A taxa de inadimplência no Brasil alcançou 5,5% em janeiro, alta de 1,1 ponto percentual em relação a dezembro e o maior patamar desde 2017. Os dados foram divulgados pelo Banco Central do Brasil e reforçam um cenário de pressão sobre o crédito, com juros elevados e maior comprometimento da renda das famílias.
Inadimplência recorde em 9 anos pressiona mercado de crédito
Inadimplência atinge 5,5%, maior nível desde 2017. Veja impactos para famílias, empresas e crédito em 2026.
O avanço da inadimplência ocorre em um contexto de crédito mais caro e crescimento do endividamento, especialmente entre pessoas físicas.
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O que significa a inadimplência de 5,5%
A taxa de 5,5% refere-se ao percentual de operações com atraso superior a 90 dias dentro do sistema financeiro.
Já a inadimplência da carteira total do Sistema Financeiro Nacional ficou em 4,2%, alta de 0,2 ponto percentual no mês.
Empresas e famílias
- Crédito às empresas: 2,6% de inadimplência (+0,2 p.p.)
- Crédito às famílias: 5,2% (+0,2 p.p.)
O dado mostra que o problema é mais intenso entre consumidores do que no setor corporativo.
Endividamento das famílias bate 49,7%
O endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,7% ao final de 2025, com aumento de 1,3 ponto percentual em 12 meses.
Esse indicador mede a relação entre o saldo das dívidas e a renda acumulada das famílias.
Mais preocupante ainda é o comprometimento de renda, que chegou a 29,2% — ou seja, quase um terço da renda mensal está comprometido com pagamento de dívidas.
Na prática, isso significa que uma família que recebe R$ 5.000 por mês destina, em média, cerca de R$ 1.460 apenas para quitar parcelas de financiamentos, cartão de crédito, cheque especial e empréstimos.
Juros médios sobem e encarecem o crédito
No crédito livre para pessoas físicas, a taxa média de juros chegou a 61% ao ano.
Houve:
- Alta de 0,9 ponto percentual no mês
- Alta de 6,7 pontos percentuais em 12 meses
Entre as modalidades com maior aumento:
- Cartão de crédito parcelado: +6,8 p.p.
- Crédito pessoal não consignado: +1,5 p.p.
- Financiamento de veículos: +1,3 p.p.
- Crédito consignado para trabalhadores do setor privado: +1,2 p.p.
Com juros nesse patamar, o risco de inadimplência aumenta, especialmente para quem já opera no limite do orçamento.
Quanto o sistema financeiro concedeu em crédito
O saldo total das operações de crédito do sistema financeiro ficou em R$ 7,1 trilhões em janeiro, com leve queda de 0,2% no mês.
Distribuição por segmento
- Pessoas jurídicas: R$ 2,7 trilhões (-1,7%)
- Pessoas físicas: R$ 4,5 trilhões (+0,7%)
O crescimento do crédito às famílias, mesmo com juros elevados, ajuda a explicar o aumento do endividamento e da inadimplência.
Crédito ampliado supera 160% do PIB
O crédito ampliado ao setor não financeiro atingiu R$ 20,8 trilhões, equivalente a 162,6% do PIB.
Apesar da leve queda mensal de 0,3%, na comparação anual houve crescimento de 12,6%.
Empresas e famílias no crédito ampliado
- Empresas: R$ 7,0 trilhões (54,7% do PIB)
- Famílias: R$ 4,8 trilhões (37,7% do PIB)
O crescimento anual do crédito às famílias foi de 11,7%, indicando expansão relevante mesmo diante do cenário de juros elevados.
Por que a inadimplência está subindo?
Alguns fatores ajudam a explicar o movimento:
1. Juros altos por período prolongado
A política monetária restritiva nos últimos anos encareceu o crédito, elevando o custo das parcelas.
2. Inflação acumulada
Embora controlada em comparação a picos anteriores, a inflação ainda pressiona itens essenciais como alimentação, energia e transporte, reduzindo a renda disponível.
3. Uso intenso do cartão de crédito
O cartão parcelado, com aumento expressivo de juros, tornou-se uma das principais fontes de risco.
4. Crescimento do crédito sem educação financeira proporcional
Muitos consumidores assumem dívidas sem avaliar o impacto real no orçamento.
Impactos práticos para o consumidor
Com inadimplência elevada, os bancos tendem a:
- Aumentar critérios de aprovação
- Elevar spreads
- Reduzir limites
- Oferecer menos crédito para perfis considerados de maior risco
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Isso pode dificultar o acesso a financiamentos imobiliários, crédito para veículos e empréstimos pessoais.
Além disso, consumidores inadimplentes enfrentam:
- Nome negativado
- Restrições em financiamentos
- Dificuldade para renegociação
- Custos adicionais com juros e multas
Como evitar cair na inadimplência
Algumas medidas práticas podem ajudar:
Organize o orçamento
Mapeie todas as despesas fixas e variáveis e identifique o quanto da renda está comprometido.
Priorize dívidas com juros mais altos
Cartão de crédito e cheque especial devem ser quitados antes de financiamentos com taxas menores.
Negocie com antecedência
Antes de atrasar parcelas, procure o banco para renegociar condições.
Evite crédito rotativo
O crédito rotativo do cartão está entre as modalidades mais caras do país.
O que esperar para os próximos meses
O comportamento da inadimplência dependerá de fatores como:
- Política de juros
- Crescimento econômico
- Mercado de trabalho
- Inflação
Caso o crédito continue crescendo em ritmo superior à renda, a tendência é de manutenção da pressão sobre o sistema.
Por outro lado, eventual redução estrutural das taxas pode aliviar o comprometimento mensal das famílias.
Considerações finais
A taxa de inadimplência de 5,5% — a maior desde 2017 — evidencia um cenário de atenção no sistema financeiro brasileiro.
Com juros médios de 61% ao ano no crédito livre e quase metade da renda das famílias comprometida com dívidas, o desafio agora é equilibrar acesso ao crédito com sustentabilidade financeira.
Para o consumidor, informação, planejamento e negociação são ferramentas essenciais para atravessar esse período sem comprometer ainda mais o orçamento.
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