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Crise no campo: inadimplência no agronegócio cresce entre produtores

Saiba como a inadimplência no agro ameaça bancos e produtores. Entenda o cenário e proteja seus investimentos.

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro4 min de leitura
Exportações

O setor agropecuário brasileiro enfrenta um cenário de inadimplência crescente, preocupando bancos e produtores. Apesar de projeções recordes de safra, especialmente de milho e soja em 2025, diversas dificuldades econômicas e jurídicas estão pressionando as finanças do setor.

Nos últimos meses, a inadimplência no agronegócio disparou, mesmo sem problemas climáticos ou de safra. O principal fator é a queda nos preços das commodities, que afetou diretamente a margem de produtores altamente alavancados.

Muitos tomaram crédito quando a Selic estava em mínimas históricas, nos anos de 2020 e 2021. Além disso, mudanças regulatórias, como a Resolução 4.966 do Banco Central, alteraram regras de provisionamento, introduzindo o conceito de “perda esperada” e pressionando ainda mais os bancos.

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Impacto nos Bancos

bancos fechados hoje
Imagem: Anton_AV / shutterstock.com

O Banco do Brasil, com participação de quase 50% do crédito agro, é o mais afetado. A inadimplência atingiu 3,94%, frente a 2,45% um ano antes, em uma carteira que soma R$ 404,9 bilhões. Atualmente, cerca de 20 mil clientes estão inadimplentes, e 74% nunca tinham registrado calote até 2023.

Distribuição Geográfica e Cultural

  • Regiões: 52% da inadimplência está concentrada no Centro-Oeste e Sul.
  • Culturas: 50% nos setores de soja, milho e bovinos.

Além disso, 808 clientes encontram-se em recuperação judicial, com uma carteira de R$ 5,4 bilhões. O aumento está relacionado a decisões do STF que equiparam grandes produtores rurais a empresas, permitindo que solicitem RJs na pessoa física.

Ação Judicial e “Litigância Predatória”

O BB tem denunciado campanhas de escritórios de advocacia voltadas à litigância predatória, incentivando pedidos de recuperação judicial, muitas vezes sem necessidade real. A presidente do banco, Tarciana Medeiros, afirma que medidas judiciais podem ser tomadas contra essas práticas abusivas.

Dados do Crédito Rural

Segundo o Banco Central, o crédito rural totalizou:

  • Pessoa física: R$ 539,8 bilhões, crescimento anual de 7,5%.
  • Pessoa jurídica: R$ 99,3 bilhões, alta de 9,4%.

Na pessoa física, a inadimplência saltou de 1,5% para 3,5% em apenas um ano.

A Serasa Experian identificou 389 pedidos de recuperação judicial no agro no primeiro trimestre, alta de 44,6% em comparação com o início de 2024.

Perspectiva dos Bancos Privados

Santander

O CEO Mario Leão alerta para trimestres desafiadores à frente, afirmando que o setor pode estar passando pelo momento mais difícil do ciclo agrícola.

Itaú

Milton Maluhy Filho destaca que a inadimplência afetou o setor nos últimos dois anos, mas o Itaú mantém uma carteira equilibrada, com apenas 5% dos pedidos de RJ do setor.

Bradesco

Marcelo Noronha reforça que a inadimplência está controlada e que o banco atua com foco em culturas rentáveis e linhas de crédito com garantias robustas.

Cooperativas e Situação Regional

O Sicredi observa aumento da inadimplência, mas de forma desigual, refletindo particularidades climáticas e perfis dos produtores. Cooperativas destacam a necessidade de distinguir casos legítimos de recuperação judicial de usos estratégicos do instrumento.

Plano Safra 25/26 e Expectativas

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O governo anunciou um Plano Safra de R$ 594,4 bilhões, sendo R$ 516,2 bilhões para médios e grandes produtores e R$ 78,8 bilhões para agricultura familiar. O aumento de apenas 1,69% frente à safra anterior está abaixo da inflação acumulada, gerando preocupação sobre a capacidade de rolagem de dívidas.

Juros e Subsídios

Juros elevados e redução de subsídios para grandes produtores contribuem para incerteza e endividamento. O diretor de agro do Santander, Carlos Aguiar, afirma que o contexto fiscal limita políticas de equalização, tornando 2025 um ano de desafios para o setor.

Estratégias do Banco do Brasil

Para conter a inadimplência, o BB adotou medidas como:

  • Substituição de garantias tradicionais (penhor e hipoteca) por alienação fiduciária;
  • Melhoria na esteira de cobrança;
  • Judicialização de casos estratégicos.

O vice-presidente financeiro, Geovanne Tobias, destaca que o banco está deixando de priorizar relações amistosas para focar em gestão ativa de risco.

Desafios e Perspectivas Futuras

Agro
Imagem: Attasit saentep / Shutterstock.com

Mesmo com safras recordes, os produtores enfrentam:

  • Custos altos;
  • Prazos longos para recebimento;
  • Maior exigência de garantias;
  • Dificuldades na rolagem de dívidas.

A inadimplência deve permanecer pressionada até o terceiro trimestre de 2025, especialmente devido a atrasos no Plano Safra anterior.

Conclusão

O agronegócio brasileiro, apesar de produtivo e competitivo, enfrenta um cenário financeiro desafiador. O aumento da inadimplência preocupa bancos e produtores, destacando a importância de gestão de risco, acompanhamento do crédito e medidas estratégicas para garantir a sustentabilidade do setor.

Imagem: Freepik

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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