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iFood atinge 500 mil entregadores ativos, confira o valor médio por hora trabalhada

iFood supera 500 mil entregadores ativos, registra alta na renda média e bate recorde de pedidos, enquanto cresce o debate sobre regulação.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto7 min de leitura
Delivery ifood

O setor de delivery no Brasil atravessa um dos períodos mais intensos de sua história recente. Em meio ao aumento da concorrência, à pressão por mudanças regulatórias e à consolidação do trabalho por aplicativo como fonte de renda para milhões de brasileiros, o iFood divulgou números que reforçam sua relevância no mercado. Em comunicado público sobre os investimentos realizados ao longo do ano, a empresa informou que encerrou novembro com mais de 500 mil entregadores ativos cadastrados em sua plataforma.

O dado representa um salto expressivo quando comparado a levantamentos anteriores. Em setembro do ano passado, o próprio iFood havia informado a existência de cerca de 310 mil trabalhadores atuando na plataforma. Em junho de 2025, esse número já havia avançado para 455 mil, evidenciando um crescimento acelerado em poucos meses. O marco de meio milhão de entregadores ocorre em um contexto de forte demanda por serviços de entrega e de mudanças estruturais no mercado de trabalho digital.

Além do crescimento da base de entregadores do iFood, a empresa destacou um aumento na renda média obtida por esses profissionais. Em novembro, o ganho médio foi de R$ 31 por hora trabalhada, valor 9% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. O mês também entrou para a história do aplicativo ao registrar o maior volume de pedidos em um único dia: 3,8 milhões de entregas realizadas durante a Black Friday, em 28 de novembro.

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Crescimento do iFood reflete expansão do delivery no Brasil

O avanço no número de entregadores ativos acompanha a consolidação do delivery como um dos principais serviços urbanos no país. O hábito de pedir refeições, compras de mercado e até medicamentos por aplicativos se tornou parte da rotina de milhões de consumidores, impulsionado inicialmente pela pandemia e mantido pela conveniência e rapidez do modelo.

Para muitos trabalhadores, atuar como entregador representa uma alternativa de renda principal ou complementar, especialmente em um cenário de informalidade elevada e transformações no mercado de trabalho tradicional. O crescimento da base do iFood indica não apenas a força da empresa, mas também a atração que o trabalho por aplicativo exerce sobre diferentes perfis de profissionais.

Ao mesmo tempo, esse crescimento intensifica debates sobre condições de trabalho, remuneração e proteção social. Quanto maior o número de trabalhadores envolvidos, maior a atenção de órgãos públicos, sindicatos e parlamentares para a necessidade de regras mais claras para o setor.

Recorde de pedidos impulsiona ganhos e operação

O recorde de 3,8 milhões de pedidos em um único dia, alcançado na Black Friday, ilustra o nível de maturidade operacional do iFood. Datas promocionais, que antes eram mais associadas ao varejo tradicional, passaram a ter impacto direto também no setor de delivery, exigindo planejamento logístico e capacidade de absorver picos de demanda.

Para os entregadores do iFood, esses momentos costumam representar oportunidades de ganhos maiores, devido ao aumento no volume de corridas e à adoção de incentivos temporários pelas plataformas. O ganho médio de R$ 31 por hora em novembro sugere que o período foi positivo financeiramente para muitos trabalhadores, ainda que a renda final varie conforme região, horário e disponibilidade individual.

A empresa afirma que investe continuamente em tecnologia, logística e parcerias para manter o funcionamento do ecossistema mesmo em dias de alta demanda. Esse esforço é fundamental para preservar a confiança dos consumidores e garantir que os entregadores consigam realizar seu trabalho de forma eficiente.

Concorrência acirrada e novos desafios no setor

Apesar dos números celebratórios, 2025 tem sido um ano desafiador para o iFood e para todo o setor de delivery. A entrada de novos concorrentes, nacionais e internacionais, aumenta a disputa por usuários, restaurantes parceiros e entregadores. Promoções agressivas, redução de taxas e investimentos em marketing tornaram-se estratégias frequentes para conquistar espaço no mercado.

Esse ambiente competitivo pressiona as margens das empresas e pode impactar diretamente as políticas de remuneração e incentivos oferecidos aos entregadores. Ao mesmo tempo, obriga as plataformas a inovar constantemente, seja por meio de novos serviços, melhorias no aplicativo ou programas de fidelização.

