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Semana tem Ata do Copom, IPCA e inflação dos EUA entre os principais destaques

Os mercados financeiros iniciam a semana sob influência de uma combinação de fatores que atravessa Brasil e exterior. Na última semana, o Ibovespa caiu 3,1% em reais e 3,2% em dólares, encerrando o período aos 172.455 pontos, enquanto os juros futuros recuaram diante da queda dos rendimentos dos títulos americanos e das expectativas para a […]

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 13 min de leitura
Ibovespa

Os mercados financeiros iniciam a semana sob influência de uma combinação de fatores que atravessa Brasil e exterior. Na última semana, o Ibovespa caiu 3,1% em reais e 3,2% em dólares, encerrando o período aos 172.455 pontos, enquanto os juros futuros recuaram diante da queda dos rendimentos dos títulos americanos e das expectativas para a política monetária.

Ao mesmo tempo, o petróleo voltou a ganhar força com as incertezas envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte internacional de energia. No Brasil, a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho, a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e novos indicadores de atividade devem concentrar a atenção dos investidores, enquanto o Ibovespa reage às expectativas para juros e inflação.

No exterior, os mercados acompanham os dados de inflação dos Estados Unidos, a evolução das negociações envolvendo Irã e Estados Unidos e a temporada de balanços corporativos. A combinação desses eventos pode influenciar o desempenho do Ibovespa, além das expectativas para juros, câmbio, commodities e bolsas ao longo dos próximos dias.

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O que pressionou o Ibovespa na última semana?

Ibovespa
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O Ibovespa encerrou a semana passada em queda de 3,1% em reais e de 3,2% em dólares. A diferença entre os dois resultados ocorreu mesmo com uma desvalorização de apenas 0,2% do real no período.

O desempenho do Ibovespa mostrou a sensibilidade da Bolsa brasileira ao ambiente internacional, especialmente diante das oscilações do petróleo, dos juros americanos e das incertezas geopolíticas.

Entre as ações, Fleury foi o principal destaque positivo. O papel FLRY3 avançou 10,8% depois que os resultados do segundo trimestre reforçaram a percepção de uma execução operacional sólida.

Na direção oposta, Marcopolo teve queda de 15,1%. Os resultados do segundo trimestre foram pressionados por um mix de produtos menos favorável, custos mais elevados de matérias-primas e efeitos cambiais.

O movimento deixa uma mensagem relevante para o investidor: mesmo em uma semana de pressão sobre o Ibovespa, o desempenho das empresas pode ser bastante diferente conforme os resultados apresentados e as perspectivas específicas de cada companhia. O comportamento do Ibovespa também evidencia como fatores externos podem ampliar a volatilidade do mercado brasileiro.

Juros futuros caem no Brasil e nos Estados Unidos

O mercado de renda fixa também apresentou uma semana de queda nas taxas dos contratos futuros de juros, movimento que ajudou a influenciar as expectativas para o Ibovespa.

Nos Estados Unidos, o movimento foi favorecido por indicadores econômicos mais fracos e pela redução das tensões geopolíticas. A Treasury de dois anos terminou o período em 4,19%, enquanto o título de dez anos ficou em 4,64%. O rendimento do título de 30 anos encerrou a semana em 5,19%.

No Brasil, a queda dos rendimentos dos títulos americanos, a redução dos preços do petróleo e as expectativas relacionadas à política monetária contribuíram para o recuo dos juros futuros e seguem no radar do Ibovespa.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 terminou a semana em 13,75%. O DI janeiro de 2029 fechou em 14,04%, enquanto o contrato para janeiro de 2031 terminou em 14,28%.

Nas NTN-Bs, títulos públicos indexados à inflação, houve pouca alteração. A NTN-B 2028 encerrou a semana com taxa de 8,23%, ante 8,27% anteriormente. A NTN-B 2035 ficou em 8,13%, enquanto a NTN-B 2050 terminou em 7,67%.

Inflação passa a ser o principal foco do mercado

A agenda econômica brasileira ganha força com a divulgação do IPCA de julho.

O indicador é acompanhado de perto porque mede a variação de preços para as famílias e é a principal referência do regime de metas de inflação. Segundo o calendário oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o resultado de julho estava programado para ser divulgado em 11 de agosto.

Até junho, o IPCA acumulava trajetória de desaceleração em relação aos meses anteriores. O índice havia registrado alta de 0,16% em junho, depois de avançar 0,58% em maio.

Além do resultado cheio, investidores devem observar especialmente o comportamento dos alimentos, serviços e medidas de inflação subjacente. Esses componentes ajudam a avaliar se uma eventual desaceleração dos preços é disseminada ou concentrada em itens mais voláteis.

Por que o IPCA importa para os investimentos?

Uma inflação mais persistente pode reduzir o espaço para cortes de juros, enquanto uma desaceleração consistente tende a melhorar as condições para a política monetária e influenciar as expectativas para o Ibovespa.

O efeito chega a diferentes classes de ativos. Juros menores, por exemplo, podem favorecer ações e fundos imobiliários, enquanto alterações nas expectativas de inflação também afetam diretamente os títulos públicos indexados ao IPCA. Esse movimento também pode repercutir sobre o Ibovespa, especialmente em empresas mais sensíveis às condições de crédito.

