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Ibovespa amplia perdas com IPCA-15 e pesquisas eleitorais no radar dos investidores

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 7 min de leitura
Ibovespa

O Ibovespa opera em queda nesta sexta-feira (25), pressionado principalmente pela divulgação do IPCA-15 de setembro, que mostrou uma aceleração da inflação acima das expectativas do mercado. O resultado aumenta a atenção dos investidores sobre a trajetória dos juros no Brasil.

Por volta das 11h50, o principal índice da Bolsa brasileira recuava 0,65%, aos 182.771 pontos, atingindo o menor nível em cerca de três semanas.

No câmbio, o movimento também chama atenção e influencia o desempenho do Ibovespa. O dólar avançava 0,26%, cotado a R$ 5,2051, mesmo com a moeda norte-americana recuando no exterior. O índice DXY, que acompanha o dólar diante de uma cesta de moedas fortes, caía cerca de 0,30%.

Além da inflação, os investidores acompanham, de olho no Ibovespa, o comportamento do petróleo, do minério de ferro, dos juros futuros e as novas informações relacionadas ao cenário eleitoral de 2026.

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IPCA-15 sobe 0,70% e supera expectativas

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O principal fator doméstico no radar do mercado nesta sexta-feira é o resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15).

O indicador registrou alta de 0,70% em setembro, depois de ter apresentado queda de 0,40% no mês anterior. O resultado também ficou acima da previsão de economistas consultados pela Reuters, que esperavam avanço de 0,53%.

O IPCA-15 é considerado uma prévia da inflação oficial brasileira e é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Embora não determine sozinho o comportamento da Bolsa, o indicador é acompanhado de perto porque pode modificar as expectativas para a política monetária.

Por que a inflação preocupa os investidores?

Uma inflação mais pressionada pode dificultar o processo de redução dos juros, dependendo da composição e da persistência dos aumentos de preços.

Isso afeta diretamente as expectativas para a taxa Selic e, consequentemente, diversos ativos financeiros. Juros elevados aumentam o custo de financiamento das empresas e podem tornar aplicações de renda fixa mais atrativas em relação à renda variável.

Por isso, números de inflação acima das projeções costumam provocar ajustes nas curvas de juros e nas avaliações das empresas.

A Selic está atualmente em 13,75% ao ano, após os cortes realizados pelo Banco Central nas reuniões de agosto e setembro de 2026.

Juros futuros apresentam leve queda

Apesar da surpresa negativa provocada pelo IPCA-15, os juros futuros apresentavam uma pequena redução nesta sexta-feira.

Por volta do meio-dia, os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em 2028 eram negociados a aproximadamente 13,660%, uma baixa de 0,11%.

O comportamento mostra que os investidores analisam o conjunto de informações disponíveis, e não apenas um indicador isolado.

Além da inflação corrente, entram nessa avaliação as expectativas para os próximos meses, a atividade econômica, as contas públicas e as sinalizações do Banco Central.

Bancos sobem enquanto o Ibovespa recua

A queda do Ibovespa não significa que todas as ações estejam em baixa.

Os papéis de bancos apresentam desempenho positivo nesta sessão. As ações do Itaú Unibanco, uma das empresas de maior peso do índice, subiam aproximadamente 0,50% no horário analisado.

O desempenho das instituições financeiras é influenciado por fatores como expectativas para crédito, inadimplência, margens financeiras e trajetória dos juros.

Assim, diferentes setores podem reagir de maneiras distintas aos mesmos indicadores econômicos.

Petróleo recua e pressiona ações da Petrobras

Outro fator que pesa sobre o mercado acionário é a queda do petróleo.

O barril do Brent, referência internacional, era negociado perto de US$ 104,94, com baixa de aproximadamente 1,66% nesta sexta-feira.

A movimentação afeta diretamente empresas do setor, principalmente a Petrobras.

As ações preferenciais da companhia recuavam cerca de 1,5%, enquanto os papéis ordinários apresentavam queda de aproximadamente 1,3%.

