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Estudo da ABMES aponta impacto financeiro das bets no ingresso ao ensino superior

Gastos com apostas online já impedem 34% dos jovens de iniciar a faculdade, mostra pesquisa da ABMES.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
Bets STF

O crescimento acelerado das apostas esportivas online, conhecidas como bets, está desenhando um novo desafio para a educação superior privada no Brasil. Um estudo recente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), em parceria com a Educa Insights, revela que mais de um terço dos jovens brasileiros adiaram os estudos universitários em 2025 devido aos gastos com apostas.

Com o título “O impacto das bets na educação superior”, a pesquisa ouviu 11.762 pessoas entre 18 e 35 anos, interessadas em ingressar em uma faculdade privada. O resultado acende um sinal de alerta: entre os 2,9 milhões de potenciais ingressantes em 2026, quase 986 mil jovens podem desistir da graduação por problemas financeiros ligados às apostas.

Leia mais: Governo Lula já arrecadou R$ 3 bi com bets em 2025

Regiões mais impactadas pelo fenômeno

Bets acessos
Imagem: Wpadington/shutterstock.com

Os efeitos das apostas no acesso à educação não se distribuem igualmente pelo país. As regiões Nordeste e Sudeste concentram os índices mais preocupantes.

No primeiro semestre de 2025, 44% dos jovens nordestinos e 41% dos sudestinos que planejavam iniciar a graduação acabaram adiando a matrícula por conta das apostas. Para o segundo semestre do mesmo ano, esses números caíram para 32% e 27%, respectivamente.

Em contraste, as regiões Sul e Centro-Oeste apresentaram percentuais significativamente menores: 17% e 18% no primeiro semestre, caindo ainda mais no segundo.

Perfil dos apostadores: quem são eles?

O estudo traçou o perfil dos jovens que mais apostam. O apostador típico é homem, tem entre 26 e 35 anos, é trabalhador das classes C e D, com filhos e histórico escolar em escolas públicas.

Atualmente, 52% dos entrevistados afirmam apostar regularmente, sendo que a frequência mais comum é de uma a três vezes por semana. O percentual de jovens comprometendo parte da renda com apostas passou de 51,6% em setembro de 2024 para 54,2% em março de 2025.

Quanto os jovens gastam em apostas?

Embora 80% dos entrevistados digam comprometer até 5% da renda com as apostas, os gastos são mais pesados para as classes mais baixas. Entre os jovens das classes D e E, cresce o número dos que investem mais de 10% do orçamento mensal.

Outro dado importante é a discrepância no valor médio mensal apostado por classe social. Enquanto os jovens da classe A apostam, em média, R$ 1.210 por mês, nas classes D e E o valor gira em torno de R$ 421.

Mais apostas, menos formaturas

O impacto das bets não se limita aos jovens que pretendem entrar na faculdade. Entre os estudantes já matriculados, 14% declararam ter atrasado mensalidades ou trancado a matrícula por causa das apostas, atrasando a conclusão dos cursos. Nas classes B1 e B2, esse índice chega a 17%.

Esse aumento na inadimplência e evasão preocupa as instituições privadas, que já enfrentam desafios históricos para manter a sustentabilidade financeira.

O alerta da ABMES

Para o diretor geral da ABMES, Paulo Chanan, o cenário pede atenção imediata. Ele classifica as apostas online como um novo obstáculo para o acesso à educação superior no Brasil e defende campanhas de conscientização específicas para os jovens.

“As apostas on-line se tornaram um obstáculo adicional para o acesso à educação superior no Brasil. Precisamos olhar com seriedade para esse cenário e desenvolver ações de conscientização voltadas aos jovens”, afirma Chanan.

Segundo ele, o fenômeno ainda é recente no país, e tanto os apostadores quanto o poder público ainda estão amadurecendo no entendimento e enfrentamento do problema.

O futuro da educação em jogo

Feliz estudante afro-americana levantando a mão para fazer uma pergunta durante uma palestra na sala de aula de faculdade.
Imagem: Drazen Zigic | shutterstock

A pesquisa da ABMES deixa claro que a popularização das apostas online veio acompanhada de um alto custo social. O que para muitos jovens começou como diversão já se tornou uma ameaça ao futuro acadêmico e profissional de centenas de milhares de brasileiros.

Sem uma ação coordenada do setor público, das instituições de ensino e da sociedade civil, essa tendência pode comprometer seriamente a formação da mão de obra qualificada no país.

Perguntas e respostas: o que muda com as bets?

Qual é o impacto das apostas no ingresso ao ensino superior?

Mais de um terço dos jovens que planejavam iniciar uma graduação em 2025 desistiram por causa dos gastos com apostas.

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Quais regiões são mais afetadas?

Nordeste e Sudeste concentram os maiores índices, enquanto Sul e Centro-Oeste têm os menores.

Quem são os principais apostadores?

Homens entre 26 e 35 anos, das classes C e D, com filhos e histórico escolar em escolas públicas.

Quanto os jovens gastam com apostas?

Os valores variam: na classe A a média é de R$ 1.210 mensais; nas classes D e E, cerca de R$ 421.

O problema atinge apenas quem ainda não ingressou na faculdade?

Não. Entre estudantes já matriculados, 14% atrasaram mensalidades ou trancaram a matrícula por causa das apostas.

Conclusão: hora de agir

O crescimento das apostas esportivas online exige uma resposta urgente. Com quase 1 milhão de jovens desistindo da faculdade por falta de recursos, o país corre o risco de agravar ainda mais a desigualdade social e limitar o acesso à educação de qualidade.

É necessário que campanhas de educação financeira, regulação mais eficiente do setor e políticas públicas de apoio aos estudantes sejam implementadas para reverter essa tendência. O futuro educacional e profissional do Brasil não pode ficar refém da sorte.]

Com informações de: Metrópoles

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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