Na próxima quinta-feira, 5 de dezembro, o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) se reunirá para discutir uma proposta que pode afetar diretamente as compras realizadas em sites estrangeiros. A proposta visa aumentar a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) de 17% para 25% sobre os produtos vendidos por plataformas como Shein, Shopee, AliExpress, entre outras. Esta mudança nos impostos, que já está gerando debates, pode ter impactos significativos para os consumidores e o mercado varejista brasileiro.
Compras do exterior em risco: aumento de impostos pode tornar produtos mais caros no Brasil
Proposta de aumento de impostos sobre remessas internacionais pode impactar compras em sites como Shein, Shopee e AliExpress.
Assim, vamos analisar as possíveis consequências desse aumento de imposto, desde os reflexos no preço final dos produtos até o impacto nas plataformas de e-commerce e nos Correios.
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Proposta de Aumento do ICMS: O Que Está em Jogo?

O aumento da alíquota do ICMS sobre as remessas internacionais tem como objetivo, segundo algumas autoridades, reduzir a concorrência desleal que os varejistas brasileiros enfrentam devido às vendas de sites estrangeiros.
Esse aumento, caso seja aprovado, representaria uma elevação substancial nos impostos cobrados sobre as compras de produtos importados, impactando diretamente o preço final pago pelos consumidores.
O Impacto no Varejo Brasileiro
A principal justificativa para o aumento da alíquota é a necessidade de proteger o varejo nacional, que tem sido fortemente afetado pela concorrência de plataformas de e-commerce estrangeiras, especialmente as de origem chinesa.
O comércio de produtos de baixo custo, como roupas, acessórios e eletrônicos, tem atraído uma grande parcela de consumidores brasileiros que optam por essas plataformas, devido aos preços mais competitivos.
Desde o último ajuste no Programa Remessa Conforme, realizado em agosto de 2024, foi registrado um impacto nas importações. Houve uma queda superior a 40% no número de remessas internacionais que chegaram ao Brasil, o que evidenciou o impacto de mudanças anteriores na política de taxação sobre compras estrangeiras.
A “Taxa das Blusinhas” e Seu Efeito
O aumento da alíquota do ICMS faz parte de um movimento mais amplo de elevação de impostos sobre compras internacionais. Em agosto de 2024, foi instituída a chamada “taxa das blusinhas”, que impôs uma alíquota de 20% sobre o imposto de importação de compras feitas em sites estrangeiros com valor até US$ 50. Os únicos produtos isentos dessa taxação são medicamentos.
Essa taxação adicional tem sido polêmica, pois ela não apenas encarece os produtos para os consumidores, mas também pode diminuir a atratividade das compras em sites internacionais, favorecendo o comércio local.
Possíveis Consequências para os Consumidores
Se a proposta de aumento da alíquota do ICMS for aprovada, os consumidores brasileiros podem enfrentar um aumento substancial no preço de diversos produtos adquiridos em plataformas estrangeiras.
Além do ICMS, que passaria de 17% para 25%, as compras também enfrentariam as taxas de importação já existentes, que afetam principalmente os itens de menor valor, como roupas e acessórios.
Aumento no Preço Final das Compras
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Com a elevação da alíquota, os preços dos produtos adquiridos online tenderiam a aumentar, o que poderia desencorajar muitos consumidores que optam por essas plataformas por causa dos preços mais acessíveis. Esse cenário pode prejudicar aqueles que buscam produtos de nicho ou que não são facilmente encontrados no mercado brasileiro.
Impacto nos Correios: Uma Situação Preocupante

A decisão sobre o aumento do ICMS também pode afetar negativamente a saúde financeira dos Correios, uma vez que a queda nas remessas internacionais tem gerado prejuízos significativos para a estatal. De acordo com os últimos relatórios financeiros, entre julho e setembro de 2024, os Correios registraram uma queda de R$ 200 milhões em relação ao ano anterior.
Além disso, o prejuízo acumulado nos primeiros nove meses de 2024 já ultrapassou R$ 2 bilhões, um número muito superior ao registrado no mesmo período de 2023, que foi de R$ 824 milhões.
Menor Volume de Importações: A Raiz do Problema
A diminuição nas remessas internacionais, em parte causada pela taxação mais rigorosa e pela recente “taxa das blusinhas”, está diretamente ligada a essa queda de faturamento.
O volume reduzido de importações tem gerado uma sobrecarga nos Correios, que, por sua vez, enfrenta um cenário financeiro desafiador. Esse cenário pode afetar a qualidade dos serviços prestados pela estatal, além de representar um desafio para a recuperação financeira da empresa.
Imagem: Maxx-Studio / Shutterstock.com
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