Para o iFood, manter a liderança exige equilibrar crescimento, sustentabilidade financeira e responsabilidade social, especialmente em um contexto de maior escrutínio público sobre o modelo de negócios das plataformas digitais.

Debate sobre regulação do trabalho por aplicativo ganha força

O avanço do número de entregadores do iFood ocorre paralelamente ao fortalecimento do debate político sobre a regulação do trabalho por aplicativo. No início de novembro, o Governo Federal anunciou a criação de um grupo de trabalho com foco na formulação de propostas de regulação trabalhista para entregadores. A coordenação ficará a cargo da Secretaria-Geral da Presidência da República.

A iniciativa sinaliza a intenção do Executivo de construir um marco regulatório que estabeleça direitos mínimos, deveres das plataformas e parâmetros mais claros para a relação entre empresas e trabalhadores. Entre os temas frequentemente discutidos estão remuneração mínima, cobertura previdenciária, seguro contra acidentes e transparência nos critérios de pagamento.

O assunto também avança no Congresso Nacional. Desde julho, tramita um projeto de lei de autoria do deputado federal Guilherme Boulos (Psol-SP) que propõe a criação de uma remuneração mínima por entrega realizada. Nesta semana, o relator do projeto sugeriu o valor de R$ 8,50 por entrega, proposta que já provoca reações distintas entre empresas, entregadores e especialistas.

Impactos possíveis de uma remuneração mínima

A discussão sobre uma remuneração mínima por entrega é um dos pontos mais sensíveis do debate regulatório. Defensores da proposta argumentam que a medida pode garantir previsibilidade de renda e reduzir situações de ganhos considerados insuficientes, especialmente em períodos de baixa demanda.

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Por outro lado, plataformas e parte dos trabalhadores expressam preocupação com possíveis efeitos colaterais, como redução no número de pedidos disponíveis, mudanças nos modelos de incentivo e até a diminuição da flexibilidade, considerada por muitos entregadores como um dos principais atrativos do trabalho por aplicativo.

Especialistas avaliam que qualquer mudança regulatória precisará considerar as diferenças regionais, os custos operacionais e a diversidade de perfis dos entregadores. Um modelo rígido pode não atender à complexidade do setor, enquanto a ausência de regras claras tende a perpetuar conflitos e insegurança jurídica.

Posicionamento do iFood sobre os trabalhadores

Em nota, Johnny Borges, diretor de Impacto Social do iFood, afirmou que a empresa mantém “um olhar profundo para as necessidades dos trabalhadores” e busca transformar essas demandas em soluções concretas. Segundo ele, esse compromisso faz parte da cultura da companhia e da forma como ela cuida do ecossistema formado por consumidores, restaurantes e entregadores.

O discurso institucional reforça a estratégia do iFood de se posicionar como agente ativo no debate sobre o futuro do trabalho por aplicativo, destacando iniciativas voltadas à renda, segurança e bem-estar dos entregadores. Ainda assim, o desafio está em traduzir essas ações em resultados percebidos de forma ampla e consistente pelos trabalhadores.

O futuro do delivery e do trabalho por aplicativo

O marco de mais de 500 mil entregadores ativos evidencia a dimensão que o delivery alcançou no Brasil. O setor deixou de ser uma alternativa pontual e se consolidou como parte estrutural da economia urbana. Com isso, cresce a responsabilidade das empresas e do poder público em construir soluções que conciliem inovação, competitividade e proteção social.

Nos próximos meses, o avanço das discussões no Congresso e no grupo de trabalho do governo federal deve trazer maior clareza sobre os rumos da regulação. Para os entregadores, o resultado desse processo pode significar mudanças significativas na forma como trabalham e são remunerados. Para as plataformas, o desafio será adaptar seus modelos de negócio sem comprometer a viabilidade econômica.

Enquanto isso, números como os divulgados pelo iFood mostram que o setor segue em expansão e que o debate sobre o trabalho por aplicativo está longe de arrefecer. O equilíbrio entre crescimento, renda e direitos será determinante para o futuro do delivery no país.

Imagem gerada por IA/ Seu Crédito Digital

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Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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