A inadimplência no cartão de crédito rotativo ultrapassou a marca de 60% em agosto de 2025, de acordo com dados do Banco Central. O índice revela que mais da metade dos consumidores não consegue quitar o valor total da fatura no prazo, recorrendo ao rotativo — modalidade conhecida por ser a mais cara do mercado.
Inadimplência no cartão rotativo explode e passa de 60%
A inadimplência no cartão de crédito rotativo superou 60% em 2025, segundo o Banco Central. Entenda as causas, impactos econômicos e riscos para consumidores.
O volume emprestado nesse tipo de crédito chegou a R$ 79,4 bilhões, um aumento de 30,8% em relação a dezembro de 2024, crescimento muito acima da média de 7% registrada no crédito total.
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Por que o rotativo é tão perigoso?

O cartão de crédito rotativo possui juros anuais superiores a 300%, o que transforma rapidamente pequenas dívidas em montantes quase impagáveis.
O recurso, que deveria ser emergencial, tornou-se rotina para milhões de brasileiros pressionados pela alta dos preços e pela falta de alternativas de crédito mais baratas.
Juros altos e o impacto na economia
A política monetária restritiva do Banco Central, com taxa Selic elevada ao longo de 2025, encarece o custo do crédito e dificulta o acesso dos consumidores a linhas mais vantajosas.
Inadimplência acima de 90 dias
Outro dado preocupante é o aumento da inadimplência em atraso superior a 90 dias, indicador que mostra dificuldades estruturais das famílias em recuperar o equilíbrio financeiro. Esse cenário eleva o risco para os bancos, que repassam esse custo em forma de juros ainda mais altos.
Diferença entre crédito parcelado e rotativo
Crédito parcelado
- Inadimplência em agosto de 2025: 13,2%
- Em agosto de 2024: 11,5%
Apesar de ser uma modalidade com juros mais baixos do que o rotativo, o crescimento da inadimplência mostra que até consumidores que recorrem ao parcelamento encontram dificuldades para pagar as prestações.
Crédito rotativo
- Inadimplência em agosto de 2025: 60,5%
- Em agosto de 2024: 55,4%
O aumento em um ano revela a dificuldade estrutural do consumidor brasileiro em lidar com dívidas de curto prazo.
Análise por faixa de renda
O levantamento do Banco Central mostra que a inadimplência atinge todas as faixas de renda, embora de forma desigual:
- Até 3 salários mínimos: de 5,4% em dezembro de 2024 para 6,7% em junho de 2025.
- De 3 a 10 salários mínimos: de 4% para 4,1% no mesmo período.
- Acima de 10 salários mínimos: de 2,3% para 2,7%.
O que isso significa?
Mesmo famílias com renda mais alta passaram a enfrentar dificuldades para manter suas dívidas em dia, ainda que em menor proporção. Já a população de baixa renda, mais vulnerável à inflação e ao desemprego, sofre impacto direto no consumo básico.
O efeito do endividamento no dia a dia dos brasileiros
Redução do poder de compra
Segundo especialistas, o acúmulo de dívidas reduz a renda disponível para itens essenciais como alimentação, transporte e saúde, criando um ciclo de empobrecimento.
Reflexos emocionais
A inadimplência também afeta a saúde mental. Ansiedade, estresse e conflitos familiares tornam-se frequentes quando as dívidas deixam de ser controláveis.
Declaração de especialista
A advogada Chayana Rezende, especialista em Direito Digital e do Consumidor, explica que:
“Quando as dívidas se acumulam, a renda disponível para consumo básico é comprometida. Isso gera um efeito em cadeia: perda de poder de compra, restrição de crédito no mercado e abalo emocional.”
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O uso do rotativo
A especialista Chayana alerta que transformar o cartão de crédito em ferramenta de rolagem de dívidas é uma armadilha:
“No rotativo, pequenas dívidas viram montantes quase impagáveis em poucos meses. Isso aprisiona o consumidor em um ciclo de inadimplência e juros cada vez mais caros.”
Consequências para o mercado
Esse cenário também afeta bancos e empresas, já que a elevação da inadimplência reduz a concessão de novos créditos, restringindo o consumo e desacelerando a economia.
Caminhos para reduzir o endividamento
Políticas públicas necessárias
- Educação financeira: inclusão de programas em escolas e campanhas nacionais.
- Regulação do crédito: limites mais rígidos para juros abusivos.
- Acesso a crédito barato: expansão de linhas subsidiadas para famílias de baixa renda.
Orientações para consumidores
- Evitar o uso do rotativo;
- Priorizar o pagamento integral da fatura;
- Negociar dívidas diretamente com bancos e utilizar programas como Desenrola Brasil;
- Montar planilhas de controle de gastos e criar reservas emergenciais.
O que esperar para os próximos meses?
Com a perspectiva de cortes graduais da Selic apenas no fim de 2025, a tendência é que os juros continuem pressionando as famílias. A inadimplência deve permanecer em patamares elevados, exigindo medidas rápidas de renegociação de dívidas e maior conscientização sobre os riscos do crédito fácil.
Considerações finais
O avanço da inadimplência no cartão de crédito rotativo, que superou 60%, expõe a fragilidade financeira das famílias brasileiras e o impacto direto dos juros altos na economia.
Sem alternativas de crédito mais acessíveis e políticas públicas que incentivem a educação financeira, o país pode enfrentar um ciclo ainda mais grave de endividamento.
Para os consumidores, o desafio é buscar renegociação, cortar gastos e evitar o uso do rotativo como solução temporária. Para o governo, o alerta é claro: sem intervenções, o aumento da inadimplência pode frear o consumo e comprometer a recuperação econômica.
