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Taxa de R$ 3,30 no iFood gera revolta entre entregadores

Entregadores de Campinas anunciam paralisação contra o iFood entre 12 e 14 de setembro em protesto ao modelo “subpraça”. Entenda os impactos e a disputa.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa5 min de leitura
iFood

Os entregadores de Campinas (SP) anunciaram uma paralisação entre os dias 12 e 14 de setembro, em protesto contra o novo modelo de entregas do iFood, chamado “subpraça” ou +Entrega. A mobilização prevê motociatas até shoppings e ao escritório da plataforma, suspensão das entregas na região e até aulas públicas para conscientizar a população sobre as mudanças impostas pelo aplicativo. O movimento busca chamar a atenção para a queda dos ganhos e para a perda de autonomia dos trabalhadores, que alegam estar cada vez mais submetidos ao controle da plataforma.

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O que é a subpraça e por que gera controvérsia

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Imagem: Leonidas Santana/ shutterstock.com

Como funciona a subpraça

O modelo de subpraça segmenta as cidades em pequenas regiões delimitadas pelo aplicativo. O entregador só pode trabalhar dentro da sua área definida, reduzindo a flexibilidade de deslocamento. Segundo o iFood, o sistema aumenta a previsibilidade e permite ao trabalhador ter ganhos mais estáveis, já que o cálculo considera não apenas a taxa por entrega, mas também um valor fixo por hora de disponibilidade.

As críticas dos entregadores

Para os entregadores, a subpraça significa perda de autonomia e remuneração menor. O pagamento anunciado é de R$ 3,30 por entrega, enquanto os valores reajustados em abril indicavam R$ 7,50 para motociclistas e R$ 7,00 para ciclistas. Além disso, os grevistas afirmam que o modelo força a aceitação de todas as corridas e restringe a área de trabalho.

Voz dos trabalhadores

Gênesis Benedito da Silva, organizador do movimento

Um dos líderes da paralisação, Gênesis Benedito da Silva, 47 anos, afirma que a subpraça amplia o controle sobre os entregadores.

“Segmenta as regiões de operação, que ficam pequenas. O pagamento por entrega de R$ 3,30 viola o valor reajustado pelo iFood em abril”, critica.

Silva também destaca que a mobilização deve contar com apoio de trabalhadores de outras cidades como São Paulo, Sorocaba e Mogi Guaçu.

“É difícil reunir o pessoal, mas não é impossível”, reforça.

Classificação e níveis dentro do aplicativo

O sistema de classificação do iFood divide os entregadores em níveis (1, 2 e 3). Os grevistas afirmam que, na prática, os níveis mais baixos só conseguem atuar dentro da subpraça, ficando limitados no acesso a melhores corridas.

A posição oficial do iFood

Justificativa do aplicativo

Em nota, o iFood defendeu o modelo +Entrega como uma forma de oferecer “maior previsibilidade e segurança nos ganhos”. A empresa afirma que os R$ 3,30 representam apenas parte da remuneração, somando-se ao valor por hora de disponibilidade. Segundo a companhia, em Campinas os entregadores que aderiram ao modelo teriam um ganho médio 40% superior.

Adesão voluntária ou obrigatória?

O iFood sustenta que a adesão à subpraça é opcional e está sendo implementada de forma gradual em várias regiões do Brasil. Porém, lideranças dos entregadores contestam, alegando que a escolha não é real: trabalhadores de níveis mais baixos não conseguem acesso a outros formatos.

Cálculos divergentes sobre a remuneração

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Imagem: bugphai/freepik

Segundo cálculos divulgados pelos organizadores da paralisação em Campinas, em um turno de três horas com cinco entregas, o valor total recebido seria de aproximadamente R$ 45. Contudo, esse valor só seria alcançado se o entregador não recusasse nenhum pedido e permanecesse na área restrita definida pelo aplicativo. Na prática, muitos trabalhadores afirmam que os ganhos reais ficam abaixo do prometido e que a carga de controle e pressão psicológica aumentou desde a adoção da subpraça.

Mobilizações anteriores e contexto nacional

Histórico de protestos

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Os motoboys já realizaram outras manifestações contra políticas do iFood. Em agosto, durante um evento de gastronomia promovido pela empresa no São Paulo Expo, entregadores organizaram um protesto em frente ao local, buscando visibilidade para suas demandas. Além disso, em diferentes estados, trabalhadores relatam situações de humilhação, constrangimento público e até agressões durante entregas, o que intensifica a insatisfação com as condições de trabalho.

A importância das paralisações regionais

As paralisações locais, como a que ocorrerá em Campinas, ganham relevância porque servem de termômetro para futuras mobilizações nacionais. Movimentos como o Breque dos Apps, em 2020, mostraram que a categoria pode organizar greves de grande impacto em todo o país.

Impactos para consumidores e para a empresa

O que pode mudar para os clientes

Durante os dias da paralisação, consumidores em Campinas podem enfrentar atrasos, indisponibilidade de entregas e aumento na taxa dinâmica devido à baixa oferta de entregadores ativos.

Efeitos para o iFood

Para o iFood, a paralisação representa não apenas perdas temporárias, mas também um desafio de reputação. A adesão de entregadores de diferentes cidades pode ampliar o desgaste da imagem da empresa e pressioná-la a rever políticas de remuneração.

Perspectivas futuras

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Imagem: Sidney de Almeida/ Shutterstock.com

O embate entre entregadores e iFood em Campinas evidencia o conflito crescente entre plataformas digitais e trabalhadores. De um lado, as empresas defendem modelos de maior controle e previsibilidade; de outro, os entregadores exigem autonomia, remuneração justa e condições dignas. O resultado da paralisação pode influenciar tanto negociações futuras com o iFood quanto o debate mais amplo sobre regulação do trabalho em aplicativos no Brasil.

Conclusão

A paralisação dos entregadores de Campinas contra a subpraça do iFood marca mais um capítulo da luta por direitos no setor de entregas por aplicativo. A disputa entre previsibilidade prometida pela empresa e autonomia defendida pelos trabalhadores pode definir os rumos da categoria nos próximos anos. O desfecho dessa mobilização poderá ecoar para além da cidade, atingindo todo o debate nacional sobre trabalho de plataforma.

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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