Por isso, o resultado mensal do índice não deve ser analisado isoladamente. O mercado costuma observar também a composição da inflação e a trajetória acumulada, fatores que podem influenciar a direção do Ibovespa ao longo das próximas sessões.

Copom e política monetária continuam no radar

A política monetária brasileira segue como outro ponto central da agenda.

O Copom utiliza as informações de inflação, atividade econômica, expectativas e condições financeiras para definir a taxa Selic. Em suas comunicações recentes, o Banco Central tem destacado a necessidade de cautela diante das incertezas externas e do comportamento dos preços, fatores que também podem influenciar o Ibovespa.

A ata da reunião é relevante porque detalha os argumentos utilizados pelos integrantes do Comitê e ajuda o mercado a interpretar os próximos passos da política monetária.

Para os investidores, o ponto principal será entender como o Banco Central avalia a relação entre inflação, atividade econômica e riscos externos, especialmente em um ambiente marcado pela volatilidade das commodities.

Mercados globais começam a semana em alta

Nos Estados Unidos, os futuros do S&P 500 e do Nasdaq 100 operam em alta, enquanto os investidores aguardam novos dados de inflação, movimento que também pode influenciar as expectativas para o Ibovespa.

O movimento ocorre depois de o S&P 500 renovar sua máxima histórica na semana anterior, sustentado principalmente pelo desempenho das empresas de tecnologia e pela expectativa de continuidade do crescimento dos lucros corporativos.

Na Europa, o Stoxx 600 apresenta pouca variação, com setores de tecnologia e mineração entre os destaques positivos. Empresas automotivas e do setor de mídia aparecem entre as maiores pressões.

Na Ásia, o desempenho foi majoritariamente positivo. O Nikkei 225, no Japão, avançou 1,4%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, subiu 0,6%. Na China, o CSI 300 ganhou 0,2% e o Hang Seng avançou cerca de 1%. O desempenho das bolsas internacionais também permanece no radar do Ibovespa, diante da influência dos mercados globais sobre os ativos brasileiros.

Petróleo volta a subir com tensão sobre o Estreito de Ormuz

O petróleo voltou ao centro das atenções diante das incertezas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, cenário que pode aumentar a volatilidade do Ibovespa.

A região é estratégica para o mercado global de energia. Qualquer restrição prolongada ao transporte de petróleo e gás pode aumentar os custos de frete, elevar o prêmio de risco das commodities e pressionar a inflação em diferentes economias.

Na segunda-feira, o Brent avançava cerca de 1%, enquanto o WTI subia aproximadamente 0,8%, de acordo com os dados apresentados no relatório de mercado. Ao longo da terça-feira, novas oscilações foram registradas diante das informações desencontradas sobre as negociações envolvendo Irã e Estados Unidos.

O chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou que Teerã não mantinha negociações diretas com Washington, embora as mensagens fossem transmitidas por intermediários. A incerteza sobre um eventual acordo contribuiu para manter o petróleo volátil.

Para os mercados, o principal risco está na duração das restrições e no impacto que uma interrupção prolongada poderia provocar sobre a oferta global de energia, com possíveis reflexos sobre o Ibovespa.

China apresenta sinais diferentes na indústria e no consumo

Os indicadores chineses também entram no radar dos investidores.

Os dados apresentados no relatório apontam para uma economia com desempenho desigual: enquanto exportações e indústria continuam fortes, a demanda doméstica permanece mais fraca.

Esse tipo de combinação é relevante para o Brasil porque a China é um dos principais destinos das exportações brasileiras de commodities. Mudanças na atividade chinesa podem afetar preços e volumes de produtos como minério de ferro, petróleo e produtos agrícolas.

Para os mercados emergentes, portanto, os indicadores chineses funcionam como um termômetro adicional para avaliar a demanda global por matérias-primas.

IFIX recua e fundos imobiliários sentem pressão

O Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (IFIX) terminou a semana passada em queda de 1,24%.

A pressão foi mais forte nos fundos de tijolo, que recuaram 1,22%, enquanto os fundos de recebíveis tiveram queda de 0,59%.

Entre os fundos de tijolo, as lajes corporativas apresentaram uma das maiores perdas, de 1,98%. Os fundos de fundos (FOFs) e estratégias multiestratégia também recuaram de forma significativa.

O comportamento está relacionado à sensibilidade desses ativos às taxas de juros. Quando os juros de longo prazo permanecem elevados ou sobem, investimentos de renda fixa passam a oferecer maior concorrência aos fundos imobiliários.

Na ponta positiva, BTAL11 avançou 3,7%, PVBI11 subiu 2,6% e TRXF11 ganhou 1,8%. Entre as maiores quedas, CACR11 recuou 3,2%, VRTM11 caiu 1,8% e BBIG11 perdeu 1,6%.

Empresas entram na temporada de balanços

A temporada de resultados continua movimentando ações específicas.

