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iFood entra nas entregas de compras fora do app e amplia corridas ao longo do dia

O iFood está ampliando sua atuação no comércio eletrônico brasileiro ao transformar a própria estrutura de entregas em um serviço que pode ser utilizado por empresas que vendem fora do aplicativo. Batizada de Envios iFood, a solução permite que lojas, farmácias, mercados, pet shops e outros estabelecimentos acionem a rede logística da companhia para pedidos […]

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
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O iFood está ampliando sua atuação no comércio eletrônico brasileiro ao transformar a própria estrutura de entregas em um serviço que pode ser utilizado por empresas que vendem fora do aplicativo. Batizada de Envios iFood, a solução permite que lojas, farmácias, mercados, pet shops e outros estabelecimentos acionem a rede logística da companhia para pedidos realizados em sites, aplicativos e outros canais próprios.

O serviço foi apresentado durante o iFood Move 2026 e já alcançou 500 mil entregas em aproximadamente um mês e meio de operação. A companhia projeta chegar a 1 milhão de entregas no mês seguinte.

A estratégia coloca o iFood em uma disputa que vai além do delivery de refeições: a chamada última milha do comércio eletrônico, etapa que conecta o estoque do vendedor ao endereço do consumidor.

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Como funciona o Envios iFood

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Imagem gerada por IA/ Seu Crédito Digital

A principal diferença do novo serviço é que o consumidor não precisa comprar pelo aplicativo do iFood.

Imagine uma pequena loja de roupas que recebe uma venda em seu próprio site. Em vez de contratar separadamente uma empresa de entregas, o comerciante pode integrar sua operação ao Envios iFood e utilizar a rede logística da companhia para levar o produto até o comprador.

O mesmo conceito pode ser aplicado a uma farmácia que vende pelo próprio aplicativo ou a um pet shop que recebe pedidos por canais digitais. O iFood fica responsável pela etapa logística, enquanto a venda continua sendo realizada diretamente pelo estabelecimento.

Segundo informações divulgadas pela empresa, o serviço oferece entregas no mesmo dia e pode ter opções a partir de uma hora, dependendo da operação e da localização. Mais de mil parceiros já estavam habilitados para utilizar a solução no início da expansão.

Pequenas empresas entram na disputa pela entrega rápida

Um dos objetivos do Envios iFood é reduzir uma barreira que tradicionalmente favorece grandes marketplaces.

Empresas de maior porte conseguem investir em centros de distribuição, sistemas próprios de roteirização e grandes redes de transporte. Para um pequeno comércio, montar uma estrutura semelhante pode representar um custo elevado.

Ao disponibilizar sua infraestrutura logística, o iFood tenta permitir que negócios menores ofereçam prazos de entrega mais curtos sem precisar construir toda essa estrutura internamente.

A solução também acompanha uma mudança no comportamento do consumidor. A expectativa de receber produtos rapidamente, antes concentrada em grandes plataformas de comércio eletrônico, passou a fazer parte da competição entre diferentes tipos de varejistas.

Nuvemshop é uma das portas de entrada

Para alcançar pequenos e médios lojistas, o iFood aposta na integração com plataformas de comércio eletrônico já utilizadas pelos comerciantes.

Uma das parcerias anunciadas envolve a Nuvemshop, que atende mais de 180 mil marcas. Nesse modelo, a logística do iFood pode ser integrada ao processo de compra e apresentada como uma alternativa de entrega ao consumidor durante o fechamento do pedido.

Também fazem parte da estratégia empresas que já possuem algum relacionamento com o iFood, mas mantêm canais próprios de venda.

Essa integração é relevante porque permite separar duas etapas que normalmente ficam concentradas na mesma plataforma: a empresa continua responsável por vender e administrar sua loja virtual, enquanto terceiriza a logística de última milha.

O que significa ship from store?

O Envios iFood também aposta no modelo conhecido como ship from store, ou envio a partir da loja.

Nesse formato, o produto não precisa sair de um grande centro de distribuição. O pedido pode ser separado em uma unidade física que já possui o item em estoque e, posteriormente, encaminhado ao consumidor.

Para o varejista, isso pode transformar lojas físicas em pontos de distribuição próximos dos clientes. Um estabelecimento que possui determinada mercadoria em estoque pode utilizá-la para atender uma compra feita pela internet na mesma cidade.

O modelo pode ser especialmente útil para produtos de pequeno porte, justamente o segmento inicialmente priorizado pelo Envios iFood. A empresa pretende ampliar gradualmente os tipos de produtos e os modais utilizados conforme a operação crescer.

Rede de entregadores pode ganhar novas corridas

A expansão também tem impacto potencial sobre os entregadores.

A demanda do delivery de comida costuma apresentar concentração nos horários de almoço e jantar. Ao incorporar pedidos de outros segmentos, a empresa busca preencher períodos em que a procura por entregas pode ser menor.

O iFood afirma que, em escala, o Envios pode elevar em 20% os ganhos dos 600 mil entregadores ativos ao ampliar a quantidade de corridas disponíveis ao longo do dia. Trata-se, porém, de uma projeção da companhia, e não de um aumento já garantido para todos os profissionais.

Nos testes iniciais, a empresa informou ter identificado aumento de renda entre entregadores participantes, mas ainda sem apresentar um percentual consolidado que permita afirmar que a projeção de 20% já esteja sendo alcançada.

iFood quer transformar logística em novo negócio

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A expansão ocorre dentro de um movimento maior do iFood para diversificar suas atividades.

A companhia anunciou investimentos de R$ 24 bilhões no Brasil até março de 2027, destinados a áreas como logística, inteligência artificial, serviços financeiros, supermercados e farmácias. O valor representa aumento de 41% em relação ao ciclo anterior, segundo informações divulgadas pela empresa.

Nesse contexto, o Envios iFood permite aproveitar uma infraestrutura construída originalmente para o delivery e colocá-la a serviço de empresas que não necessariamente utilizam o marketplace.

A companhia informa ter cerca de 600 mil entregadores ativos e realizar mais de 50 milhões de entregas mensais em sua operação logística.

O desafio será manter velocidade e eficiência à medida que aumentarem a quantidade de pedidos, os tipos de produtos e os tamanhos das encomendas. Mercadorias maiores, por exemplo, exigem outros veículos e processos diferentes daqueles usados para pequenas entregas em motocicletas.

Imagem: Reprodução

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