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Inadimplência da população rural no agronegócio mantém estabilidade em 7,6%, diz Serasa

Inadimplência da população rural no agronegócio se mantém estável em 7,6%, segundo dados da Serasa. Veja detalhes.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto4 min de leitura
Inadimplência da população rural no agronegócio mantém estabilidade em 7,6%, diz Serasa

A inadimplência da população rural brasileira, especialmente no setor do agronegócio, manteve-se estável no último trimestre de 2024. Dados divulgados pela Serasa Experian revelam que o índice permaneceu em 7,6%, o mesmo percentual registrado no trimestre anterior. Na comparação anual, a alta foi discreta, de apenas 0,8 ponto percentual.

O levantamento considera dívidas vencidas há mais de 180 dias, contraídas junto a empresas diretamente ligadas às atividades agropecuárias. O dado é visto como um reflexo da resiliência do setor, mesmo diante de desafios como aumento dos custos, perdas climáticas e restrições no acesso ao crédito.

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Cenário Estável Reflete Estratégias de Gestão e Análise de Riscos

desenrola rural inadimplência
Imagem: davimarquesbroca/ Freepik

Uso de tecnologias e crédito mais criterioso contribuem para estabilidade

De acordo com Marcelo Pimenta, chefe de agronegócio da Serasa Experian, a estabilidade observada se deve, em grande parte, a uma combinação de fatores. “O aperto na política de crédito dos credores, somado à resiliência do setor e ao uso de ferramentas de análise e gestão de risco, como o Agro Score, tem sido determinante”, explica.

Ele ressalta ainda que o mercado está mais cauteloso quanto à concessão de crédito. “Há uma busca por equilíbrio entre demanda e concessão, essencial para manter o consumo de crédito saudável em toda a cadeia do agronegócio”, afirma Pimenta.


Inadimplência por Porte: Pequenos Produtores São os Menos Impactados

Grandes produtores enfrentam maiores desafios financeiros

O relatório da Serasa também revela que os pequenos produtores foram os que menos enfrentaram problemas com inadimplência no último trimestre de 2024, registrando um índice de 6,9%. Em seguida aparecem os médios produtores, com 7,2%.

Por outro lado, os proprietários rurais de grande porte apresentaram a maior taxa de inadimplência, atingindo 10,2%. Este grupo, geralmente mais exposto a operações de maior volume e riscos mais complexos, sentiu de forma mais intensa os efeitos das oscilações de mercado e das restrições de crédito.

Quem são os mais impactados?

Além dos produtores com registros formais, o levantamento também inclui dados de arrendatários e grupos econômicos que atuam no setor rural, mas não possuem registro específico como produtor rural. Este grupo apresentou uma taxa de inadimplência de 9,0%, superior à média geral.


Regiões Agrícolas: Desempenhos Contrastantes no País

Sul mantém menor inadimplência; Norte lidera índice mais alto

O recorte regional apresenta diferenças significativas no comportamento da inadimplência. O Sul do país segue como a região mais saudável financeiramente, com uma taxa de apenas 5,1%. Este dado reflete o perfil mais conservador dos produtores da região e também as condições climáticas e econômicas mais favoráveis no período analisado.

Em contrapartida, a região denominada “Norte-Agro” – que inclui o Norte do Brasil, exceto Rondônia e Tocantins, além do Noroeste do Maranhão – apresentou o maior índice do país, chegando a 11,3%. O dado reflete os desafios estruturais e financeiros enfrentados por produtores dessas localidades, que incluem dificuldades logísticas, menor acesso a serviços financeiros e maior dependência de condições climáticas.


Cadeia do Agronegócio é Menos Impactada pelas Dívidas

Setores produtivos mostram baixo nível de inadimplência

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Quando se observa a composição das dívidas, os dados indicam que a maior parte da inadimplência vem das instituições financeiras, que concentram 6,7% dos débitos negativados no campo. Isso demonstra que o problema se concentra nas linhas tradicionais de crédito rural.

Por outro lado, as dívidas vinculadas diretamente ao setor agroindustrial e a outros setores relacionados — como fornecedores de insumos, serviços de apoio, transporte e armazenagem — representam uma parcela muito pequena: apenas 0,3% e 0,1%, respectivamente.

Segundo Marcelo Pimenta, isso reforça um cenário otimista. “A inadimplência é muito mais baixa quando olhamos para a cadeia produtiva do agro como um todo. Esse dado precisa ser relativizado, pois mostra que, apesar dos desafios, a cadeia está operando de forma saudável e sustentável”, pontua.


Boletim Agro: Um Raio-X do Crédito Rural no Brasil

Relatório detalha tendências, riscos e oportunidades do setor

A Serasa Experian anunciou que, em breve, estará disponível uma nova edição do Boletim Agro, que trará uma análise aprofundada dos dados do último trimestre de 2024. O relatório inclui informações segmentadas por:

  • Porte dos produtores
  • Tipo de linha de crédito utilizada
  • Tempo de inadimplência
  • Distribuição por regiões agrícolas e estados brasileiros

O objetivo, segundo a Serasa, é democratizar o acesso à informação financeira no campo, ajudando produtores, instituições financeiras, revendas e toda a cadeia do agronegócio a tomarem decisões mais assertivas.

“O relatório é um verdadeiro raio-X financeiro do agro no Brasil. Seguimos trabalhando para consolidar ainda mais dados, inclusive aqueles que estão fora do sistema financeiro tradicional, como dívidas em revendas e distribuidores”, conclui Pimenta.

Imagem: Achmad Khoeron – Freepik

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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