O iFood, maior plataforma de delivery da América Latina, está em fase avançada de negociações para adquirir a Alelo, líder no mercado de benefícios corporativos como vale-refeição e vale-alimentação. A possível transação, estimada entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões, envolve o Bradesco e o Banco do Brasil, que atualmente controlam a empresa.
iFood negocia aquisição da Alelo para liderar setor de vales corporativos
iFood negocia aquisição da Alelo por até R$ 6 bi e mira liderança no setor de benefícios corporativos com nova regulação.
No entanto, a concretização do negócio depende de um novo marco regulatório, que deve ser anunciado pelo governo federal nas próximas semanas. As mudanças previstas incluem a imposição de um teto nas taxas cobradas dos estabelecimentos comerciais e a redução do prazo de pagamento aos restaurantes, hoje de até 30 dias.
A operação pode redefinir a dinâmica do setor de benefícios, que movimenta bilhões de reais e é hoje dominado por grandes instituições financeiras. Para o iFood, o negócio é estratégico: visa ampliar sua presença no dia a dia do consumidor e fidelizar ainda mais os restaurantes parceiros, seu principal elo comercial.
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O fator regulatório: um gatilho decisivo

Segundo fontes próximas às negociações, a nova regulação é o elemento-chave para o avanço da aquisição. A expectativa é que o governo federal imponha limites claros às taxas praticadas pelas operadoras de benefícios e estabeleça prazos mais curtos para repasse dos valores aos estabelecimentos comerciais, sobretudo os pequenos restaurantes.
Essas mudanças têm potencial para reduzir drasticamente a atratividade do setor para os bancos, que, até agora, tratavam o segmento como uma verdadeira “vaca leiteira” (cash cow), com alto retorno e baixa concorrência.
“Com o novo cap para o setor, vai ser muito mais um jogo de conveniência e serviço para o usuário e para as empresas — e o balcão dos bancos vai fazer bem menos diferença”, disse uma fonte envolvida nas tratativas.
Alelo: uma gigante dos benefícios
A Alelo possui cerca de 6 milhões de usuários e ocupa a liderança em um mercado disputado por nomes como Ticket, Sodexo, VR e a própria operação de benefícios do iFood, lançada em 2020. A aquisição colocaria o iFood em posição dominante, com um ecossistema completo de entrega e pagamento.
A incorporação da Alelo permitiria ao iFood expandir rapidamente sua base de usuários e reforçar o relacionamento com empresas contratantes e consumidores finais.
Estratégia do iFood: frequência e fidelização
Para o iFood, a motivação vai além da competição com bancos e operadoras tradicionais. O uso de vale-refeição está diretamente associado a maior frequência de pedidos por parte dos usuários, o que representa um diferencial relevante em seu modelo de negócio.
Com uma carteira robusta de clientes usando benefícios, o iFood pode aumentar o ticket médio por usuário, reduzir a rotatividade e criar soluções mais integradas com empresas — um movimento semelhante ao que vem sendo feito por fintechs e plataformas digitais que buscam verticalizar suas operações.
O que ganham Bradesco e Banco do Brasil?
A possível venda também interessa aos atuais acionistas da Alelo. O Bradesco, especialmente, enfrenta desafios relacionados a capital e liquidez, com forte pressão sob as normas de Basileia. A entrada de recursos com a venda da Alelo representaria alívio no balanço e reforço na estratégia de reestruturação conduzida por Marcelo Noronha, CEO do banco.
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Já o Banco do Brasil, ainda que em situação mais confortável, também teria vantagens ao se desfazer de um ativo cuja rentabilidade pode ser comprimida com a nova regulação.
Setor de benefícios em transformação

A discussão sobre a regulação do setor de vales não é nova. Propostas para reduzir as taxas de operação e modernizar os meios de pagamento estão no radar do governo desde 2023. Com a intensificação das críticas por parte dos estabelecimentos comerciais e da sociedade civil, o tema ganhou urgência.
Hoje, empresas do setor chegam a cobrar taxas superiores a 5% sobre cada transação, além de demorar semanas para repassar os valores aos comerciantes. Essa lógica tem sido alvo de questionamentos, especialmente após a massificação do Pix, que criou novas referências de agilidade e custo no mercado de pagamentos.
O futuro dos vales corporativos
A possível aquisição da Alelo pelo iFood marca o início de uma nova fase no setor de benefícios. Mais do que um movimento de mercado, trata-se de uma redefinição da lógica de atuação no segmento, onde tecnologia, agilidade e experiência do usuário passarão a ser diferenciais decisivos.
Caso o negócio avance, o iFood poderá transformar um setor historicamente dominado por grandes bancos em um ambiente mais digital, competitivo e centrado no consumidor.
Com informações de: Exame INSIGHT