Na sessão anterior, o petróleo havia subido cerca de 3%, em meio às incertezas envolvendo as negociações entre Estados Unidos e Irã e a possibilidade de normalização da navegação pelo Estreito de Ormuz.

Vale acompanha mercado de minério de ferro

As ações da Vale também operam próximas da estabilidade, com leve queda de aproximadamente 0,21%.

Na China, o contrato de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian, com vencimento em janeiro, avançou 0,07%, para 712 yuans por tonelada.

O comportamento da commodity é relevante para a Vale devido à forte exposição da companhia ao mercado internacional de minério de ferro.

Além dos preços do produto, investidores acompanham principalmente as perspectivas para a economia chinesa, um dos principais mercados consumidores da matéria-prima.

Pesquisa eleitoral também entra no radar

O cenário político brasileiro é outro elemento acompanhado pelo mercado nesta sexta-feira.

Uma nova pesquisa Datafolha divulgada nesta semana apresentou um cenário de segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) com diferença pequena entre os candidatos.

O levantamento citado na reportagem aponta 47% para Lula e 45% para Flávio Bolsonaro nesse cenário.

Pesquisas eleitorais podem ser acompanhadas pelos investidores porque propostas relacionadas a política fiscal, gastos públicos, impostos, dívida e atuação das instituições econômicas podem afetar expectativas para a economia.

Os resultados das pesquisas, entretanto, representam um retrato do período em que foram realizadas e não determinam o comportamento futuro dos mercados ou o resultado de uma eleição.

Dólar sobe mesmo com moeda americana em queda no exterior

O câmbio também demonstra a influência de fatores domésticos sobre os ativos brasileiros.

Enquanto o DXY recuava cerca de 0,30%, o dólar avançava 0,26% diante do real, chegando a R$ 5,2051.

A diferença entre os movimentos mostra que a cotação da moeda não depende apenas da força global do dólar.

Expectativas sobre juros, inflação, situação fiscal, fluxo de investimentos e cenário político podem influenciar a relação entre o real e a moeda norte-americana.

O que o mercado acompanha agora?

Depois da divulgação do IPCA-15, os investidores devem continuar monitorando os próximos indicadores de inflação e atividade econômica, além das declarações do Banco Central.

O petróleo também permanece no radar devido às tensões geopolíticas e aos impactos que alterações relevantes na commodity podem provocar sobre inflação, combustíveis e empresas do setor.

No ambiente doméstico, a evolução das expectativas fiscais e econômicas também deve continuar influenciando juros, câmbio e Bolsa.

Já no campo eleitoral, novas pesquisas e, principalmente, a apresentação das propostas econômicas dos candidatos podem ganhar espaço no monitoramento dos investidores à medida que a eleição de 2026 se aproxima.

Ibovespa pode continuar oscilando?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A movimentação de um único pregão não é suficiente para estabelecer uma tendência de longo prazo para o Ibovespa.

O índice reúne empresas de diferentes setores e responde simultaneamente a fatores domésticos e internacionais. Inflação, juros, atividade econômica, resultados corporativos, commodities, fluxo estrangeiro e cenário fiscal estão entre os principais elementos observados pelo mercado.

Nesta sexta-feira, a combinação de inflação acima das expectativas, petróleo em queda, movimentação do dólar e acompanhamento do cenário eleitoral contribui para um ambiente de maior cautela.

Conclusão

O Ibovespa encerra a semana sob pressão diante da inflação acima das expectativas, da queda do petróleo e das incertezas que ainda cercam o cenário econômico e eleitoral. Para os próximos pregões, investidores devem acompanhar os novos indicadores de preços, as sinalizações do Banco Central e o comportamento das commodities.

A combinação desses fatores pode continuar provocando oscilações na Bolsa, especialmente em setores mais sensíveis aos juros e ao mercado externo. Por isso, os próximos dados econômicos serão importantes para definir as expectativas do mercado em relação aos juros, ao dólar e ao desempenho das ações brasileiras.

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