A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu na última quinta-feira (11) aplicar uma das penas mais severas já impostas a um ex-presidente da República.
Supremo condena Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão
STF condena Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por trama golpista; decisão inclui militares e ex-ministros.
Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão em regime fechado, acusado de envolvimento em uma trama golpista que visava abolir de forma violenta o Estado Democrático de Direito.
Além de Bolsonaro, outros sete aliados também receberam penas expressivas. Entre os crimes atribuídos estão organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado por violência, deterioração de patrimônio tombado e grave ameaça.
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Dosimetria definiu as penas

O julgamento entrou em sua fase final, conhecida como dosimetria da pena, quando os ministros do STF determinam a duração das condenações. Por 4 votos a 1, a maioria dos integrantes da Primeira Turma reconheceu a gravidade das acusações e aplicou penas que somam décadas de prisão aos réus.
Apesar da definição, a prisão imediata não será executada. Os condenados ainda podem recorrer da decisão em instâncias superiores, o que adia a execução da pena até o esgotamento dos recursos.
Bolsonaro já estava inelegível
É importante destacar que Jair Bolsonaro já se encontrava inelegível desde junho de 2023, em decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Além disso, o ex-presidente cumpre atualmente prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes.
A nova condenação reforça sua situação jurídica e torna ainda mais distante qualquer possibilidade de retorno à vida política ativa.
Regime especial de prisão para militares
Outro ponto que chamou atenção no julgamento foi a definição do regime de prisão. Como parte dos condenados são oficiais das Forças Armadas e delegados da Polícia Federal, a legislação prevê prisão especial.
De acordo com o Código de Processo Penal (CPP), militares de alta patente e autoridades policiais não são enviados a presídios comuns. Esse privilégio pode gerar debates sobre a isonomia no cumprimento de penas, mas segue a legislação em vigor.
Quem são os condenados além de Bolsonaro
O núcleo da denúncia envolveu militares de alto escalão e ex-integrantes do governo Bolsonaro. Confira a lista dos condenados:
- Walter Braga Netto – general do Exército, ex-ministro e candidato a vice de Bolsonaro em 2022;
- Augusto Heleno – general, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
- Almir Garnier – almirante, ex-comandante da Marinha;
- Mauro Cid – tenente-coronel, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
- Alexandre Ramagem – delegado da PF, deputado federal e ex-diretor da Abin;
- Anderson Torres – delegado da PF, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF;
- Paulo Sérgio Nogueira – general, ex-ministro da Defesa.
Crimes atribuídos a Alexandre Ramagem
O deputado federal Alexandre Ramagem foi condenado por três crimes:
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- organização criminosa armada;
- tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- golpe de Estado.
Ele foi beneficiado pela suspensão de parte das acusações, respondendo a três dos cinco crimes apresentados pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Condenação fortalece combate ao golpismo

A decisão do STF marca um divisor de águas na democracia brasileira. Pela primeira vez na história, um ex-presidente foi condenado a uma pena tão longa por atentar contra as instituições.
A sentença busca reforçar que ações de conspiração contra a ordem democrática terão punições rigorosas, independentemente do cargo ocupado.
O que acontece agora?
Apesar da sentença, Bolsonaro e os demais réus não serão presos de imediato. Eles têm o direito de recorrer, e apenas após a rejeição definitiva dos recursos a prisão poderá ser executada.
Caso confirmada, a decisão poderá representar o fim da trajetória política de Jair Bolsonaro, além de estabelecer um precedente importante no combate a tentativas de golpe de Estado no Brasil.
Com informações de: Agência Brasil
