O crescimento acelerado das apostas esportivas online, conhecidas como bets, está desenhando um novo desafio para a educação superior privada no Brasil. Um estudo recente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), em parceria com a Educa Insights, revela que mais de um terço dos jovens brasileiros adiaram os estudos universitários em 2025 devido aos gastos com apostas.
Estudo da ABMES aponta impacto financeiro das bets no ingresso ao ensino superior
Gastos com apostas online já impedem 34% dos jovens de iniciar a faculdade, mostra pesquisa da ABMES.
Com o título “O impacto das bets na educação superior”, a pesquisa ouviu 11.762 pessoas entre 18 e 35 anos, interessadas em ingressar em uma faculdade privada. O resultado acende um sinal de alerta: entre os 2,9 milhões de potenciais ingressantes em 2026, quase 986 mil jovens podem desistir da graduação por problemas financeiros ligados às apostas.
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Regiões mais impactadas pelo fenômeno

Os efeitos das apostas no acesso à educação não se distribuem igualmente pelo país. As regiões Nordeste e Sudeste concentram os índices mais preocupantes.
No primeiro semestre de 2025, 44% dos jovens nordestinos e 41% dos sudestinos que planejavam iniciar a graduação acabaram adiando a matrícula por conta das apostas. Para o segundo semestre do mesmo ano, esses números caíram para 32% e 27%, respectivamente.
Em contraste, as regiões Sul e Centro-Oeste apresentaram percentuais significativamente menores: 17% e 18% no primeiro semestre, caindo ainda mais no segundo.
Perfil dos apostadores: quem são eles?
O estudo traçou o perfil dos jovens que mais apostam. O apostador típico é homem, tem entre 26 e 35 anos, é trabalhador das classes C e D, com filhos e histórico escolar em escolas públicas.
Atualmente, 52% dos entrevistados afirmam apostar regularmente, sendo que a frequência mais comum é de uma a três vezes por semana. O percentual de jovens comprometendo parte da renda com apostas passou de 51,6% em setembro de 2024 para 54,2% em março de 2025.
Quanto os jovens gastam em apostas?
Embora 80% dos entrevistados digam comprometer até 5% da renda com as apostas, os gastos são mais pesados para as classes mais baixas. Entre os jovens das classes D e E, cresce o número dos que investem mais de 10% do orçamento mensal.
Outro dado importante é a discrepância no valor médio mensal apostado por classe social. Enquanto os jovens da classe A apostam, em média, R$ 1.210 por mês, nas classes D e E o valor gira em torno de R$ 421.
Mais apostas, menos formaturas
O impacto das bets não se limita aos jovens que pretendem entrar na faculdade. Entre os estudantes já matriculados, 14% declararam ter atrasado mensalidades ou trancado a matrícula por causa das apostas, atrasando a conclusão dos cursos. Nas classes B1 e B2, esse índice chega a 17%.
Esse aumento na inadimplência e evasão preocupa as instituições privadas, que já enfrentam desafios históricos para manter a sustentabilidade financeira.
O alerta da ABMES
Para o diretor geral da ABMES, Paulo Chanan, o cenário pede atenção imediata. Ele classifica as apostas online como um novo obstáculo para o acesso à educação superior no Brasil e defende campanhas de conscientização específicas para os jovens.
“As apostas on-line se tornaram um obstáculo adicional para o acesso à educação superior no Brasil. Precisamos olhar com seriedade para esse cenário e desenvolver ações de conscientização voltadas aos jovens”, afirma Chanan.
Segundo ele, o fenômeno ainda é recente no país, e tanto os apostadores quanto o poder público ainda estão amadurecendo no entendimento e enfrentamento do problema.
O futuro da educação em jogo

A pesquisa da ABMES deixa claro que a popularização das apostas online veio acompanhada de um alto custo social. O que para muitos jovens começou como diversão já se tornou uma ameaça ao futuro acadêmico e profissional de centenas de milhares de brasileiros.
Sem uma ação coordenada do setor público, das instituições de ensino e da sociedade civil, essa tendência pode comprometer seriamente a formação da mão de obra qualificada no país.
Perguntas e respostas: o que muda com as bets?
Qual é o impacto das apostas no ingresso ao ensino superior?
Mais de um terço dos jovens que planejavam iniciar uma graduação em 2025 desistiram por causa dos gastos com apostas.
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Quais regiões são mais afetadas?
Nordeste e Sudeste concentram os maiores índices, enquanto Sul e Centro-Oeste têm os menores.
Quem são os principais apostadores?
Homens entre 26 e 35 anos, das classes C e D, com filhos e histórico escolar em escolas públicas.
Quanto os jovens gastam com apostas?
Os valores variam: na classe A a média é de R$ 1.210 mensais; nas classes D e E, cerca de R$ 421.
O problema atinge apenas quem ainda não ingressou na faculdade?
Não. Entre estudantes já matriculados, 14% atrasaram mensalidades ou trancaram a matrícula por causa das apostas.
Conclusão: hora de agir
O crescimento das apostas esportivas online exige uma resposta urgente. Com quase 1 milhão de jovens desistindo da faculdade por falta de recursos, o país corre o risco de agravar ainda mais a desigualdade social e limitar o acesso à educação de qualidade.
É necessário que campanhas de educação financeira, regulação mais eficiente do setor e políticas públicas de apoio aos estudantes sejam implementadas para reverter essa tendência. O futuro educacional e profissional do Brasil não pode ficar refém da sorte.]
Com informações de: Metrópoles
