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Inadimplência das famílias no crédito livre atinge maior nível em 12 anos

Saiba como a inadimplência no crédito livre chegou a 6,5% e quais medidas o BC recomenda. Confira detalhes.

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
Fintechs de crédito têm importante prova de resistência aumento da inadimplência

A inadimplência das famílias no crédito com recursos livres atingiu 6,5% em julho, o maior nível registrado em mais de 12 anos, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central (BC). O último registro próximo a esse patamar havia sido em maio de 2013, com 6,6%.

Segundo especialistas do BC, o aumento não é resultado de apenas um fator, mas de uma combinação entre tendências do mercado e mudanças na forma de reporte das instituições financeiras.

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Crescimento da inadimplência e mudanças na metodologia

Homem sentado em um sofá com o rosto escondido entre as duas mãos. À sua frente, em uma mesa, um notebook aberto e várias contas espalhadas, com uma calculadora, uma caneta e um celular.
Imagem: SB Arts Media/shutterstock.com

Mudança de reporte pelo CMN

O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, explicou que parte do aumento é consequência da Resolução 4966 do Conselho Monetário Nacional (CMN), que alterou a forma de como os bancos reportam as dívidas.

“Se a pergunta é quanto é atribuído a uma tendência do mercado de crédito ou à resolução 4966, é uma composição das duas coisas, sem que eu consiga saber exatamente, a partir dos dados disponíveis, qual é a proporção de cada uma delas”, afirmou Rocha.

Essa mudança de metodologia tem impacto direto na forma como o índice de inadimplência é apresentado, tornando a comparação com períodos anteriores mais complexa.

Cartão de crédito rotativo: emergência financeira com juros altos

Recorde histórico no rotativo

Entre todas as modalidades de crédito, o cartão de crédito rotativo registrou o maior aumento, passando de 57,5% para 60,5% — o maior nível desde 2011, quando o BC iniciou a série histórica.

O rotativo é considerado uma modalidade absolutamente emergencial, pois possui taxas de juros extremamente elevadas, chegando a 446,6% ao ano em julho. Essa taxa supera em muito a Selic, que atualmente é de 15% ao ano.

Cobranças irregulares

Quatro instituições financeiras foram identificadas pelo BC cobrando juros superiores ao permitido por lei: Via Certa Financiadora, Banco XP, Sicoob e Banco Rendimento. Desde 2024, os encargos do rotativo não podem ultrapassar o valor da dívida original. O BC acompanha de perto esses casos e orienta correções nos relatórios enviados.

“Isso é uma evidência possível de infração da lei. Instituições com cobranças indevidas estão sujeitas a ações de supervisão e medidas cabíveis”, destacou Rocha.

Impacto da inadimplência no mercado de crédito total

Além das famílias, o aumento da inadimplência também foi observado em empresas que operam com recursos livres.

  • Crédito total de famílias e empresas: subiu de 5,0% para 5,2%, maior patamar desde novembro de 2017.
  • Crédito total (livre e direcionado): atingiu 3,8%, nível mais alto desde maio de 2017.

O saldo da carteira de crédito também apresentou crescimento moderado: 0,4% no total, com 0,2% no crédito livre e 0,7% no direcionado. Fernando Rocha ressaltou que esses números confirmam uma desaceleração do crescimento do crédito, ainda que desigual entre modalidades.

Consignado privado: exceção à tendência

Ampliação do público-alvo

O consignado privado segue trajetória diferente do restante do crédito. O governo federal reformulou a modalidade, ampliando o público com desconto em folha. Em julho, o saldo do consignado privado chegou a R$ 49,7 bilhões, o maior da série histórica do BC.

Juros elevados, mas estáveis

Apesar da leve redução observada em julho, a taxa de juros do consignado privado se mantém elevada: 55,5% ao ano, contra 56,3% em junho. Antes da reformulação, em fevereiro, o juro médio era de 40,9% ao ano.

Essa estabilidade mostra que, mesmo com expansão da modalidade, os juros permanecem dentro de um patamar elevado do novo modelo.

Consequências para famílias e economia

O aumento da inadimplência reflete dificuldades financeiras crescentes das famílias, especialmente no pagamento de dívidas de cartão de crédito e outras linhas de crédito livre.

Entre as principais consequências estão:

  • Maior endividamento das famílias, comprometendo o orçamento doméstico.
  • Aumento do risco de restrição de crédito, dificultando acesso a financiamentos futuros.
  • Pressão sobre instituições financeiras, que precisam provisionar mais recursos para inadimplência.
  • Impactos na economia, pois a desaceleração do crédito pode reduzir consumo e investimentos.

O BC tem monitorado de perto essa situação e orienta tanto consumidores quanto instituições sobre formas de contenção de juros e renegociação de dívidas.

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Dicas para evitar inadimplência

Controle financeiro pessoal

  • Planeje gastos mensais com base na renda.
  • Evite utilizar o crédito rotativo do cartão, dado o alto custo.
  • Prefira empréstimos consignados ou linhas com juros mais baixos e desconto em folha.

Renegociação de dívidas

  • Negocie com o banco antes do vencimento.
  • Utilize plataformas oficiais do Banco Central para consulta de dívidas e orientação.

Educação financeira

  • Aprenda sobre taxas de juros, prazo de pagamento e encargos.
  • Utilize aplicativos de controle financeiro para acompanhamento de despesas.

Perspectivas do mercado de crédito

Pessoa escrevendo em um papel enquanto realiza contas em um calculadora. inadimplência
Imagem: Mikhail Nilov/Pexels

Economistas alertam que a inadimplência tende a continuar elevada enquanto não houver redução significativa das taxas de juros e crescimento da renda. A combinação de juros altos no rotativo e desaceleração econômica exige cautela dos consumidores.

O Banco Central sinaliza que medidas de supervisão e ajustes regulatórios podem ajudar a conter o avanço da inadimplência, mas a responsabilidade de gestão financeira pessoal permanece como principal fator de proteção.

Conclusão

O aumento da inadimplência das famílias no crédito livre para 6,5% em julho de 2025 é o reflexo de altos juros, dificuldades econômicas e mudanças na forma de reporte das instituições.

Especialistas recomendam atenção ao uso de crédito rotativo e buscam alternativas mais seguras, como o consignado privado, que apresenta crescimento e condições de pagamento mais estruturadas.

A situação exige acompanhamento contínuo do Banco Central, conscientização dos consumidores e medidas estratégicas para equilibrar endividamento e acesso ao crédito, garantindo maior estabilidade econômica no médio prazo.

Imagem: Basicdog / Shutterstock.com

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Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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