A implementação da Reforma Tributária continua avançando no sistema fiscal brasileiro. Desta vez, as mudanças alcançam o Bilhete de Passagem Eletrônico (BP-e), documento utilizado pelas empresas de transporte de passageiros para registrar suas operações.
Novas regras para IBS e CBS avançam na implementação do BP-e
Nova Nota Técnica adapta o BP-e à Reforma Tributária com regras para IBS, CBS, cashback e novas validações fiscais.
A publicação da Nota Técnica 2026.002 marca mais uma etapa da adaptação dos documentos fiscais eletrônicos ao novo modelo tributário criado pela Emenda Constitucional 132/2023 e regulamentado pela Lei Complementar 214/2025.
As atualizações incluem novas exigências relacionadas ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e ao mecanismo de cashback tributário, além de ajustes em regras de validação e preenchimento de informações fiscais.
A medida reforça a preparação do ambiente tributário nacional para a transição gradual que ocorrerá nos próximos anos.
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O que é o BP-e

O Bilhete de Passagem Eletrônico (BP-e) é o documento fiscal digital utilizado para registrar serviços de transporte de passageiros.
Ele substituiu os antigos bilhetes impressos em papel e permite maior controle das operações realizadas por empresas do setor.
O documento é utilizado em diferentes modalidades de transporte.
Entre elas:
- Transporte rodoviário de passageiros;
- Transporte aquaviário;
- Transporte multimodal.
Além de facilitar a fiscalização, o BP-e contribui para a modernização dos processos tributários e para a integração entre empresas e órgãos arrecadadores.
O que muda com a nova Nota Técnica
A Nota Técnica 2026.002 introduz uma série de alterações voltadas à adequação do documento ao novo sistema tributário.
As mudanças complementam adaptações que já vinham sendo implementadas desde publicações anteriores.
Inclusão de informações sobre IBS e CBS
Um dos principais pontos da atualização é a ampliação dos campos destinados aos novos tributos da Reforma Tributária.
O BP-e passará a exigir informações específicas relacionadas:
- Ao IBS;
- À CBS;
- À forma de cálculo dos tributos;
- À identificação de operações sujeitas às novas regras.
Essa adaptação é considerada fundamental para a futura substituição gradual dos tributos atualmente existentes.
Novas regras de validação
A atualização também traz aperfeiçoamentos nas validações realizadas pelos sistemas fiscais.
Na prática, haverá maior controle sobre:
- Preenchimento de informações tributárias;
- Coerência dos dados enviados;
- Aplicação correta das alíquotas;
- Identificação de situações específicas previstas em lei.
O objetivo é reduzir inconsistências e aumentar a segurança das informações transmitidas aos fiscos.
IBS e CBS ganham espaço na rotina das empresas
A implementação do IBS e da CBS é uma das mudanças mais significativas da Reforma Tributária.
Os dois tributos foram criados para simplificar o sistema de cobrança sobre o consumo no Brasil.
O que é o IBS
O Imposto sobre Bens e Serviços substituirá tributos atualmente cobrados por estados e municípios.
Ele deverá ocupar gradualmente o espaço de impostos como:
- ICMS;
- ISS.
O que é a CBS
A Contribuição sobre Bens e Serviços substituirá tributos federais ligados ao consumo.
Entre eles:
- PIS;
- Cofins.
A expectativa do governo é reduzir a complexidade do sistema tributário e aumentar a transparência da cobrança.
Cashback tributário passa a integrar o BP-e
Outra novidade importante é a inclusão de informações relacionadas ao cashback tributário.
O mecanismo está entre as principais inovações previstas na Reforma Tributária.
Como funciona o cashback
O modelo prevê a devolução de parte dos tributos pagos por determinados grupos de consumidores.
A intenção é reduzir o impacto da carga tributária sobre famílias de menor renda.
Embora a regulamentação completa ainda esteja em desenvolvimento, os sistemas fiscais já começam a incorporar a estrutura necessária para viabilizar essa operação.
Novos campos no documento
A Nota Técnica prevê a inclusão de informações relacionadas:
- Ao percentual de devolução;
- À identificação de operações elegíveis;
- Ao registro dos valores relacionados ao cashback.
Essa adaptação será essencial para o funcionamento futuro do modelo.
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Áreas de Livre Comércio terão tratamento diferenciado
A atualização também contempla situações específicas envolvendo Áreas de Livre Comércio.
Nesses casos, determinadas operações poderão contar com tratamento tributário diferenciado.
Alíquota zero da CBS
O novo documento passa a prever campos específicos para operações sujeitas à alíquota zero da CBS.
A medida busca garantir conformidade com as regras especiais aplicáveis a determinadas regiões do país.
Essas áreas possuem incentivos fiscais voltados ao desenvolvimento econômico regional.
Empresas precisarão atualizar sistemas
Especialistas alertam que as mudanças exigirão adaptações importantes por parte das empresas e desenvolvedores de software fiscal.
Atualização de ERPs
Os sistemas de gestão empresarial precisarão incorporar os novos campos e validações exigidos pela legislação.
Empresas que não realizarem as adequações poderão enfrentar:
- Rejeição de documentos fiscais;
- Erros de transmissão;
- Problemas de conformidade tributária.
Capacitação das equipes
Além das mudanças tecnológicas, profissionais das áreas fiscal, financeira e contábil precisarão se familiarizar com as novas exigências.
A correta interpretação das regras será fundamental para evitar inconsistências.
Reforma Tributária amplia transformação digital do sistema fiscal
A adaptação do BP-e faz parte de um processo muito mais amplo de modernização tributária.
Nos últimos anos, o Brasil consolidou diversos documentos fiscais eletrônicos que hoje desempenham papel central na fiscalização e arrecadação.
Com a chegada do IBS e da CBS, esses sistemas passam a assumir novas funções relacionadas ao controle dos tributos criados pela reforma.
O que esperar nos próximos meses

A expectativa é que novas notas técnicas sejam publicadas para outros documentos fiscais eletrônicos utilizados pelas empresas brasileiras.
A tendência é que NF-e, NFC-e, CT-e e demais sistemas também recebam atualizações contínuas para acomodar as exigências do novo modelo tributário.
Para contribuintes e profissionais da área fiscal, acompanhar essas mudanças será cada vez mais importante.
A publicação da Nota Técnica 2026.002 demonstra que a transição para a Reforma Tributária já está em andamento e que empresas de todos os setores precisarão se preparar para uma nova realidade fiscal nos próximos anos.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
