A indústria do turismo no Brasil enfrenta um momento delicado com os recentes aumentos nas alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Com o intuito de aumentar a arrecadação pública nos próximos anos, o governo elevou as taxas incidentes sobre operações de câmbio, crédito e previdência privada.
Turismo sente impacto da alta do IOF: aumento de custos e retração na demanda
A alta do IOF eleva custos e provoca retração no turismo, afetando agências, hotéis e companhias aéreas.
A medida, porém, traz consequências negativas para toda a cadeia turística, desde agências de viagem até companhias aéreas e hotéis. Em meio à recuperação ainda frágil após a pandemia, o setor sente o impacto do aumento de custos, que pode frear o crescimento da demanda e comprometer a retomada econômica.
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Mudanças no IOF: principais impactos para o turismo

O governo anunciou que pretende arrecadar R$ 18,5 bilhões em 2025 e R$ 35 bilhões em 2026 por meio da elevação das alíquotas do IOF. Entre as principais alterações está o aumento significativo da taxa sobre operações de câmbio, que afeta diretamente o turismo internacional.
Até então, a alíquota para a compra de papel moeda em espécie era de 1,1%. Com a mudança, essa taxa passou a ser de 3,5%. Isso significa um custo maior para viajantes que precisam adquirir moeda estrangeira para seus deslocamentos, assim como para as agências e operadoras que dependem dessas operações para pagar fornecedores fora do país.
Crédito mais caro: um efeito dominó para empresas do setor
Outro ponto relevante é a elevação do teto do IOF sobre operações de crédito para empresas. A alíquota anual passou de 1,88% para 3,95%, quase dobrando o custo do financiamento.
Empresas que optam pelo Simples Nacional também sentem o aumento, com a alíquota subindo de 0,88% para 1,95% ao ano. Essa alteração encarece empréstimos utilizados para leasing de aeronaves, manutenção das frotas, compra de combustível e capital de giro.
Douglas Camargo, diretor executivo da Abracorp, alerta que “essa elevação encarece linhas de crédito utilizadas para leasing de aeronaves, manutenção de frota, aquisição de combustível e financiamento de capital de giro, pressionando as margens de companhias aéreas, hotéis e operadores do setor.
Impactos para companhias aéreas, hotéis e agências

A indústria do turismo ainda se recupera dos efeitos da pandemia e das oscilações econômicas globais, e o aumento do IOF representa uma nova dificuldade para o setor. As companhias aéreas, por exemplo, podem enfrentar custos maiores com financiamento e leasing, o que pode refletir em tarifas mais altas ou menor capacidade operacional.
Para hotéis, o encarecimento das operações e a compressão das margens dificultam a manutenção da qualidade e dos investimentos. Já as agências e operadoras lidam com o custo elevado das remessas internacionais e dificuldades maiores para acessar crédito.
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Douglas Camargo observa que “O setor de Turismo vem sofrendo como nenhum outro nos últimos anos e é necessário que o governo olhe para o setor com mais cuidado e proponha soluções de incentivo de longo prazo ao invés de criar barreiras.”
Críticas ao uso do IOF como ferramenta de arrecadação
A Abracorp critica a utilização do IOF como instrumento para aumentar a arrecadação, argumentando que isso cria barreiras para um setor que já sofreu bastante nos últimos anos.
Segundo Douglas Camargo, “IOF não deve ser utilizado como ferramenta de arrecadação. Fica a impressão de que o governo avaliou o potencial de arrecadação, sem avaliar possíveis impactos. O setor de Turismo vem sofrendo como nenhum outro nos últimos anos e é necessário que o governo olhe para o setor com mais cuidado e proponha soluções de incentivo de longo prazo ao invés de criar barreiras.”
Essa crítica reforça a necessidade de políticas públicas que incentivem o crescimento do turismo, em vez de dificultar seu desenvolvimento por meio de impostos elevados.
Com informações de: Alta do IOF pressiona Turismo com aumento de custos
