Trabalhadores que optaram por vender parte das férias em 2025 precisam ficar atentos ao preenchimento da declaração do Imposto de Renda 2026. Embora o chamado abono pecuniário seja isento de tributação, a quantia recebida deve ser informada corretamente à Receita Federal.
IR 2026: como declarar venda de férias corretamente
Veja como declarar o abono pecuniário no Imposto de Renda 2026 e evite erros que podem levar à malha fina da Receita Federal.
O erro de muitos contribuintes é acreditar que, por não haver cobrança de imposto sobre o valor, não existe obrigação de declarar. Na prática, omitir o rendimento pode gerar inconsistências nos cruzamentos eletrônicos feitos pela Receita, aumentando o risco de cair na malha fina.
O abono pecuniário corresponde à conversão de até um terço das férias em dinheiro. Na maioria dos casos, isso significa vender dez dias de descanso ao empregador, conforme previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
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O que é o abono pecuniário das férias?
O abono pecuniário é um direito garantido pela CLT ao trabalhador com carteira assinada. A legislação permite que o empregado converta até 1/3 do período de férias em remuneração extra.
Na prática, quem teria direito a 30 dias de férias pode descansar apenas 20 dias e receber os outros 10 dias em dinheiro.
Como funciona o cálculo
O valor é calculado proporcionalmente ao salário do trabalhador. Além disso, o pagamento também inclui o adicional constitucional de 1/3 sobre as férias.
Por exemplo:
- Salário bruto: R$ 3.000
- Venda de 10 dias de férias
- Valor aproximado do abono: R$ 1.000
- Adicional constitucional proporcional
O montante é pago junto das férias e normalmente aparece separado no informe de rendimentos fornecido pela empresa.
O abono pecuniário paga Imposto de Renda?
Não. O abono pecuniário é considerado rendimento isento e não tributável.
Esse entendimento já está consolidado pela Receita Federal e também pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que reconhece que a verba possui caráter indenizatório.
Apesar da isenção, o contribuinte deve informar o valor na declaração do Imposto de Renda 2026.
Por que o valor precisa ser declarado?
A Receita Federal cruza automaticamente informações fornecidas por empresas, bancos, fontes pagadoras e empregadores.
Se a empresa informou o pagamento do abono pecuniário e o trabalhador não declarar, o sistema pode identificar divergências.
Mesmo sem imposto devido, a omissão pode gerar:
- Pendência na declaração
- Convocação para comprovação
- Retenção em malha fina
- Atraso na restituição
Onde informar o abono pecuniário no Imposto de Renda 2026
O valor deve ser declarado na ficha de rendimentos isentos.
Passo a passo para declarar
1. Acesse a ficha correta
No programa da Receita Federal, entre em:
“Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”
2. Escolha o código adequado
Selecione o código referente a:
“Outros” ou descrição semelhante disponível no sistema do IR 2026.
A Receita pode atualizar a nomenclatura a cada ano, mas normalmente o abono pecuniário entra nessa categoria.
3. Informe os dados da empresa
Preencha:
- Nome da fonte pagadora
- CNPJ da empresa
- Valor recebido
Todos os dados devem ser copiados exatamente como aparecem no informe de rendimentos.
Onde encontrar o valor do abono pecuniário?
A informação normalmente aparece no informe de rendimentos entregue pela empresa até fevereiro.
Em muitos casos, o documento traz campos separados para:
- Salário
- Férias
- 1/3 constitucional
- Abono pecuniário
Caso haja dúvida, o trabalhador deve consultar o setor de RH ou o contador da empresa antes de enviar a declaração.
Diferença entre férias normais e abono pecuniário no IR
Essa é uma das maiores dúvidas dos contribuintes.
Férias normais
As férias tradicionais sofrem incidência de Imposto de Renda e entram na ficha de:
“Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica”
Abono pecuniário
Já o valor referente à venda das férias é isento e deve aparecer em:
“Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”
Misturar as duas informações é um erro comum que pode gerar inconsistências.