WEG mantém recomendação neutra

A WEG segue no radar após a atualização das estimativas para a companhia. A avaliação considera uma perspectiva positiva para o crescimento de longo prazo, especialmente em segmentos ligados à eletrificação, transmissão e distribuição de energia.

A expansão da capacidade produtiva, porém, não deve necessariamente se transformar imediatamente em receita. Processos de homologação, aumento gradual da produção e ciclos de entrega podem criar um intervalo entre o investimento e a geração efetiva de vendas.

A análise apresentada mantém recomendação neutra para WEGE3 e estabelece preço-alvo de R$ 52 por ação para o fim de 2027.

Fleury mantém desempenho operacional positivo

O Fleury também chamou atenção depois da divulgação dos resultados do segundo trimestre.

A companhia apresentou execução considerada sólida, mas a perspectiva para o segundo semestre é acompanhada com maior cautela diante de uma base de comparação mais elevada.

Entre os temas discutidos pela administração estão as perspectivas para o crescimento no segundo semestre, o desempenho do negócio Lab-to-Lab, os investimentos e a depreciação.

A avaliação apresentada mantém recomendação neutra para FLRY3.

FIIs: HGBS11 e HGLG11 movimentam o mercado

Entre os fundos imobiliários, dois negócios chamam atenção.

O HGBS11 anunciou um compromisso para comprar os 75% restantes do Shopping Jaraguá Araraquara, em São Paulo, por aproximadamente R$ 216,3 milhões. Se concluída, a operação fará o fundo alcançar 100% de participação no empreendimento.

O negócio considera um cap rate de 9% sobre o resultado operacional líquido projetado para os 12 meses seguintes ao fechamento. A operação é avaliada como positiva sob o ponto de vista qualitativo, embora o impacto financeiro seja considerado neutro na análise apresentada.

Já o HGLG11 concluiu a venda do HGLG Itapevi I e de um terreno adjacente por R$ 119,8 milhões.

O valor representa prêmio de 7,9% em relação ao último laudo de avaliação e ganho de 59% sobre o capital investido na aquisição dos imóveis.

Do total negociado, R$ 101,7 milhões foram recebidos à vista. Os R$ 18,1 milhões restantes têm pagamento previsto para julho de 2028, corrigido pelo IPCA.

ESG: novas regras para o biometano entram no radar

No campo ambiental e regulatório, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou uma nova resolução para aperfeiçoar as regras de especificação e controle de qualidade do biometano.

A norma substitui as Resoluções ANP nº 886/2022 e nº 906/2022 e incorpora mudanças identificadas durante a aplicação da regulamentação anterior.

O objetivo é ampliar a flexibilidade regulatória em situações específicas e contribuir para o desenvolvimento do mercado de biometano, mantendo parâmetros de segurança operacional.

O tema ganha relevância diante da expansão das discussões sobre fontes alternativas de energia e da busca por combustíveis com menor intensidade de carbono.

O que o investidor deve acompanhar nesta semana?

A agenda reúne eventos capazes de provocar movimentos importantes nos mercados.

Entre os principais pontos estão:

  • divulgação do IPCA de julho pelo IBGE;
  • ata e comunicações do Banco Central sobre a política monetária;
  • dados de inflação dos Estados Unidos;
  • evolução das negociações envolvendo Irã e Estados Unidos;
  • comportamento do petróleo;
  • novos indicadores de atividade econômica no Brasil;
  • resultados de empresas americanas, incluindo companhias de tecnologia;
  • evolução dos mercados acionários globais.

O conjunto desses eventos deve ajudar a definir as expectativas para juros, inflação, câmbio e ativos de risco.

O que pode acontecer com bolsa, juros e fundos imobiliários?

Ibovespa
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Não existe uma única direção para os mercados diante desse conjunto de fatores.

Uma inflação mais comportada pode favorecer a perspectiva de flexibilização monetária e melhorar o ambiente para ativos de risco. Por outro lado, petróleo mais caro pode aumentar as pressões inflacionárias e dificultar a queda dos juros.

Na Bolsa, os resultados corporativos continuam sendo um fator importante para diferenciar empresas. Já nos fundos imobiliários, a trajetória dos juros de longo prazo permanece especialmente relevante para os preços das cotas.

No exterior, a combinação entre inflação americana, atividade econômica e tensões geopolíticas continuará determinando boa parte do comportamento dos ativos.

Conclusão

A semana começou com os investidores dividindo a atenção entre inflação, juros e geopolítica.

No Brasil, a divulgação do IPCA de julho e os sinais do Banco Central são fundamentais para as expectativas sobre a política monetária. Na Bolsa, os resultados corporativos mostram que o desempenho pode variar significativamente entre empresas, mesmo em períodos de queda do índice.

No exterior, o petróleo e o Estreito de Ormuz permanecem entre os principais pontos de risco. Ao mesmo tempo, os dados de inflação dos Estados Unidos podem alterar as expectativas para os próximos passos do Federal Reserve.

Para quem acompanha investimentos, o mais relevante será observar não apenas o resultado isolado de cada indicador, mas a combinação entre inflação, juros, atividade econômica, commodities e cenário internacional.

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