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Inadimplência bate recorde mesmo com Desenrola; entenda por que as dívidas continuam crescendo

A inadimplência atingiu o maior nível da série histórica mesmo após o Desenrola renegociar bilhões em dívidas. Entenda os motivos e os impactos.

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
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Mesmo com bilhões de reais renegociados pelo novo Desenrola Brasil, a inadimplência dos brasileiros voltou a crescer e atingiu o maior patamar da série histórica do Banco Central. Os dados mostram que, embora milhares de pessoas tenham conseguido descontos e melhores condições para quitar débitos antigos, o número de atrasos superiores a 90 dias continuou aumentando.

O cenário evidencia que o problema do endividamento vai além da renegociação de dívidas. Especialistas apontam que fatores como juros elevados, aumento do custo de vida e maior dependência do crédito para despesas básicas continuam pressionando o orçamento das famílias.

Entenda por que a inadimplência segue em alta, quais modalidades concentram os maiores atrasos e o que esperar para os próximos meses.

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Inadimplência atinge maior nível da série histórica

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Imagem: Mikhail Nilov/Pexels

Segundo as Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central, a taxa média de inadimplência nas operações de crédito chegou a 4,7% em maio, o maior índice desde o início da série histórica, iniciada em 2011.

O indicador considera operações com atraso superior a 90 dias envolvendo pessoas físicas e jurídicas.

Quando o foco são apenas as pessoas físicas nas operações de crédito livre, o cenário é ainda mais preocupante.

Nesse grupo, a inadimplência alcançou 7,6%, também o maior percentual já registrado pelo Banco Central.

O que é crédito livre?

O crédito livre é formado pelas modalidades em que os bancos têm autonomia para definir:

  • taxas de juros;
  • prazos;
  • condições de pagamento;
  • critérios de concessão.

Entre os principais exemplos estão:

Essas modalidades costumam apresentar juros mais elevados do que linhas de crédito direcionado.

Crédito direcionado funciona de forma diferente

Já o crédito direcionado possui regras específicas estabelecidas por políticas públicas ou normas do sistema financeiro.

Nessa categoria estão financiamentos como:

  • crédito imobiliário;
  • crédito rural;
  • financiamentos habitacionais;
  • programas de incentivo a setores estratégicos.

Normalmente essas operações possuem juros menores e condições mais favoráveis.

Por que a inadimplência continua aumentando?

Segundo economistas, o aumento da renda observado nos últimos anos não foi suficiente para acompanhar o crescimento do custo de vida.

Mesmo com mercado de trabalho aquecido, despesas como:

  • alimentação;
  • aluguel;
  • energia elétrica;
  • transporte;
  • medicamentos;

continuam consumindo parcela significativa da renda das famílias.

Como consequência, muitos brasileiros recorrem ao crédito para pagar despesas do dia a dia.

Crédito deixou de ser exceção

Especialistas destacam uma mudança importante no comportamento financeiro das famílias.

Antes, empréstimos e parcelamentos eram utilizados principalmente para compras maiores ou investimentos.

Hoje, em muitos casos, o crédito passou a complementar a renda mensal.

Na prática, parte da população utiliza:

  • cartão de crédito para supermercado;
  • cheque especial para pagar contas básicas;
  • empréstimos pessoais para quitar outras dívidas.

Esse ciclo aumenta o comprometimento da renda e dificulta a recuperação financeira.

Juros elevados agravam a situação

Outro fator decisivo é o nível das taxas de juros.

Com a taxa Selic em patamar elevado, diversas modalidades de crédito continuam cobrando juros bastante altos.

Isso torna mais difícil:

  • renegociar dívidas;
  • quitar parcelas em atraso;
  • substituir empréstimos caros por linhas mais baratas.

Além disso, muitas operações utilizam juros compostos, fazendo com que a dívida cresça rapidamente ao longo do tempo.

O Desenrola ajudou, mas não resolveu o problema

O governo federal lançou uma nova etapa do Desenrola Brasil justamente para facilitar a renegociação de dívidas.

Segundo dados oficiais, o programa renegociou cerca de R$ 15,9 bilhões desde o início da nova fase.

Grande parte desse valor corresponde ao:

  • Desenrola Famílias;
  • Desenrola Fies.

O objetivo é permitir que consumidores obtenham descontos e melhores condições para quitar débitos.

Por que a renegociação não reduziu imediatamente a inadimplência?

Especialistas apontam dois motivos principais.

O programa ainda é recente

Como o Desenrola começou em maio, ainda não houve tempo suficiente para que seus efeitos apareçam nas estatísticas do Banco Central.

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Os indicadores de inadimplência refletem atrasos acumulados ao longo de vários meses.

O programa trata as consequências

Economistas afirmam que o Desenrola melhora as condições de pagamento, mas não elimina as causas do endividamento.

Se a renda continuar insuficiente para cobrir as despesas mensais, muitas famílias poderão voltar a recorrer ao crédito após renegociar suas dívidas.

Empresas também enfrentam aumento da inadimplência

O problema não afeta apenas pessoas físicas.

Entre as empresas, a inadimplência chegou a 3,2%, o maior nível registrado desde 2017.

O cenário reflete:

  • maior custo financeiro;
  • desaceleração em alguns setores;
  • dificuldade de acesso ao crédito;
  • aumento das despesas operacionais.

Endividamento continua elevado

Mesmo com renegociações, o comprometimento da renda das famílias permanece próximo de 50%, segundo dados do Banco Central.

Isso significa que uma parcela significativa da renda mensal continua destinada ao pagamento de financiamentos, empréstimos e demais obrigações financeiras.

Quanto maior esse comprometimento, menor é a capacidade de enfrentar imprevistos ou absorver novos aumentos de despesas.

Bets também preocupam especialistas

Além dos fatores tradicionais, economistas passaram a citar outro elemento que pode estar pressionando o orçamento das famílias.

O crescimento das apostas esportivas online, conhecidas como bets, vem sendo apontado como mais um fator que reduz a renda disponível para pagamento de contas e dívidas.

Embora esse não seja o principal motivo da inadimplência, especialistas consideram que o aumento desse tipo de gasto pode agravar a situação financeira de parte da população.

Como evitar o aumento das dívidas

Em um cenário de juros elevados, especialistas recomendam alguns cuidados.

Entre eles:

  • evitar utilizar o cheque especial de forma recorrente;
  • pagar integralmente a fatura do cartão de crédito sempre que possível;
  • renegociar dívidas antes do atraso aumentar;
  • comparar taxas entre diferentes instituições financeiras;
  • priorizar o pagamento das dívidas com juros mais elevados.

Também é importante elaborar um orçamento doméstico para identificar despesas que possam ser reduzidas.

O que esperar para os próximos meses

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Imagem: SB Arts Media/shutterstock.com

A expectativa dos economistas é que o Desenrola contribua para reduzir parte da inadimplência ao longo dos próximos meses, principalmente entre famílias que conseguiram renegociar débitos com descontos significativos.

No entanto, a melhora tende a ser gradual. Enquanto fatores estruturais, como juros elevados, custo de vida e forte dependência do crédito para despesas essenciais, permanecerem presentes, o desafio do endividamento continuará afetando milhões de brasileiros.

Por isso, além de programas de renegociação, especialistas defendem a importância de educação financeira, ampliação do acesso a linhas de crédito mais baratas e políticas que fortaleçam a renda das famílias, criando condições para uma redução mais duradoura da inadimplência no país.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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