Quem é obrigado a declarar o Imposto de Renda 2026?
A obrigatoriedade depende das regras definidas pela Receita Federal para o ano-base 2025.
Em geral, precisa declarar quem:
- Recebeu rendimentos tributáveis acima do limite anual
- Obteve rendimentos isentos acima do teto estabelecido
- Possuía bens acima do valor exigido
- Operou em Bolsa de Valores
- Teve receita rural acima do limite legal
Mesmo quem não atingiu os critérios obrigatórios pode entregar a declaração para obter restituição de imposto retido.
Erros mais comuns ao declarar abono pecuniário
Informar na ficha errada
O erro mais frequente é lançar o valor como rendimento tributável.
Isso pode aumentar artificialmente a base de cálculo do imposto.
Omitir o valor
Mesmo sendo isento, o abono precisa constar na declaração.
Digitar valor diferente do informe
A Receita cruza dados automaticamente. Qualquer divergência pode gerar alerta.
Confundir abono com férias indenizadas
Férias indenizadas em rescisão possuem tratamento tributário diferente e devem ser analisadas separadamente.
Como evitar cair na malha fina
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Especialistas recomendam alguns cuidados simples durante o preenchimento do IR 2026.
Confira o informe de rendimentos
Nunca utilize valores aproximados.
Use a declaração pré-preenchida
A Receita Federal ampliou nos últimos anos o uso da declaração pré-preenchida, que reduz erros de digitação.
Revise antes de enviar
Uma revisão final ajuda a identificar inconsistências entre salários, férias e rendimentos isentos.
Guarde comprovantes
O ideal é manter:
- Holerites
- Recibos de férias
- Informe de rendimentos
- Comprovantes bancários
A Receita pode solicitar documentação posteriormente.
Declaração pré-preenchida pode ajudar
A modalidade pré-preenchida vem ganhando espaço entre os contribuintes brasileiros.
Ela importa automaticamente diversas informações já enviadas por empresas e instituições financeiras à Receita Federal.
Em muitos casos, o abono pecuniário já aparece automaticamente no sistema, reduzindo riscos de erro.
Mesmo assim, o trabalhador deve conferir todos os dados antes da entrega.
Receita Federal intensificou cruzamento de dados
Nos últimos anos, a Receita aumentou significativamente o uso de tecnologia para identificar inconsistências nas declarações.
O sistema cruza informações de:
- Empresas
- Bancos
- Operadoras financeiras
- Cartórios
- Instituições de saúde
- Previdência privada
Por isso, pequenos erros que antes passavam despercebidos hoje podem gerar retenção automática.
Vale a pena vender férias?
A decisão depende da situação financeira e pessoal de cada trabalhador.
Em períodos de maior endividamento, o abono pecuniário costuma ser utilizado para:
- Quitar dívidas
- Reforçar orçamento
- Fazer reservas financeiras
- Cobrir despesas inesperadas
Por outro lado, especialistas em saúde ocupacional alertam que o descanso integral é importante para evitar desgaste físico e mental.
O que acontece se não declarar?
Se a omissão for identificada, o contribuinte pode:
- Cair na malha fina
- Precisar retificar a declaração
- Receber cobrança de diferença tributária em casos de erro de classificação
- Ter atraso na restituição
Em situações mais graves, a Receita pode aplicar multa por informações incorretas.
Conclusão
O abono pecuniário continua sendo uma alternativa utilizada por milhões de trabalhadores brasileiros para aumentar a renda anual. No entanto, quem vendeu parte das férias em 2025 deve ficar atento às regras do Imposto de Renda 2026.
Mesmo sendo um rendimento isento, o valor precisa ser informado corretamente na declaração para evitar inconsistências com os dados enviados pelas empresas à Receita Federal.
Conferir o informe de rendimentos, utilizar a declaração pré-preenchida e revisar todos os dados antes do envio são medidas simples que ajudam a reduzir riscos e evitar problemas com o Fisco.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
