a meta de 2%.
Essa postura elevou a cautela global e pressionou os mercados acionários.
Trégua entre Estados Unidos e Irã reduz tensão no petróleo
Por outro lado, os investidores receberam uma notícia positiva no cenário geopolítico.
Estados Unidos e Irã assinaram eletronicamente um Memorando de Entendimento visando encerrar o conflito que vinha elevando as preocupações sobre o fornecimento global de petróleo.
A notícia provocou uma correção moderada nos preços da commodity, que vinha acumulando forte valorização devido aos riscos envolvendo o Oriente Médio.
Estreito de Ormuz continua no radar
Apesar do acordo, o mercado não considera a situação completamente resolvida.
O presidente americano Donald Trump afirmou durante encontros internacionais que a trégua ainda depende do comportamento futuro do governo iraniano. Paralelamente, autoridades do Irã indicaram a intenção de discutir novas taxas de trânsito no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa uma parcela significativa do petróleo mundial.
Mesmo com essas ressalvas, os investidores demonstraram alívio diante da perspectiva de normalização gradual do fluxo global de energia.
Copom reduz Selic e mantém cautela
No cenário doméstico, a atenção esteve voltada para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).
O Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando os juros básicos para 14,25% ao ano.
A decisão já era amplamente esperada pelo mercado, mas o comunicado trouxe elementos importantes para as expectativas futuras.
Banco Central revisa projeções de inflação
O Copom atualizou suas projeções e passou a estimar inflação de 3,7% no horizonte relevante do primeiro trimestre de 2028.
Embora tenha reforçado a necessidade de cautela, o Banco Central não sinalizou uma interrupção imediata do ciclo de flexibilização monetária, contrariando parte dos agentes financeiros que aguardavam uma postura mais conservadora.
Esse fator contribuiu para movimentações relevantes nos mercados de juros futuros.
Governo avalia mudanças em subsídios aos combustíveis
Com a possibilidade de estabilização do petróleo próximo de US$ 80 por barril após a trégua geopolítica, integrantes da equipe econômica passaram a discutir alterações em medidas temporárias adotadas para o setor energético.
Representantes do Ministério da Fazenda indicaram que o governo poderá reavaliar subsídios aos combustíveis e também o imposto de exportação do petróleo após um período de observação de aproximadamente 30 dias.
A medida busca equilibrar arrecadação fiscal e controle de preços internos, dois temas que seguem no centro das discussões econômicas.
Tensão política entre Brasil e Estados Unidos repercute no mercado
No campo político, declarações do presidente americano Donald Trump chamaram atenção dos investidores.
Ao classificar o Brasil como um país “politicamente perigoso”, Trump provocou uma reação imediata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que respondeu defendendo a soberania nacional e criticando possíveis interferências externas.
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Embora o impacto econômico imediato tenha sido limitado, episódios diplomáticos costumam ser acompanhados de perto pelos investidores devido ao potencial efeito sobre relações comerciais e fluxos de investimento.
Dólar sobe e mantém viés de atenção
O dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 5,11, refletindo o fortalecimento global da moeda americana após as sinalizações do Federal Reserve.
Segundo análises técnicas do mercado, o USD/BRL permanece em uma faixa de negociação entre R$ 5,04 e R$ 5,18.
No curto prazo, o viés segue levemente altista, mas a tendência mais ampla ainda aponta para uma trajetória de enfraquecimento da moeda americana caso o cenário internacional apresente maior estabilidade.
Mini Ibovespa futuro: tendência ainda inspira cautela
No mercado futuro, a região dos 168.400 pontos passou a ser observada como suporte relevante para o contrato do mini índice.
De acordo com análises técnicas amplamente acompanhadas pelos traders, a faixa entre 173.500 e 174.500 pontos continua funcionando como importante zona de resistência.
Enquanto o índice permanecer abaixo desse patamar, o mercado mantém predominância de sinais baixistas, exigindo cautela dos investidores que operam no curto prazo.
Agenda econômica do dia

Os investidores acompanham uma agenda carregada de indicadores internacionais que podem gerar volatilidade ao longo do pregão.
Reino Unido
- 08h00: Decisão da taxa de juros do Banco da Inglaterra
Estados Unidos
- 09h30: Índice de Atividade Industrial Fed Filadélfia (junho)
- 09h30: Pedidos iniciais por seguro-desemprego
- 11h00: Índice de Indicadores Antecedentes (maio)
- 14h00: Contagem de Sondas Baker Hughes
- 17h00: Transações líquidas de longo prazo (abril)
- 17h30: Balanço patrimonial do Federal Reserve
Japão
- 20h50: IPC Nacional (maio)
- 20h50: Atas da reunião de política monetária do Banco do Japão
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
