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iFood afirma que entregadores trabalham 31,1 horas mensais pelo app

iFood apresenta seu novo portal de dados, mostrando que entregadores trabalham em média 31,1 horas mensais. A iniciativa surge em meio a discussões sobre a regulamentação do setor

Djamilla Ribeiro MartinsPor Djamilla Ribeiro Martins5 min de leitura
iFood

O iFood, uma das principais plataformas de entrega de alimentos e mercados do Brasil, lançou recentemente um novo recurso chamado “Portal de Dados”. Este portal tem como objetivo oferecer transparência sobre a atuação dos entregadores no aplicativo e foi apresentado em um evento realizado em Brasília. 

A revelação mais impactante é a diminuição da média de horas trabalhadas pelos entregadores, que caiu de 33,8 horas mensais em 2022 para 31,1 horas em 2023. Essa mudança ocorre em um contexto de crescente pressão para regulamentar as atividades dos trabalhadores em aplicativos.

Leia mais: Entregador do iFood: saiba quanto você pode faturar em 2024

O Que é o Portal de Dados?

Uma Nova Ferramenta de Transparência

O Portal de Dados do iFood é uma plataforma que reúne informações sobre o perfil dos entregadores, suas atividades e o impacto dos benefícios oferecidos pela empresa. O lançamento desse portal visa promover uma discussão mais fundamentada sobre as condições de trabalho dos entregadores e contribuir para a formulação de políticas públicas mais eficazes.

Conteúdo Disponível

A plataforma oferece dados administrativos e estatísticos que permitem um melhor entendimento sobre o funcionamento da entrega por aplicativo. Esses dados são essenciais para que a sociedade e os formuladores de políticas compreendam a realidade enfrentada pelos trabalhadores do setor.

A logo do iFood sobreposta numa imagem que mostra um entregador, com uma bolsa vermelha nas costas, dirigindo uma moto.
Imagem: Tricky_Shark / shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

Mudanças nas Horas Trabalhadas

Redução na Média de Horas

De acordo com os dados apresentados, a média de horas trabalhadas pelos entregadores caiu significativamente. Em 2022, os entregadores passavam, em média, 33,8 horas por mês no aplicativo, enquanto em 2023 esse número caiu para 31,1 horas. Esse dado é crucial para entender as dinâmicas de trabalho dentro da plataforma.

Perfil dos Entregadores

Outro dado relevante é o aumento no número de entregadores ativos na plataforma. Em 2022, havia uma média de 193,5 mil entregadores, que cresceu para 243,5 mil em 2023. Essa mudança indica um crescimento na força de trabalho, mas também levanta questões sobre a sustentabilidade das jornadas e a remuneração.

Ganhos e Remuneração

Aumento no Ganho Bruto

Entre 2022 e 2023, o iFood reportou um aumento de 9,2% no ganho bruto médio por hora dos entregadores. A remuneração bruta mensal para uma jornada de 20 horas semanais passou de R$ 1.901,60 em 2022 para R$ 2.076,80 em 2023. Para aqueles que trabalham 40 horas por semana, o ganho bruto mensal subiu de R$ 3.803,20 para R$ 4.153,60.

Comparação com o Salário Mínimo

Os dados indicam que os ganhos dos entregadores superam o salário mínimo nacional, que foi de R$ 1.212 em 2022 e R$ 1.320 em 2023. Isso é um ponto importante a ser considerado nas discussões sobre a regulamentação do trabalho em aplicativos.

Perspectivas para a Regulamentação

O Contexto Atual

O lançamento do Portal de Dados ocorre em um momento crítico, com negociações em andamento para a regulamentação das atividades dos trabalhadores em aplicativos. Em março de 2023, o governo enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei que abrange os motoristas de aplicativos, mas não inclui os serviços de entrega como os oferecidos pelo iFood e Rappi.

Expectativas para o Futuro

Os representantes do iFood esperam que as discussões sobre a regulamentação sejam retomadas em 2025. A empresa acredita que a regulamentação é necessária, mas defende que os entregadores sejam reconhecidos como trabalhadores autônomos e que a plataforma deve contribuir para um ambiente mais justo e transparente.

Desafios na Regulamentação

Dados Cruzados

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Um dos principais desafios discutidos é a necessidade de criar uma plataforma que possa cruzar dados de todos os aplicativos. Isso é fundamental para uma regulamentação eficaz que leve em consideração a jornada de trabalho e a renda dos entregadores, que frequentemente atuam em múltiplas plataformas ao mesmo tempo.

Contribuição Previdenciária

Outro ponto importante é a proposta de uma alíquota de contribuição previdenciária de 7,5%, prevista no projeto de lei. O iFood considera que essa alíquota é muito similar às condições da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e pode não ser adequada para trabalhadores autônomos que têm jornadas variáveis e rendimentos muitas vezes incertos.

Implicações para os Entregadores

Variação na Renda

É importante destacar que, embora os números gerais pareçam positivos, a realidade de cada entregador pode ser muito diferente. Muitos entregadores trabalham em múltiplas plataformas, o que pode resultar em jornadas longas, mas com rendimentos que variam consideravelmente.

Percepções de Trabalho

O estudo do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) mostrou que 52% dos trabalhadores de aplicativos dependem da entrega como sua única fonte de renda. No entanto, muitos deles trabalham em mais de um aplicativo ao mesmo tempo, o que indica uma complexidade na regulamentação que precisa ser abordada.

celular com iFood
Imagem: Leonidas Santana/ Shutterstock

Considerações Finais

O lançamento do Portal de Dados do iFood representa um passo importante em direção à transparência e à responsabilidade social dentro do setor de entregas por aplicativo. À medida que as discussões sobre regulamentação avançam, é crucial que todas as partes envolvidas considerem as realidades complexas enfrentadas pelos entregadores. 

A expectativa é que os dados disponíveis na nova plataforma ajudem a fundamentar as políticas públicas necessárias para garantir um ambiente de trabalho mais justo e sustentável para esses trabalhadores.

Imagem: Leonidas Santana/ shutterstock.com

Djamilla Ribeiro Martins

Autor

Djamilla Ribeiro Martins

Djamila Martins é formada em Tecnologia em Gestão Empresarial (Processos Gerenciais) pela FATEC de Santos, Licenciada em Letras pelo Instituto Federal de São Paulo e também graduada em Pedagogia pela Universidade de Marília. Com uma base sólida em educação e gestão, alia conhecimento técnico e sensibilidade didática para contribuir com conteúdos informativos, acessíveis e confiáveis no portal Seu Crédito Digital, com foco em cidadania, economia e serviços públicos.

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