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iFood lança nova taxa e pega consumidores de surpresa na “guerra do delivery”

iFood cria nova taxa de R$ 0,99 sem aviso prévio e gera revolta entre consumidores. Entenda os impactos no mercado e a guerra do delivery.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
iFood lança nova taxa e pega consumidores de surpresa na “guerra do delivery”

O mercado de delivery no Brasil vive dias turbulentos. De forma silenciosa e sem qualquer comunicado direto aos usuários, o iFood passou a cobrar uma nova taxa fixa de R$ 0,99 em todos os pedidos feitos pela plataforma. Até mesmo os assinantes do Clube iFood, que pagam mensalidade para obter descontos, não escaparam da cobrança.

A novidade, que apareceu de surpresa na tela de finalização dos pedidos, gerou uma onda de críticas nas redes sociais. A cobrança aparece sob a descrição de “taxa de serviço”, algo que até então era aplicado apenas em pedidos de baixo valor.

A falta de transparência na implementação foi o estopim para uma série de questionamentos. Afinal, para uma empresa que detém cerca de 80% do mercado de delivery no Brasil, muitos esperavam mais clareza na comunicação.

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Uma cobrança silenciosa e impopular

iFood
Imagem: Diego Thomazini / shutterstock.com

Ausência de aviso gera revolta

O iFood, que até então liderava o setor praticamente sem grandes ameaças, agora enfrenta desgaste na imagem. A nova taxa foi implantada de forma discreta, sem qualquer tipo de notificação prévia aos clientes — o que muitos consideraram uma prática abusiva.

“Descobri na hora de pagar. Achei que era um erro, mas não, virou regra”, comentou um usuário no X (antigo Twitter).

A repercussão negativa tomou conta das redes. Diversos consumidores passaram a questionar não só a taxa, mas também a política de preços da plataforma, que já vinha sendo criticada por embutir custos elevados, tanto para consumidores quanto para restaurantes.

Impacto nos assinantes do Clube iFood

Nem mesmo quem optou pelo Clube iFood ficou de fora da nova cobrança. O programa, que promete benefícios como isenção de taxas de entrega e descontos, não protegeu seus membros da taxa de serviço. Isso gerou ainda mais indignação entre os clientes mais fiéis da plataforma.

Pressão no modelo de negócios dos apps de entrega

O peso das taxas na conta do consumidor

A nova taxa de R$ 0,99 pode parecer pequena, mas, considerando o volume de pedidos realizados diariamente, representa uma fonte robusta de receita adicional para o iFood.

Por outro lado, para o consumidor, ela se soma a uma série de outros custos: taxa de entrega, gorjeta opcional, embalagem e, muitas vezes, preços mais altos do que os cobrados diretamente pelos restaurantes.

Inflação nas refeições e desgaste na relação com o público

O aumento dos custos não acontece em um vácuo. O Brasil atravessa um período de inflação persistente no setor de alimentos, tanto nos supermercados quanto nos serviços de alimentação.

Assim, o consumidor se vê pressionado por todos os lados: refeições mais caras, fretes altos e, agora, uma taxa fixa adicional. Na prática, essa movimentação do iFood pode acelerar a busca por alternativas mais acessíveis, seja preparando refeições em casa, buscando concorrentes ou até optando por retirar o pedido no local.

A guerra do delivery ganha novos capítulos

Chegada de concorrentes promete mudar o jogo

O anúncio da nova taxa ocorre no mesmo período em que o mercado de delivery começa a dar sinais claros de mudanças. A 99, empresa do grupo Didi Chuxing, já confirmou que prepara o relançamento do 99Food, seu serviço de entrega, agora com foco em taxas mais competitivas e melhores condições para os restaurantes parceiros.

A empresa já iniciou testes em cidades do Sudeste e do Sul, prometendo uma plataforma mais vantajosa tanto para consumidores quanto para comerciantes.

Gigantes internacionais de olho no mercado brasileiro

Além da 99, o mercado observa atentamente os movimentos da gigante chinesa Meituan, líder em delivery na Ásia, que estuda sua entrada no Brasil a partir de 2026. A possível chegada da empresa pode balançar ainda mais as estruturas do iFood, principalmente se vier com uma política agressiva de preços e taxas reduzidas.

Desafios estruturais do setor de delivery

apps de delivery

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Pressões dos entregadores e custos operacionais

Não são apenas os consumidores que estão insatisfeitos. Entregadores também vêm expressando, há anos, descontentamento com as condições de trabalho, remuneração baixa e falta de benefícios.

Os custos operacionais, como combustível, manutenção das motos e até alimentação dos próprios entregadores, aumentaram consideravelmente nos últimos anos. Isso pressiona ainda mais a sustentabilidade do modelo atual.

Restaurantes também sofrem com altas taxas

Os donos de restaurantes não ficam de fora da equação. Muitos relatam que as comissões cobradas pelo iFood podem ultrapassar 25% do valor do pedido. Para manter a margem de lucro, esses custos são inevitavelmente repassados aos clientes, o que explica, em parte, os preços mais altos encontrados nos aplicativos em comparação com os pedidos feitos diretamente no estabelecimento.

O futuro do delivery no Brasil

Consumidores buscam alternativas

Diante desse cenário, muitos consumidores começam a buscar alternativas. Aplicativos menores, plataformas de entrega locais, sistemas próprios de entrega desenvolvidos por restaurantes e até grupos de WhatsApp e Telegram estão sendo utilizados para fugir das altas taxas.

O iFood resistirá à pressão?

Embora ainda lidere o mercado com folga, o iFood precisará repensar sua estratégia. A combinação de descontentamento dos clientes, pressão dos entregadores e a iminente chegada de concorrentes robustos desenha um cenário desafiador para os próximos anos.

Se a empresa não rever sua política de taxas e não melhorar sua comunicação, pode começar a perder espaço em um mercado que, até pouco tempo atrás, parecia consolidado em suas mãos.

Imagem: lookstudio – freepik

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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